Estudo expõe fragilidade da saúde mental entre brasileiros
Dados do Panorama da Saúde Mental mostram desigualdades de gênero e idade, reforçando a urgência do debate no Setembro Amarelo
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 26/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio, reforça a importância de falar sobre saúde mental e buscar ajuda profissional. E os dados mais recentes do Panorama da Saúde Mental, realizado pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel, mostram que esse diálogo é urgente: o estado psicológico da população brasileira apresenta sinais preocupantes, especialmente entre mulheres e jovens.
Panorama geral da saúde mental no Brasil
O estudo utiliza o Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental (ICASM), que mede confiança, vitalidade e foco em uma escala de zero a mil. Na última coleta, o ICASM geral da população foi 682, um aumento de 42 pontos em relação ao segundo semestre de 2023, impulsionado principalmente pelo aumento da dimensão Foco (de 545 para 608).

No entanto, os números revelam desigualdades importantes. As mulheres apresentaram ICASM menor (669) em comparação aos homens (695), com destaque para menores índices de vitalidade, confiança e foco. Já os jovens entre 16 e 24 anos registraram o menor ICASM entre todas as faixas etárias (576), reforçando a vulnerabilidade dessa população.
Leia também: Setembro Amarelo reforça importância da escuta e do acolhimento
Fatores cotidianos que impactam a saúde mental
Fatores do cotidiano também impactam diretamente a saúde mental. 81% dos entrevistados disseram ter se preocupado com sua situação financeira nas últimas duas semanas, e quem se preocupou apresentou ICASM de 639, enquanto os que não se preocuparam alcançaram 861. A sonolência diurna intensa foi relatada por 61% e esteve associada a ICASM de 590, frente a 825 entre os que não sentiram sonolência.
Questões de autoestima e aparência também afetam o bem-estar. Metade dos respondentes admitiu sentir-se feio(a) ou pouco atraente, principalmente mulheres (65%), com ICASM de 556, enquanto os que não relataram essa sensação tiveram ICASM de 807.
O impacto das redes sociais e caminhos de prevenção

O uso das redes sociais, especialmente à noite, também aparece como fator de risco: 58% dos respondentes acessam as plataformas nesse período, com ICASM de 687, enquanto os mais ativos na madrugada apresentam ICASM de apenas 500. 46% consomem vídeos curtos (como Reels e TikTok) regularmente, com destaque para os jovens de 16 a 24 anos, que apresentaram ICASM de 594. Além disso, 45% afirmaram que as redes sociais prejudicam sua saúde mental, sendo o impacto mais severo entre jovens, que registraram ICASM de apenas 382.
O panorama reforça a necessidade de atenção e de políticas públicas voltadas à saúde mental, principalmente em campanhas como o Setembro Amarelo, que buscam conscientizar, reduzir o estigma e oferecer apoio a quem enfrenta dificuldades emocionais. Conversar sobre sentimentos, manter hábitos de sono saudáveis, equilibrar o uso de redes sociais e procurar ajuda profissional são passos essenciais para preservar o bem-estar mental.