A saúde é social: Qualidade de vida depende diretamente da acessibilidade e da inclusão
Em comemoração ao Dia Mundial da Saúde, nos debruçamos sobre o impacto dos aspectos socioculturais na saúde e a importância do terceiro setor na busca por uma vida equilibrada
- Publicado: 26/01/2026
- Alterado: 11/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Maria Clara e JP
Na última segunda-feira, dia 7 de abril, foi celebrado o Dia Mundial da Saúde, cuja data corresponde ao aniversário de fundação da OMS (Organização Mundial da Saúde), em 1948. Esse é um tema multifacetado, ou seja, está presente em várias outras pautas, incluindo a responsabilidade social. No artigo desta semana, lhe convidamos para se debruçar sobre intersecções entre saúde e bem-estar social e expandir seus horizontes acerca da importância do terceiro setor em todas as áreas da vida humana.
Aspectos sociais e saúde
Estar saudável não significa apenas a ausência de doenças, mas também uma série de outros fatores que interferem em nossos hábitos cotidianos e, consequentemente, na nossa saúde. Em 2020, o Pew Research Center, laboratório de ideias localizado em Washington (Estados Unidos), realizou um estudo que constatou que a desigualdade social tem impacto significativo na saúde mental das pessoas. Esse quadro é potencializado por fatores como: acesso limitado aos cuidados psicológicos, estresse financeiro crônico e falta de recursos para enfrentar desafios emocionais.
Para medir e classificar a influência dos aspectos socioeconômicos na saúde, existem os Determinantes Sociais da Saúde, ou DSS, que abrangem fatores que vão bem além do atendimento médico. A tabela abaixo demonstra alguns deles.

A Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS) foi gestada como uma resposta ao movimento global desencadeado pela OMS em torno desses aspectos. Em 2010, a CNDSS publicou um relatório que demanda dos governos nacionais iniciativas que visam garantir que todos tenham acesso à saúde de qualidade. Já existe, tanto no Brasil como no mundo, um campo interdisciplinar de atuação e pesquisa chamado “medicina social”, que propõe o entendimento de que a saúde é produzida socialmente.
Isso significa dizer que um ambiente saudável envolve um conjunto de valores e condições, como democracia, participação, bem-estar ambiental, cidadania e justiça social. Desse modo, somos convidados – e convidamos os presentes leitores – a pensar a saúde de modo plural, considerando as desigualdades sociais com as quais convivemos. A Confederação Oxfam, que tem como objetivo combater a pobreza, as desigualdades e as injustiças em todo o mundo, publicou um relatório em 2024 que aponta que 63% das riquezas do Brasil estão nas mãos de apenas 1% da população. Ao mesmo tempo, a desigualdade étnica também é digna de nota, pois o documento nos chama atenção para o fato de que, em média, a renda de pessoas brancas é mais de 70% maior do que a renda de pessoas pretas.
Correndo em paralelo – e a topo vapor –, temos o terceiro setor. São várias as iniciativas que esse segmento atende, e entre elas está a saúde e outras áreas que se interseccionam a ela, como educação, combate à fome, combate ao preconceito, meio ambiente, ações socioeducativas, acolhimento emocional e psicológico, e por aí vai. Tudo isso contribui para a qualidade de vida dos indivíduos, porque acessibilidade e inclusão são duas palavras que, além de caminharem de mãos dadas, sustentam nosso senso de pertencimento e viabilizam o contato com recursos básicos para a manutenção da vida humana. Independentemente da área específica de atuação de uma determinada associação não-governamental, o terceiro setor é, em parâmetros gerais, multifacetado por si só, pois seu impacto na vida das pessoas é muito amplo.
O poder de multiplicar sorrisos
O sorriso e a felicidade são vistos, na maioria das vezes, como sinônimos, e estar feliz influencia a saúde muito positivamente. A CVA Solutions, empresa de pesquisa de mercado e consultoria, realizou um levantamento em 2024, o qual aponta que dentre os participantes que se afirmaram felizes, 73% não possuem doenças crônicas. Esse número nos ajuda a vislumbrar um horizonte no qual a promoção da felicidade é um antídoto para muitas complicações de saúde às quais estamos suscetíveis.
Porém, de que maneira pessoas que sofrem vulnerabilização, violência e silenciamento podem acessar essa poção milagrosa? Acertou quem deu o palpite de que o terceiro setor e o trabalho social são os que mais conseguem alcançar esses grupos. Para quem tem dificuldade de acessar recursos básicos e atividades que promovem o bem-estar tanto físico quanto mental, projetos e iniciativas que preenchem esse vazio são fundamentais para proporcionar momentos de felicidade e socialização.
Daí a importância de reforçar sempre que possível o quanto o investimento em associações e iniciativas não-governamentais é fundamental, pois o trabalho que essa frente realiza vai muito além do que o Estado geralmente consegue atingir. Tanto a saúde física quanto emocional de muitas populações dependem daqueles que olham para elas quando ninguém mais as enxerga. Por isso, contribuir com essas ações é, além de um gesto valioso de responsabilidade social, um voto pelo que há de mais humano em nós, mas precisa ser constantemente exercitado: a solidariedade.
Sobre o Adote um Cidadão
O Adote trabalha há 26 anos pela justiça social para pessoas com deficiência e grupos em situação de vulnerabilidade como um todo, por meio da multiplicação de sorrisos e ações de inclusão presentes em iniciativas sócio-educativas. Temos a frente Empresa Comprometida, por meio da qual corporações interessadas em cumprir com a sua responsabilidade social podem se juntar a nós e contribuir diretamente com as mais de 10 ações anuais que realizamos.
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