São Bernardo traça panorama sobre moradores de rua em seminário

Dados mostram que 350 pessoas vivem nas ruas da cidade, sendo que 74% têm alguma profissão, sobretudo nas áreas de serviços gerais e construção

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A Prefeitura de São Bernardo do Campo realizou nesta sexta-feira (21), no Teatro Cacilda Becker, o seminário “Cidadão em Situação de Rua: Mitos e Desafios”. O evento contou com a presença do prefeito Luiz Marinho, além do comitê gestor do programa Crack, é Possível Vencer, coordenado pelo secretário Benedito Mariano (Segurança Urbana). O seminário apresentou panorama sobre a população em situação de rua da cidade.

Para o prefeito Luiz Marinho, tão importante quanto criar condições e oportunidades para que essas pessoas saiam da situação de rua é evitar que outras passem por esse drama. “Não estamos começando agora esse trabalho com as pessoas em situação de rua, mas nesse momento estamos com instrumentos mais afinados para criar condições de trabalho mais eficientes. Hoje o nosso maior desafio é acabar com o preconceito da população, que não percebe aquela pessoa como alguém que precisa de ajuda.”

Dados da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedesc) indicam que atualmente vivem nas ruas de São Bernardo em torno de 350 pessoas, muitas de forma transitória, permanecendo por pouco tempo (em torno de 20% de rotatividade mensal). Há maior concentração em alguns bairros da cidade, em regiões mais centrais e em locais que oferecem possibilidade de algum rendimento, como comércios e local de grande circulação de pessoas. O motivo principal apontado para a vida nas ruas é o conflito familiar e rompimento de vínculos.

Sem preconceitos – De acordo com Benedito Mariano, o comitê gestor do programa Crack, é Possível Vencer, priorizou o atendimento às pessoas em situação de rua por estarem em maior risco de vulnerabilidade e precisar da atenção do poder público, inclusive para quebrar o preconceito contra essas pessoas. O comitê gestor conta ainda com a participação das secretárias municipais Márcia Barral (Desenvolvimento Social e Cidadania), Odete Gialdi (Saúde) e Cleuza Repulho (Educação).

“Precisamos desmistificar a relação do uso do crack com a permanência na rua, uma vez que o uso de bebida alcoólica é endêmico por parte dessa população, e não o crack. O cuidado à população em situação de rua cabe ao município e aos profissionais de saúde, Sedesc, entre outras, com o apoio da GCM. E o combate ao tráfico precisa de política de repreensão firme e permanente do Estado, sob a responsabilidade das polícias estaduais e federal”, afirmou.

Das pessoas atendidas em São Bernardo, 74% apontam alguma profissão, sendo as principais, serviços gerais e na área de construção civil, e 49% possuem algum documento no momento da abordagem social nas ruas, realizada por equipe de 16 educadores que atuam em sistema de revezamento, das 8h às 23h, ao longo de toda a semana, além das ações conjuntas com o Consultório na Rua, da Secretaria de Saúde. Esse serviço funciona junto ao Centro-POP (Centro de Referência para a População em Situação de Rua), para onde também são encaminhadas as pessoas atendidas. 

O coordenador nacional de Saúde Mental Roberto Tykanori elogiou a organização de São Bernardo do Campo para responder ao problema da população em situação de rua, e que serve de exemplo para atender desafios complexos. “Quanto mais a sociedade se torna complexa, há necessidade de o governo e a sociedade desenvolverem ações integradas. O Marinho tem tomado medidas e organizado as secretarias para trabalhar de forma articulada para responder a questões complexas.”

São Bernardo possui serviços especializados e dirigidos a essa população, além de uma articulação intersetorial que envolve diversas secretarias municipais. O Centro-POP é o local de referência, responsável pela articulação da Rede Intersetorial e monitoramento da rede de serviços socioassistenciais.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 21/03/2014
  • Fonte: MIS Experience