São Bernardo FC projeta 2026 com pés nos chão e foco na Série B
O Tigre do ABC vive seu momento de maior glória e prepara uma gestão de elenco minuciosa para enfrentar calendário inédito com quatro competições
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 06/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O São Bernardo FC inicia o planejamento da temporada de 2026 vivendo a realidade mais promissora de sua história. Após uma espera angustiante de três anos na terceira divisão nacional, a equipe do ABC Paulista finalmente rompeu a barreira do acesso e se prepara para figurar entre as 40 principais agremiações do futebol brasileiro. A gestão do clube, no entanto, sabe que a celebração pelo feito inédito deve dar lugar imediato ao pragmatismo: o calendário cheio exige uma reformulação estratégica profunda.
A ascensão do São Bernardo FC não foi obra do acaso, mas sim fruto de resiliência. O passaporte para a Série B foi carimbado em uma tarde de tensão no Estádio do Café, onde o empate em 1 a 1 contra o Londrina-PR selou o destino aurinegro. O gol de Wellington Gonzaga naquela partida não apenas garantiu o segundo lugar no Grupo B do quadrangular final, mas também redefiniu o patamar da instituição.
Agora, o desafio muda de figura. A diretoria e a comissão técnica trabalham com um cenário de quatro competições simultâneas e consecutivas: o Campeonato Paulista, a Copa do Brasil, a inédita Copa Sul-Sudeste e, a joia da coroa, o Brasileirão Série B.
A jornada de superação do São Bernardo FC até o acesso

Para compreender o peso de 2026, é necessário revisitar a trajetória de instabilidade que forjou o caráter do elenco atual. A campanha na Série C que resultou no acesso foi marcada por um início turbulento. Nas quatro primeiras rodadas, o São Bernardo FC amargou resultados que colocaram em dúvida a capacidade de classificação, somando apenas uma vitória.
A virada de chave ocorreu no meio da temporada. O time engatou uma sequência impressionante de oito partidas de invencibilidade entre os meses de junho e agosto. Essa arrancada foi crucial para garantir a quinta posição na fase inicial, com 30 pontos, permitindo que a equipe chegasse viva e competitiva ao quadrangular decisivo. Essa capacidade de recuperação é o ativo moral que o clube pretende levar para a segunda divisão.
A visão de Ricardo Catalá

A permanência e a filosofia do técnico Ricardo Catalá são os pilares da sustentação para 2026. Com a pré-temporada em andamento visando a estreia no Paulistão, a metodologia de trabalho tem chamado a atenção por fugir do tradicionalismo. Em vez de segmentar a preparação em blocos físicos isolados, a comissão técnica aposta na “periodização tática”.
Segundo Catalá, o São Bernardo FC adota uma visão holística do treinamento:
“Nós não enxergamos a preparação pela perspectiva das partes separadas, e sim do todo. Então, por essa perspectiva, estamos oferecendo situações de treino que envolvam o todo para uma preparação mais completa aos atletas.”
Essa abordagem integrada visa acelerar o entendimento do modelo de jogo, algo vital considerando que novos reforços estão chegando em ritmos diferentes. A disparidade física entre os remanescentes do acesso e os recém-chegados é um ponto de atenção. O treinador admite que será necessário fazer “escolhas assertivas” para competir em alto nível já na primeira rodada do estadual.
Gestão de minutagem e meritocracia
Com um calendário que pode ultrapassar 60 jogos no ano, a gestão do elenco será o fiel da balança. O risco de lesões e a oscilação técnica são inevitáveis. Para manter o vestiário engajado, Catalá reforça que o São Bernardo FC operará sob a lei da meritocracia. O campo de treino ditará quem joga, e a rotação do elenco não será apenas uma opção, mas uma necessidade fisiológica.
Metas institucionais e o olhar da diretoria

Enquanto o campo se preocupa com a tática, a diretoria foca na sustentabilidade do projeto. Marco Gama, executivo de futebol do clube, mantém os pés no chão quanto às expectativas para a Série B. Existe uma linha tênue entre sonhar com a elite e lutar contra o rebaixamento, e o clube optou pela cautela ambiciosa.
O conceito de “sucesso” para a temporada 2026, segundo a alta cúpula, baseia-se em três pilares:
- Estabilidade esportiva.
- Competitividade constante.
- Evolução estrutural.
Gama ressalta que o São Bernardo FC realizou investimentos estratégicos no capital humano e nos processos internos. O objetivo primário é consolidar o clube na divisão, evitando riscos desnecessários. O acesso à Série A, na visão do executivo, deve ser consequência de um trabalho bem feito, e não uma obsessão que comprometa as finanças.
O São Bernardo FC na visão da torcida e da imprensa
A empolgação com o novo patamar do clube reverbera nas arquibancadas e na mídia especializada. Renato Pastorelli, do canal Resenha Aurinegra, avalia o atual momento com um nível de confiança “7 de 10”. A cautela se deve ao fato de o elenco ainda estar em formação, mas a percepção geral é de um time mais qualificado tecnicamente do que aquele que conquistou o acesso.
As movimentações de mercado têm agradado. Nomes experientes e com rodagem em competições nacionais foram citados como trunfos para a temporada:
- Júnior Urso: Volante com força física e chegada ao ataque.
- Mário Sérgio: Peça importante para o setor ofensivo.
- Pablo: Reforço para a composição tática.
- Fabrício Daniel: Atacante agudo (nome aguardado pela torcida).
Para Pastorelli, o São Bernardo FC parece mais forte no papel, substituindo peças que já não entregavam o necessário por atletas de maior calibre. No entanto, o analista aponta uma carência crucial: o meio-campo de criação. As saídas de Dudu Miraíma e Vitinho deixaram lacunas que precisam ser preenchidas para que a bola chegue com qualidade ao ataque renovado.

Orgulho do ABC Paulista
Além das quatro linhas, o sucesso do Tigre carrega um simbolismo regional. Com a oscilação de rivais históricos do ABC nas últimas décadas, o clube assumiu o protagonismo da região.
“É um orgulho que não cabe no peito. Acompanho o Bernô desde 2005. Ver hoje o Tigre em destaque no cenário estadual e nacional é algo que nós torcedores sempre sonhamos,” afirma Pastorelli.
Essa representatividade aumenta a responsabilidade dos jogadores. Eles não defendem apenas um escudo, mas o legado de uma região tradicionalmente apaixonada por futebol.
O ano de 2026 promete ser um divisor de águas. Com um planejamento que mescla a ousadia tática de Ricardo Catalá, a responsabilidade financeira da diretoria e o apoio incondicional de uma torcida que esperou anos por este momento, o clube tem as ferramentas para não ser apenas um visitante na Série B. Se a execução seguir o planejamento, o São Bernardo FC deixará de ser uma surpresa para se tornar uma realidade consolidada no futebol brasileiro.