Selic a 15% ao ano: oportunidade histórica nos investimentos?

Juros altos podem ser aliados do investidor — desde que bem aproveitados

Crédito: Marcello Casal Jr - Agência Brasil

Atualmente, o Brasil se depara com um cenário de taxas de juros elevadas, com a Selic fixada em 15% ao ano. Este nível representa o maior índice desde o ciclo observado em 2016, gerando uma série de questionamentos entre os investidores: estaria esse contexto criando uma oportunidade sem precedentes ou configurando um risco que demanda precaução?

A compreensão desse cenário passa pela análise do contexto econômico e pela estratégia de posicionamento das carteiras de investimento, visando maximizar os benefícios desta conjuntura.

Compreendendo a Selic a 15%

A Selic, como taxa básica de juros da economia brasileira, é fundamental para estabelecer as diretrizes dos investimentos em renda fixa. Com a elevação dessa taxa, produtos como Tesouro Selic, Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e fundos conservadores tendem a oferecer retornos nominais mais elevados.

No entanto, o aspecto mais relevante a ser considerado não é apenas o valor nominal da Selic, mas sim o juro real — a taxa que supera a inflação. Nesse sentido, com uma inflação em torno de 5%, os investidores têm a possibilidade de alcançar ganhos reais consistentes, que podem superar 10% ao ano, um desempenho excepcional mesmo entre mercados emergentes.

Quem pode se beneficiar?

Para perfis conservadores e moderados, uma Selic elevada cria um ambiente favorável para rentabilização segura. Nesse contexto, ativos como:

  • Títulos públicos
  • CDBs
  • LCIs e LCAs
  • Fundos de investimento conservadores

se tornam opções atraentes, oferecendo uma relação risco-retorno vantajosa.

Além disso, investimentos em títulos prefixados podem ser particularmente interessantes para aqueles que acreditam que a taxa de juros não se manterá nesse nível por muito tempo. A possibilidade de garantir a taxa atual pode resultar em retornos significativos caso haja uma eventual queda nas taxas de juros.

E quanto à renda variável?

Historicamente, taxas de juros elevadas tendem a impactar negativamente o mercado acionário. Isso ocorre porque o aumento nos custos do crédito diminui o consumo e reduz o valor presente dos lucros futuros das empresas. No curto prazo, ações — especialmente aquelas pertencentes a setores cíclicos e empresas altamente alavancadas — são propensas a enfrentar dificuldades. É crucial também considerar as tensões geopolíticas que afetam o mercado, como as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.

Por outro lado, Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) vinculados ao CDI ou IPCA+ continuam sendo alternativas viáveis para geração de renda passiva com proteção contra a inflação e altas taxas de juros.

Portanto, uma Selic estabelecida em 15% ao ano representa uma oportunidade histórica — desde que os investidores estejam preparados para aproveitá-la adequadamente. Com o Brasil oferecendo juros reais extremamente altos em comparação ao cenário global, este momento demanda estratégias bem definidas, seletividade nas escolhas e uma visão orientada para o longo prazo.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 30/07/2025
  • Fonte: Fever