Saúde de SP alerta para riscos de leptospirose após as chuvas

Saiba como prevenir a leptospirose e identificar os sintomas graves da doença que registrou centenas de casos no Estado de São Paulo em 2025.

Crédito: Reprodução/Antena1

O aumento do volume de chuvas e os constantes episódios de alagamentos em áreas urbanas acenderam o alerta da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP). O órgão reforça o cuidado redobrado contra a leptospirose, uma infecção bacteriana grave transmitida principalmente pela exposição à água e lama contaminadas pela urina de roedores.

Apenas em 2025, o Estado de São Paulo contabilizou 421 casos confirmados de leptospirose. Em 2026, os dados atualizados até o início de fevereiro já apontam cinco ocorrências da doença, evidenciando que o perigo é contínuo enquanto perdurar o período de instabilidade climática e inundações.

Como ocorre a transmissão da bactéria

A leptospirose é causada por bactérias do gênero Leptospira. Em cidades com infraestrutura precária ou grandes centros, os ratos são os principais vetores, eliminando o patógeno através da urina. Durante as enchentes, esse material biológico mistura-se às águas, facilitando o contato com a pele humana.

De acordo com especialistas, a bactéria utiliza pequenas fissuras, ferimentos ou as próprias mucosas para penetrar no organismo. O período de incubação — tempo entre o contato e o surgimento dos primeiros sinais — varia de 15 a 30 dias.

Sintomas iniciais e a importância do diagnóstico

Identificar precocemente a leptospirose é fundamental para evitar o agravamento do quadro clínico. O médico infectologista do Hospital Heliópolis, Juvêncio Furtado, explica que as manifestações iniciais podem ser confundidas com outras viroses, mas possuem características específicas.

“O paciente pode estar assintomático ou apresentar um quadro inicial com dor de cabeça, dor no corpo, mal-estar e febre. A dor muscular costuma se concentrar principalmente nas panturrilhas e no abdome”, detalha o Dr. Furtado.

A gravidade da Síndrome de Weil

Nos casos onde a leptospirose evolui para sua forma mais severa, o paciente pode desenvolver a chamada Síndrome de Weil. Esta condição é marcada pela icterícia (pele e olhos amarelados) e falência de órgãos.

“Esse quadro pode evoluir com sangramentos, inclusive pulmonares. Nesses casos, o tratamento envolve antibióticos e, em situações mais severas, diálise para eliminar as toxinas produzidas pela bactéria”, destaca o infectologista.

Dados epidemiológicos em São Paulo

Os números reforçam a necessidade de vigilância constante por parte da população e das autoridades sanitárias.

PeríodoCasos Confirmados de Leptospirose
Ano de 2025421 casos
2026 (até 04/02)5 casos

Medidas práticas de prevenção e segurança

A melhor estratégia contra a leptospirose ainda é evitar o contato direto com águas de inundação. Caso a exposição seja inevitável, a SES-SP recomenda:

  • Proteção Física: Utilize luvas e botas impermeáveis. Se não houver, sacos plásticos duplos podem servir como barreira temporária.
  • Higiene de Alimentos: Descarte qualquer alimento ou medicamento que tenha tido contato com a água da enchente, mesmo que estejam lacrados.
  • Curativos: Mantenha cortes ou arranhões cobertos com curativos impermeáveis antes de qualquer limpeza em áreas afetadas.
  • Controle de Vetores: Mantenha o lixo acondicionado corretamente para evitar a atração de roedores e não acumule entulhos nos quintais.

Ao apresentar febre alta e dor intensa nas pernas após contato com alagamentos, a orientação é procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima para avaliação e tratamento.

  • Publicado: 04/03/2026
  • Alterado: 04/03/2026
  • Autor: 04/03/2026
  • Fonte: SES-SP