Janeiro Branco expõe a ansiedade por trás do recomeço do ano

Psiquiatra explica como a pressão por metas imediatas ignora o cansaço acumulado e pode comprometer a saúde mental logo nos primeiros meses

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O começo de um novo ano traz aquela vontade de “zerar a vida” e mudar tudo de uma vez. Se por um lado esse desejo de renovação nos motiva a cuidar melhor de nós mesmos, por outro, ele pode esconder armadilhas emocionais perigosas para a saúde mental. De acordo com a psiquiatra Danielle Admoni, o segredo para um ano saudável não está no volume de metas, mas no respeito ao próprio ritmo.

A psiquiatra explica que a ideia de “começar do zero” cria uma cobrança irreal. “As pessoas entram em janeiro já se sentindo atrasadas por não estarem motivadas ou produtivas o suficiente”, alerta a especialista.

Culturalmente, vemos janeiro como um reinício absoluto. O lado positivo é a motivação para tentar caminhos diferentes. O problema, segundo a Dra. Danielle, é que raramente zeramos nossas pendências. “Muitas pessoas trazem o que não fizeram no ano passado e acumulam com novos planos. Elas se colocam em tantas atividades que já começam o ano destinadas à exaustão”, explica.

Biológicamente, essa pressão se traduz em uma ansiedade elevada. O cérebro recebe uma carga de adrenalina que, em vez de ajudar, atrapalha. Sob estresse, nossa capacidade de fazer boas escolhas diminui, o que explica por que tanta gente se inscreve em cursos ou projetos em janeiro que não terá fôlego para concluir ao longo do ano.

O cansaço acumulado não tira férias

Um erro comum é ignorar o esgotamento que trouxemos de dezembro. Muitas pessoas descansam brevemente nas férias e já querem retomar a rotina na “velocidade máxima”. “É fundamental levar em conta a sobrecarga do fim do ano para não se comprometer com propostas que o corpo e a mente não conseguirão sustentar a longo prazo”, alerta a psiquiatra.

O filtro das redes sociais

Celular - Redes Sociais
Tânia Rêgo/Agência Brasil

Outro fator que distorce nossa percepção é a comparação. As redes sociais exibem apenas o “recorte” do sucesso alheio. Vemos o diploma ou o corpo definido, mas não vemos o custo emocional, as horas de sono perdidas ou as privações por trás daquela imagem. A recomendação da especialista é focar na própria realidade: metas devem ser individuais e baseadas no que nós damos conta de fazer, e não no que os outros mostram.

Como gerenciar metas sem paralisar?

Se você tem uma lista extensa de desejos, a Dra. Danielle sugere que você não precisa descartá-los todos de uma vez, mas sim priorizá-los.

  • A regra das três: Escolha as três metas mais urgentes.
  • Um passo de cada vez: Só comece a quarta meta quando a primeira já estiver consolidada e fazendo parte da sua rotina. Começar 20 coisas ao mesmo tempo gera uma sensação de insuficiência e exaustão mental, pois o plano inicial já nasceu irreal.

O descanso como estratégia de produtividade

Saúde Mental no Trabalho
Divulgação/Freepik

Diferente do que o senso comum prega, o descanso não é tempo perdido. Ele é uma necessidade fisiológica e psíquica para que o cérebro recupere o fôlego.

Pausas reais: Durante o dia, parar o trabalho por alguns minutos entre as tarefas é essencial.

Saia das telas: Para a pausa ser produtiva, é preciso sair do computador e do celular. Ver a luz do sol, tomar um café ou observar o movimento da rua faz diferença na química cerebral e aumenta o rendimento na volta ao trabalho.

Limites: O segredo do bom profissional

No ambiente de trabalho, a ideia de que o bom profissional é aquele que só vive para a empresa está ultrapassada. A ciência mostra o contrário: quem investe em família, hobbies e atividade física tem um rendimento muito superior. “Quanto mais você investe em fontes de prazer fora do trabalho, melhor será sua produtividade. O equilíbrio não prejudica a carreira; ele a sustenta”, finaliza a especialista.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 27/01/2026
  • Fonte: FERVER