Saúde mental no trabalho: Tite e outras figuras públicas destacam a importância do autocuidado
Crescem os afastamentos por saúde mental no Brasil, superando 100%
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 24/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Nos últimos dois anos, o Brasil tem enfrentado um aumento significativo nos casos de afastamento do trabalho por questões relacionadas à saúde mental, com um crescimento alarmante que ultrapassa 100%. Transtornos como burnout, estresse e ansiedade estão levando mais trabalhadores a se afastarem temporariamente de suas funções.
Recentemente, a decisão do ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Tite, de pausar sua carreira por tempo indeterminado para cuidar de sua saúde física e mental, trouxe à tona uma discussão importante sobre o impacto do ambiente laboral na saúde emocional dos indivíduos.
A situação não é exclusiva a figuras públicas. A médica dermatologista Paula Sian vivenciou uma sequência intensa de pressões que resultou em um colapso mental. “Foi um acúmulo: muita cobrança, vida pessoal desorganizada e um relacionamento tóxico. Acabei tendo um ataque de pânico durante uma consulta”, relata.
Diagnosticada com síndrome de burnout, Sian ilustra como o esgotamento profissional pode afetar qualquer pessoa, independentemente da sua posição social ou profissional.
Dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam que os afastamentos temporários por problemas de saúde mental aumentaram de 201 mil para 472 mil no Brasil em apenas dois anos. Os principais fatores associados a esses afastamentos incluem estresse, ansiedade e depressão, que podem se manifestar tanto de maneira aguda quanto crônica.
No cenário global, cerca de 15% da população economicamente ativa sofre com transtornos mentais, resultando em uma perda anual estimada em 1 trilhão de dólares devido à redução da produtividade, conforme aponta a OIT.
O psiquiatra Douglas Paschoal, especialista em saúde coletiva, explica que diversos fatores contribuem para esse quadro alarmante. Entre eles estão as metas excessivamente altas, o assédio moral e ambientes laborais tóxicos. “Não se trata apenas da carga horária; o ambiente de trabalho, as relações interpessoais e a ausência de um propósito claro podem adoecer qualquer pessoa”, ressalta Paschoal.
A situação de Tite é emblemática e se soma a outros casos notáveis no mundo esportivo. A ginasta Simone Biles decidiu se retirar de competições durante as Olimpíadas de Tóquio em 2021 devido a problemas psicológicos que afetaram sua performance. Da mesma forma, o surfista Gabriel Medina pausou sua carreira no circuito mundial em 2022 para priorizar sua saúde mental após enfrentar desafios significativos.
Pessoas influentes como Whindersson Nunes, Lucas Lucco e Demi Lovato têm utilizado suas plataformas para discutir abertamente sobre problemas emocionais, contribuindo para a desestigmatização desse tema crucial. Para Paschoal, esses relatos ajudam a validar o sofrimento daqueles que permanecem em silêncio: “Quando personalidades conhecidas falam sobre suas experiências, isso pode encorajar outros a buscar ajuda”.