Servidores da Abin convocam Assembleia e debatem afastamento de Luiz Fernando Corrêa

Luiz Fernando Corrêa é suspeito de ter contribuído para barras as investigações da Abin paralela

Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado

Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), está no centro de controvérsias após suspeitas de sua contribuição para a obstrução de investigações relacionadas à chamada “Abin paralela”. Até o momento, Corrêa não se pronunciou sobre as alegações. A Abin, por sua vez, afirma estar colaborando com as apurações em curso.

Em uma nota divulgada nesta sexta-feira, 20, os servidores da Abin anunciaram a convocação de uma assembleia programada para a próxima segunda-feira, 23. Durante este encontro, será discutida a proposta de afastamento de Corrêa do cargo. Além disso, os servidores consideram a possibilidade de declarar greve como forma de pressionar pela sua saída. Em reuniões anteriores, já havia um apelo pela demissão do diretor-geral, que permanece na liderança da agência mesmo diante das graves acusações.

A suspeita é que Corrêa tenha prejudicado as investigações sobre o uso indevido do serviço de inteligência brasileira para fins políticos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele figura entre os 35 indiciados pela Polícia Federal no relatório final sobre a “Abin paralela”, uma rede supostamente utilizada por Bolsonaro para realizar espionagem ilegal contra adversários políticos e descreditar urnas eletrônicas. As investigações sugerem que Corrêa poderia ter atuado em conluio com outros servidores investigados para dificultar as apurações.

A Intelis (União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin) expressou seu descontentamento em relação à permanência de Corrêa na função, apontando uma “ausência de diálogo e de ações” por parte do Ministro da Casa Civil com os funcionários da agência.

Durante a assembleia, os servidores deverão deliberar sobre um indicativo de greve em resposta ao tratamento recebido pelo governo federal em relação à inteligência estatal do Brasil. A nota também ressalta outras questões relevantes, como a falta de controle sobre informações sigilosas administradas pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça.

Conforme relatórios da Polícia Federal, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) é mencionado como o principal idealizador da estrutura de espionagem ilegal que teria operado durante o governo de seu pai. O esquema denominado “Abin paralela” teria sido responsável pela espionagem de aproximadamente 1.800 celulares durante o governo Bolsonaro, envolvendo alvos como servidores públicos, ministros, jornalistas, artistas e deputados.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 20/06/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show