Selic não sobe e ACSP, Facesp e FecomercioSP aprovam

"Decisão do BC foi acertada e nossa expectativa é de redução da taxa", diz ACSP e Facesp. Banco Central já foi até onde podia com taxa de juros, afirma FecomercioSP

Crédito: Elza Fiúza/Agência Brasil

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), repercute a decisão de ontem (21/10) do Copom.

“Consideramos acertada a decisão do Banco Central: não haveria nenhuma razão para o aumento da taxa Selic, diante da recessão em que se encontra o Brasil. Nossa expectativa, agora, é de que o BC comece a reduzir a taxa, o que vai permitir que o país se estabilize e dê início a uma retomada gradual. Mas, para essa recuperação, é preciso que o governo realize – efetivamente – o ajuste fiscal. E que esse ajuste seja feito pelo lado do governo, via corte de gastos, e não por meio de mais aumento de tributação”, destaca Burti.

Para FecomercioSP, novas altas da Selic a partir de agora apenas agravariam situação fiscal

Pela segunda vez consecutiva, o Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros no atual patamar – de 14,25% ao ano. Na avaliação da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), devem ter colaborado para a decisão o rápido aumento do desemprego e a retração acentuada da atividade econômica – a queda esperada para o PIB de 2015 já é de 3%.

Mesmo com a inflação ainda elevada – quase 10% em 12 meses -, a pressão recente exercida pela alta do dólar e a deterioração das expectativas para a inflação do ano que vem – que já se aproximam do teto da meta -, na balança do Banco Central prevaleceu o bom senso. Afinal, diante de uma queda cada vez mais intensa da atividade econômica e da deterioração acelerada do mercado de trabalho, novas altas da taxa Selic tenderiam apenas a agravar o cenário econômico ao encarecer o crédito para endividados e aumentar ainda mais o custo da dívida pública e, consequentemente, o esforço fiscal necessário para estabilizá-la.

Para a FecomercioSP, a autoridade monetária já foi até onde podia com o seu principal instrumento: a taxa de juros. Sem a colaboração da política fiscal, a política monetária tende a perder sua eficácia e o País corre o risco de ter de conviver com estagnação da economia, juros altos e inflação elevada, combinação perversa que prejudica especialmente a população mais pobre e o setor produtivo, e coloca em risco as conquistas sociais obtidas na última década.

Apesar do agravamento da crise, o governo ainda não conseguiu, porém, articular e apresentar um plano consistente de ajuste das contas públicas. É hora de assumir equívocos passados e aceitar os custos políticos de reformas urgentes, sem apelar para novos aumentos de impostos – que resultariam apenas em recessão e inflação, sem garantia de aumento da arrecadação. O cenário é grave e a Entidade volta a ressaltar que o desequilíbrio econômico é estrutural, e que só será possível restabelecer a confiança dos agentes econômicos com a retomada de uma agenda de reformas de longo prazo que envolvam forte redução dos gastos públicos, da burocracia e melhora do ambiente de negócios.

  • Publicado: 11/02/2026
  • Alterado: 11/02/2026
  • Autor: 16/08/2023
  • Fonte: Itaú Cultural