Sebrae-SP: 46% dos pequenos negócios cortam custos verdes

Pesquisa do Sebrae-SP revela que quase metade das MPEs e mais de um terço dos MEIs já implementam ações ambientais

Crédito: Freepik

A sustentabilidade deixou de ser apenas um custo para se tornar uma estratégia de gestão e competitividade nos pequenos negócios paulistas. É o que revela o novo estudo “Os pequenos negócios e o meio ambiente“, realizado pelo Sebrae-SP em colaboração com a Fundação Seade. Os dados indicam que as práticas ambientais não apenas posicionam as empresas de forma mais responsável, mas também trazem um retorno financeiro imediato.

A pesquisa detalha que 45,6% das micro e pequenas empresas (MPEs) já implementaram medidas para minimizar o impacto de suas operações no meio ambiente. Este movimento é recente e acelerado: a maioria dessas empresas (32,6%) adotou as ações nos 12 meses que antecederam a sondagem, enquanto 13% haviam tomado medidas em períodos anteriores.

O poder da ação verde: mais de 40% dos empresários vêem redução de Custos

O impacto financeiro positivo das práticas sustentáveis é um dos achados mais relevantes do levantamento. Entre as MPEs que tomaram alguma atitude ambiental, impressionantes 46% delas registraram uma redução direta de custos em seus orçamentos operacionais. Para os Microempreendedores Individuais (MEIs), o cenário é igualmente promissor: 44% dos que adotaram as práticas verdes conseguiram diminuir seus gastos.

“Quando um pequeno negócio adota práticas que reduzem seu impacto ambiental, ele não está apenas ‘fazendo o certo’, mas também fortalecendo sua competitividade”, afirma Pedro Gonçalves, consultor do Sebrae-SP. “Empresas que otimizam o uso de energia, água e insumos reduzem custos operacionais, aumentam a eficiência e ganham fôlego financeiro.”

Essa visão reflete a mudança de mentalidade no ecossistema empreendedor, onde a responsabilidade ambiental se traduz em inteligência de gestão. O Sebrae-SP tem intensificado o apoio para disseminar essa cultura.

Quais são as 4 ações ambientais mais populares?

A pesquisa do Sebrae-SP detalha as ações mais comuns adotadas pelos empreendedores, mostrando que as iniciativas se concentram em práticas de fácil implementação e alto impacto.

Entre as MPEs, as quatro principais medidas são:

  • Coleta Seletiva de Lixo (59,4%): De longe a iniciativa mais popular, focando na separação e destinação correta de resíduos.
  • Controle do Consumo de Energia (18,8%): Ações para otimizar o uso de eletricidade, impactando diretamente na conta de luz.
  • Controle do Consumo de Água (15,5%): Medidas para evitar o desperdício do recurso hídrico.
  • Destinação Adequada de Resíduos Tóxicos (15%): Prática essencial para o descarte correto de itens como óleos lubrificantes e cartuchos de tinta.

Já para os MEIs, a lista de prioridades é similar, com a coleta seletiva também no topo:

  • Coleta Seletiva de Lixo (63,3%)
  • Destinação Adequada de Resíduos Tóxicos (18%)
  • Controle do Consumo de Energia (18%)
  • Uso de Materiais Reciclados (10,3%)

MEIs e o Meio Ambiente: 36,8% Já Agem

O levantamento também oferece um recorte específico para os Microempreendedores Individuais, um segmento crucial da economia. Entre os MEIs, 36,8% já tomaram medidas de minimização de impacto ambiental. Destes, a maioria (23,8%) adotou as práticas nos 12 meses anteriores à pesquisa, com 13% tendo feito isso em períodos mais antigos. O engajamento dos MEIs, embora menor que o das MPEs, demonstra uma crescente conscientização na base do empreendedorismo.

O maior obstáculo: A Percepção de Baixo Impacto

Apesar dos benefícios comprovados, o maior impedimento para a adoção de medidas sustentáveis é a própria percepção do empresário sobre o seu negócio. Dentre os pequenos negócios que ainda não tomaram nenhuma atitude, a principal razão citada (66,8% das MPEs e 69,4% dos MEIs) é a crença de que as ações da empresa não provocam impacto sobre o meio ambiente. Uma parcela menor (6,4% das MPEs e 7% dos MEIs) acredita que o impacto é, de fato, pequeno.

Para o consultor Pedro Gonçalves, essa é uma barreira que precisa ser superada: “Pensar no impacto no meio ambiente não é um gasto, mas sim uma estratégia inteligente de gestão, inovação e posicionamento de mercado”. Ele reforça que a adoção dessas medidas não só melhora a eficiência, mas também “abre portas para novos mercados, parcerias e até linhas de crédito específicas para negócios sustentáveis”.

O estudo do Sebrae-SP é um importante termômetro que ratifica: a responsabilidade socioambiental é, cada vez mais, um diferencial competitivo que gera lucro e eficiência para o pequeno empresário. A pesquisa foi realizada por telefone, em março de 2025, como suplemento da pesquisa Indicadores Sebrae-SP, com uma amostra planejada de 1.700 MPEs e 1.000 MEIs.

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  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 19/11/2025
  • Fonte: Sorria!,