Técnico do São Bernardo, Ricardo Catalá é o 3° mais longevo do Brasil
Com gestão moderna e visão de lucro, Ricardo Catalá transforma o clube e se firma como o 3º técnico mais longevo do país.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 15/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
O projeto do São Bernardo consolida-se como um ponto fora da curva no imediatismo do futebol nacional. Enquanto a maioria das equipes troca de comando ao primeiro sinal de instabilidade, a equipe do ABC paulista sustenta Ricardo Catalá no cargo há quase dois anos. Essa convicção coloca o treinador como o terceiro mais longevo do Brasil, atrás apenas de Abel Ferreira, do Palmeiras, e Rogério Ceni, do Bahia.
Catalá foge do estereótipo do profissional que apenas tenta sobreviver aos resultados de domingo. Aos 43 anos e caminhando para sua terceira temporada, ele implementou uma metodologia que garantiu o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro. Desde que assumiu o São Bernardo em abril de 2024, a gestão técnica prioriza não apenas vitórias, mas a valorização dos ativos do clube.
“Acho que a gestão de tudo — ambiente, torcida, imprensa, jogadores — é um ponto fundamental. Ninguém fica muito tempo em um clube se não for competente nisso”, analisa Catalá.
A filosofia de lucro do São Bernardo
A longevidade no futebol moderno exige mais do que tática; exige visão de negócios. O técnico entende que o São Bernardo precisa operar com saúde financeira e, para isso, foca obsessivamente na evolução individual dos atletas. Segundo ele, transformar jogadores em ativos valiosos é a chave para a sustentabilidade.
“É uma marca registrada da minha carreira melhorar jogador. Quando você melhora o atleta, transforma um ativo do clube em algo mais valioso. Quanto mais valioso ele for, mais o clube consegue fazer negócios e manter suas finanças equilibradas”, explica.
Essa mentalidade alinha-se perfeitamente às exigências atuais das SAFs. Poliglota (fluente em inglês, espanhol e catalão) e com formação acadêmica robusta, Catalá oferece uma perspectiva holística. Ele compreende que o São Bernardo movimenta cifras altas e que sua função na engrenagem é garantir o retorno sobre o investimento.

Perfil Técnico de Ricardo Catalá
A preparação do comandante vai muito além das quatro linhas. Confira as credenciais que sustentam o trabalho no ABC:
- Idade: 43 anos.
- Formação: Bacharel em Educação Física com Pós em Psicologia do Esporte (Universidade de Barcelona).
- Gestão: MBA em Gestão e Marketing Esportivo.
- Histórico: Passagens por RB Brasil, Guarani, Operário e Mirassol (onde foi campeão da Série C).
- Títulos: Série C do Brasileiro (2022) e Série A2 do Paulista (2021).
Resultados e estabilidade no cargo
A estabilidade não é por acaso. Nos últimos seis anos, o São Bernardo teve apenas três treinadores: Marcelo Veiga, Márcio Zanardi e o próprio Catalá. Os números atuais justificam a confiança da diretoria. Em 93 partidas sob seu comando, foram 36 vitórias, 34 empates e 23 derrotas.
O aproveitamento de 51% é sólido, mas o alinhamento de valores com os proprietários pesa ainda mais. O técnico destaca que a relação com a gestão do São Bernardo é visceral e baseada na transparência.
“Muitas vezes, quando me sento com o proprietário, ele fala muito sobre a índole e o caráter. O meu nível de compromisso não é menor que o dele. O treinador é um tomador de decisão e elas precisam estar alinhadas com o que é melhor para a empresa.”
Calendário histórico e decisão contra o Corinthians
A temporada atual promete ser a mais exigente da história do clube. Pela primeira vez desde sua fundação em 2004, o São Bernardo deve superar a marca de 50 jogos no ano. O calendário inclui o Campeonato Paulista, a Copa do Brasil e a disputa inédita da Série B.
O desafio imediato é decisivo. Para avançar às quartas de final do estadual, a equipe precisa vencer o Corinthians neste domingo, às 20h30, no estádio Primeiro de Maio. Além dos três pontos, o São Bernardo depende de uma combinação de resultados para encerrar a fase entre os oito melhores.
Ranking de Longevidade no Brasil:
- Abel Ferreira (Palmeiras): 5 anos e 2 meses
- Rogério Ceni (Bahia): 2 anos e 4 meses
- Ricardo Catalá (São Bernardo): 1 ano e 10 meses
Independentemente do resultado do fim de semana, a diretoria mantém a coerência. A aposta na continuidade prova que, para o São Bernardo, o planejamento a longo prazo vale mais do que o imediatismo do placar.