Atrizes recorrem a ‘aparelho secreto’ para fugir da exaustiva memorização
Ponto eletrônico vira aliado de veteranas como Regina Duarte e Gloria Pires, que expõem os bastidores e as pressões do ritmo intenso das novelas brasileiras
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 24/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O universo das novelas brasileiras impõe desafios únicos aos seus protagonistas, que muitas vezes se veem obrigados a memorizar entre 10 a 20 páginas de roteiro diariamente. Regina Duarte mencionou seu desejo de retornar às novelas, mas apenas se pudesse interpretar um personagem sem falas. “Seria um papel mudo que expressa emoções através de gestos, uma forma de comunicação não-verbal”, comentou de forma bem-humorada.
Regina expressou sua exaustão com o processo tradicional de memorização, que consumia a maior parte de seu tempo: “Não quero mais decorar texto; passei minha vida inteira fazendo isso. Trabalhava 24 horas por dia, 12 dedicadas à gravação e outras 12 à memorização. Preciso de um descanso”, afirmou.
Uso do ponto eletrônico como alternativa
A reclamação da atriz é justificada, considerando o esforço necessário para um protagonista em novela. Para aliviar essa pressão, muitos atores têm recorrido ao uso do ponto eletrônico, um dispositivo discreto que permite a recepção do texto via áudio. Por meio desse equipamento, os atores podem ouvir alguém sussurrando as falas, facilitando a execução das cenas e permitindo que se concentrem mais na interpretação.
A exemplo de Regina, Gloria Pires também utilizou o ponto eletrônico para reduzir a quantidade de texto a ser decorado. Em “Babilônia”, da TV Globo, ela recebeu as falas da atriz Narjara Turetta, sua amiga íntima. Já Gloria Menezes fez uso do recurso durante as gravações de “A Favorita”. Embora prático, o ponto eletrônico demanda atenção extra, pois o ator deve conseguir interpretar o que escuta, transformando palavras ditadas em uma performance convincente.
Cada artista encontra sua forma de adaptação
No entanto, o uso do ponto não elimina a necessidade de estudo do roteiro, pois o ator ainda precisa entender as nuances da cena e as intenções do personagem. Essa técnica oferece uma alternativa ao estresse da memorização literal.
Por outro lado, poucos possuem a habilidade extraordinária de Antônio Fagundes, que revelou à coluna de Mônica Bergamo na Folha como conseguiu otimizar seu processo criativo: “Cheguei ao ponto em que conseguia decorar o texto minutos antes da gravação. Isso me permitiu aproveitar melhor meu tempo livre. Enquanto outros colegas estavam trancados em casa ensaiando suas falas, eu pude sair e aproveitar momentos com minha família ou dedicar-me ao teatro e ao cinema”.
Assim, os desafios enfrentados pelos atores nas novelas contemporâneas refletem não apenas a pressão pela produtividade, mas também a busca por soluções inovadoras que conciliem arte e eficiência no dia a dia das gravações.