Paulo Skaf revela novos conselheiros da Fiesp
Entre os novos conselheiros, destacam-se Tereza Cristina, Mendonça Filho, Sérgio Moro, Roberto Campos Neto e Michel Temer
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 25/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
O presidente eleito da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, revelou nesta quinta-feira (25) os membros dos 16 conselhos superiores da entidade durante um evento realizado em São Paulo.
Entre os integrantes destacados, figuram ex-ministros do governo de Jair Bolsonaro (PL), como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que ocupou a pasta da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; o vice-chairman do Nubank, Roberto Campos Neto, que foi presidente do Banco Central; o deputado federal Mendonça Filho (União Brasil-PE), ex-ministro da Educação; o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR), que chefiou o Ministério da Justiça e Segurança Pública; além de Joaquim Pereira Leite, conhecido como Juca, ex-ministro do Meio Ambiente.
Michel Temer (MDB), ex-presidente da República, será o responsável pelo Conselho Superior de Estudos Nacionais e Política. A posse de Skaf ocorrerá em janeiro, marcando seu quinto mandato à frente da federação. No dia de sua eleição em agosto, ele já havia anunciado a inclusão do diplomata Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), no Conselho de Comércio Exterior.
Durante o encontro, Azevêdo ressaltou a importância da presença do setor privado no cenário internacional, destacando o impacto negativo do tarifaço implementado por Donald Trump sobre as exportações brasileiras. “A ausência do setor privado em momentos críticos é alarmante”, afirmou Azevêdo, ao se referir à necessidade de estratégias mais eficazes nas relações comerciais com os Estados Unidos.
Ele também previu que qualquer negociação futura entre Trump e o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será distinta das anteriores e caracterizada por um caráter unilateral.
A primeira reunião dos conselhos superiores ocorreu em um hotel nos Jardins, em São Paulo, pois a nova gestão assumirá somente em janeiro. Durante sua liderança anterior, Skaf conduziu a Fiesp a uma posição política mais alinhada à direita, com apoio explícito ao ex-presidente Bolsonaro, atualmente enfrentando condenações por sua participação em atos antidemocráticos.
A volta de Skaf ao comando sugere uma nova fase política para a entidade, que tem membros próximos a Bolsonaro e ideologicamente inclinados à direita. O presidente eleito defendeu que os selecionados para os conselhos são “especialistas renomados” em suas áreas, todos com uma visão liberal e conservadora. “Estamos reunindo as melhores mentes com uma visão voltada para o desenvolvimento do Brasil”, disse ele.
Além disso, Skaf informou que tem dialogado com os presidentes da Câmara e do Senado sobre a participação de parlamentares nas comissões de economia relacionadas à Fiesp. O atual presidente da entidade, Josué Gomes da Silva, próximo ao governo Lula e indicado por Skaf como seu sucessor, enfrentou desafios durante sua gestão devido ao seu estilo mais reservado.
No contexto atual, discursos durante a apresentação dos conselheiros criticaram abertamente o governo Lula, embora sem citar diretamente o presidente. Campos Neto alertou sobre os perigos da polarização política para as instituições e questionou as consequências do aumento das despesas públicas e impostos sobre a produtividade.
Flávio Amary, à frente do Conselho Superior da Indústria da Construção, manifestou sua desaprovação quanto ao aumento de impostos proposto pelo governo. A discussão sobre a elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda também gerou controvérsia entre os participantes.
A nova composição dos conselhos superiores será crucial para definir os rumos futuros da Fiesp em um cenário marcado por desafios econômicos e políticos. Skaf observa que ao final de seu novo mandato, terá completado 20 anos liderando uma das mais importantes entidades representativas do setor industrial no país.
Nos últimos anos sob sua direção, a Fiesp viu sua representatividade questionada por alguns setores que consideram que ele misturou suas ambições pessoais com as da federação. Essa intersecção se evidenciou em ações públicas que visavam não apenas protestar contra medidas governamentais, mas também consolidar sua imagem pessoal.
Abaixo estão os novos conselheiros superiores que irão compor a Fiesp a partir de janeiro:
Conselho Superior da Segurança (novo): Sergio Moro
Conselho Superior do Agronegócio (Consag): Tereza Cristina (PP-MS)
Conselho Superior de Assuntos Jurídicos (Conjur): Ellen Gracie
Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex): Roberto Azevêdo
Conselho Superior da Cultura (Concultura): André Sturm
Conselho Superior de Desenvolvimento Sustentável (Condes): Joaquim Alvaro Pereira Leite
Conselho Superior de Educação (novo): José Mendonça Bezerra Filho
Conselho Superior de Economia (Cosec): Roberto Campos Neto
Conselho Superior de Estudos Nacionais e Política (Cosenp): Michel Temer
Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic): Flavio Amary
Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra): Marcos Lutz
Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic): Sylvio Gomide
Conselho Superior da Micro, Pequena e Média Indústria (Compi): Wilson Poit
Conselho Superior de Relações do Trabalho (Cort): Maria Cristina Mattioli
Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial): Raul Cotait
Conselho Superior da Saúde (Consus): José Medina