Sehal inicia negociação salarial sob pressão de custos

Negociações da Convenção Coletiva no ABC ocorrem em meio a desafios econômicos e calendário de 2026 repleto de feriados.

Crédito: Divulgação/Sehal

O Sehal oficializou a convocação para a primeira assembleia que definirá os parâmetros da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) nas cidades de Santo André, São Caetano do Sul, Mauá e Ribeirão Pires. A entidade patronal inicia as tratativas com os representantes laborais visando estabelecer as regras vigentes até 31 de janeiro de 2027, com a data-base da categoria fixada em 1º de fevereiro.

O encontro inicial entre empresários e o sindicato dos trabalhadores está agendado para o dia 12 de fevereiro, às 9h30. A reunião ocorrerá na sede do sindicato, localizada na Rua Laura, 214, Vila Bastos. Embora o foco seja o recebimento da pauta de reivindicações, a diretoria do Sehal alerta para um cenário econômico que exige cautela.

Calendário atípico preocupa o setor

Empresários da região antecipam um ano complexo para a gestão financeira. O calendário de 2026 apresenta desafios específicos, marcados pela realização da Copa do Mundo, eleições e uma sequência de feriados prolongados.

Para o setor de serviços no ABC, pausas estendidas nem sempre significam lucro. Fábio Alessandre, diretor do Sehal e proprietário da Santo Disco Pizzaria, destaca que a região não possui perfil de polo turístico receptor nessas datas.

“Para algumas atividades, o menor número de dias úteis tende a reduzir a frequência de clientes em bares, restaurantes, hotéis e similares, impactando diretamente o consumo”, analisa o diretor.

Estratégia do Sehal diante da inflação

A pressão sobre as margens de lucro é o ponto central das discussões deste ano lideradas pelo Sehal. Apesar de a inflação oficial ter apresentado comportamento estável em 2025, os custos operacionais acumulados desde o período pandêmico ainda penalizam o caixa das empresas.

Muitos estabelecimentos não conseguiram repassar integralmente o aumento dos insumos para o consumidor final. A inflação acumulada elevou despesas críticas, como:

  • Energia elétrica;
  • Aluguel comercial;
  • Matéria-prima e insumos alimentícios;
  • Encargos de mão de obra.

Segundo Alessandre, a retenção desses custos visa manter a competitividade dos cardápios, mas resulta em prejuízos absorvidos pelas empresas para evitar o fechamento de portas.

Beto Moreira, presidente da entidade, reforça que o objetivo é alcançar acordos que permitam a sobrevivência dos negócios. A manutenção da saúde financeira das empresas é vista como o único caminho para a preservação dos empregos e o desenvolvimento econômico regional defendido pelo Sehal.

  • Publicado: 03/02/2026
  • Alterado: 03/02/2026
  • Autor: 05/02/2026
  • Fonte: Pocah