Sergio Moro assume liderança do União Brasil no Paraná

Movimento fortalece Moro, que ainda enfrenta resistência em sua sigla para 2026

Sergio Moro assume liderança do União Brasil no Paraná

Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado

O senador Sergio Moro, representando o União Brasil, anunciou nesta quinta-feira (4) sua nova função como líder do partido no estado do Paraná. A decisão vem após conversações com o presidente nacional da legenda, Antonio Rueda.

Este movimento é considerado uma conquista para Moro, que enfrenta resistência interna em sua própria sigla na busca por viabilizar sua candidatura ao governo paranaense em 2026. No entanto, a mudança não elimina todos os obstáculos que o ex-juiz da Lava Jato deve superar.

Apesar de sua posição favorável nas pesquisas de intenção de voto, Moro se depara com novos desafios, especialmente após a adesão de Paulo Martins ao partido Novo e o avanço na federação entre União Brasil e PP.

Uma pesquisa realizada pela Genial/Quaest e divulgada em 21 de agosto indica que Moro conta com 38% das intenções de voto, um número que o coloca em uma situação relativamente confortável em comparação com seus três principais concorrentes. O vice-prefeito de Curitiba e ex-deputado federal Paulo Martins, filiado ao Novo, aparece com 8%, enquanto Enio Verri (PT), diretor-presidente da Itaipu e ex-deputado federal, possui 7%. Guto Silva (PSD), atual secretário de Estado das Cidades sob a gestão de Ratinho Junior, registra 6%. Os votos brancos e nulos somam 28%, e 13% dos entrevistados permanecem indecisos.

Historicamente, o controle do União Brasil no Paraná esteve nas mãos da família Francischini. Na mesma data do anúncio, o deputado federal Felipe Francischini apresentou sua renúncia à presidência do partido através de uma carta publicada por Moro nas redes sociais. Na carta, Francischini expressou que estava deixando a posição “com sentimento de missão cumprida” pelos resultados obtidos nas eleições desde 2020, sem mencionar diretamente Moro. O senador, por sua vez, reconheceu o “gesto corajoso e altruísta” do parlamentar.

Moro se filiou ao União Brasil em 2022, quando foi eleito senador. Contudo, enfrentou dificuldades significativas durante as eleições de 2024, contestando a indicação de membros da própria legenda para cargos estratégicos nas cidades paranaenses e solicitando intervenções da liderança nacional do partido.

Na capital paranaense, Moro conseguiu lançar sua esposa como candidata a vice-prefeita. No entanto, a chapa liderada pelo deputado estadual Ney Leprevost (União Brasil) teve um desempenho insatisfatório nas urnas, alcançando apenas 6,49% dos votos válidos e terminando em quarto lugar na disputa vencida pelo grupo liderado por Ratinho Junior e Eduardo Pimentel (PSD).

No primeiro semestre deste ano, Ratinho Junior decidiu substituir o representante do União Brasil no seu primeiro escalão. Essa mudança foi interpretada politicamente como um sinal direcionado ao senador. O deputado estadual Do Carmo assumiu a pasta do Trabalho, substituindo Mauro Moraes, um aliado próximo de Moro.

O Partido Progressista (PP), sob a liderança do deputado federal Ricardo Barros, também mantém filiados em cargos na administração paranaense. Barros exerceu a função de secretário da Indústria na gestão de Ratinho Junior até o início deste ano.

Ainda que haja progressos na formação da federação entre PP e União Brasil no cenário nacional, a colaboração entre os dois partidos no Paraná apresenta complexidades. Barros e Moro não são vistos como aliados naturais.

Além disso, Moro enfrentou uma nova surpresa com a entrada de Paulo Martins na disputa pelo governo estadual. Martins deixou o PL para se candidatar com o apoio do partido Novo, que no Paraná é liderado pelo deputado federal cassado Deltan Dallagnol — ex-procurador da Lava Jato e antigo colega de Moro.

Martins já havia disputado acirradamente com Moro nas eleições para o Senado em 2022 e agora concorre no mesmo espectro eleitoral. Deltan elogiou Martins como um defensor das liberdades e princípios conservadores: “Paulo é alguém que luta pelas nossas liberdades, por princípios cristãos e conservadores. E alguém que é antipetista na mente e no coração”.

Com boas relações pessoais com Ratinho Junior, existem especulações sobre uma possível aliança entre Martins e o PSD na corrida ao Palácio Iguaçu — este último já demonstrou interesse em apresentar um candidato próprio para as eleições estaduais.

  • Publicado: 05/09/2025 10:25
  • Alterado: 05/09/2025 10:25
  • Autor: Redação
  • Fonte: FOLHAPRESS