SBC inicia formação de cuidadores da educação inclusiva
Encontro reuniu 2.400 profissionais e reforça educação inclusiva na rede municipal em 2026
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 29/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Michel Teló
A Prefeitura de São Bernardo, por meio da Secretaria de Educação, realizou nesta quarta-feira (28/1) um encontro formativo que marcou o início das atividades de 2026 voltadas aos cuidadores e supervisores que atuam no atendimento a crianças e estudantes com deficiência da rede municipal. A ação ocorreu no Cenforpe e reuniu cerca de 2.400 cuidadores, divididos em dois períodos, com participação de técnicos das Secretarias de Educação e Saúde.
A iniciativa reforça o compromisso do município com a educação inclusiva, política essencial diante do crescimento do número de estudantes com deficiência matriculados na rede pública.
Rede atende quase 5 mil estudantes com deficiência

Em 2025, a rede municipal de ensino registrou 72.340 crianças e estudantes matriculados. Desse total, 4.583 são crianças e jovens com deficiência, o equivalente a 6,3% das matrículas. Já 3.319 estudantes possuem diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista), representando cerca de 4,6% do total de alunos.
Os dados evidenciam a necessidade de fortalecimento contínuo das políticas públicas de educação inclusiva, da formação permanente dos profissionais e da ampliação de estratégias pedagógicas voltadas ao atendimento especializado.
Segundo o diretor da Seção de Inclusão Educacional da Secretaria de Educação, Edison de Queiroz, a formação é fundamental para garantir a permanência dos estudantes na escola. “Hoje, a rede municipal atende quase 5.000 crianças com deficiência. Muitas delas precisam de apoio que vai além da questão pedagógica, envolvendo cuidados relacionados à saúde, locomoção e higiene. Os cuidadores são essenciais para que essas crianças permaneçam na escola e usufruam da oferta pedagógica”, destacou.
Formação contínua atende demandas apontadas pelos cuidadores

De acordo com Edison, o encontro inaugura as atividades do ano e dá continuidade a um processo formativo iniciado em 2025. “Essa formação responde diretamente às necessidades apontadas pelos próprios cuidadores no levantamento realizado no ano passado e estabelece um eixo comum de capacitação que será aprofundado ao longo do ano pelas Organizações da Sociedade Civil responsáveis pela contratação desses profissionais, diretamente nas unidades escolares”, explicou.
Entre os principais temas abordados estão o atendimento a estudantes com TEA, com foco na permanência em sala de aula e no manejo de comportamentos, além de cuidados de saúde, como alimentação por sonda nasoenteral, gastrostomia, sondagem vesical de alívio e atendimento em crises convulsivas.
A formação está alinhada ao Decreto nº 12.773/2025, que regulamenta a oferta de formação continuada aos profissionais de apoio escolar. “O decreto reafirma uma prática que São Bernardo já vinha realizando, reforçando a importância da qualificação permanente desses profissionais”, completou Edison.
Saúde e Educação atuam de forma integrada

Para a diretora do Departamento de Fortalecimento da Gestão Escolar, Cibeli Valente Tieppo Martim, o impacto da ação está diretamente ligado à qualificação contínua. “Essas formações não são pontuais. A legislação não exige formação prévia, mas sim capacitação no ambiente de trabalho, e é isso que a Secretaria de Educação garante”, afirmou.
A Secretaria de Saúde participou da formação por meio do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) e de áreas especializadas. A capacitação foi conduzida pela enfermeira Kelly Bianchini, gerente do SAD; pela fisioterapeuta Ana Luiza Merlini Camargo, supervisora do serviço; pela nutricionista Mariana Guglak; e pelo enfermeiro Rodrigo Colen Sedlmaier, que abordaram procedimentos seguros relacionados a dispositivos de alimentação enteral, gastrostomia, sondagem vesical e manejo de crises convulsivas no ambiente escolar.
Outro eixo central foi o atendimento a estudantes com TEA. A psicóloga Carina Velozo, da Divisão de Saúde Mental da Secretaria de Saúde, destacou a importância da informação e da atuação rápida em situações de crise. “Cada criança com TEA é singular. Quanto mais os educadores conhecem seus comportamentos e necessidades, mais conseguem ajudar, inclusive nos momentos de crise”, explicou.
Carina também ressaltou que cerca de 4 mil crianças com diagnóstico de TEA são acompanhadas pela rede SUS no município. “É um universo expressivo, que exige formação contínua e estratégias adequadas de intervenção”, concluiu.