Santuário de Aparecida restaura e preserva fragmentos florestais da Mata Atlântica

Projeto já plantou mais de 430 mil mudas na região, mas sofre com ameaças de incêndios florestais na época de estiagem

Santuário de Aparecida restaura e preserva fragmentos florestais da Mata Atlântica

Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

O período de seca, que se estende de junho a setembro no Brasil, aumenta os riscos de incêndios florestais em todo o país. A situação é especialmente crítica para a Mata Atlântica, que já perdeu quase 90% da sua área original – restam somente 12,4% das áreas mais preservadas. Até outubro de 2020 houve 17.133 focos de incêndio em áreas não apenas de floresta, mas também em fazendas, beira de rodovias e outras regiões dentro do limite do bioma. Isso torna fundamentais projetos como o promovido Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no Vale do Paraíba, em São Paulo, que restaura e preserva diversos fragmentos florestais da Mata Atlântica em suas áreas.

O projeto foi potencializado e ampliado a partir de 2016, com o início de parceria com Fundação SOS Mata Atlântica, contribuindo para o plantio de árvores nativas – que tem proporcionado a melhora do microclima da região, a conservação dos recursos hídricos e a preservação da fauna e da flora. No total, já foram plantadas mais de 430 mil mudas no local, o que, no que se refere ao plantio espontâneo, corresponde aos maiores números da Região Metropolitana do Vale do Paraíba. O Santuário mantém uma equipe própria para manutenção dessas áreas.

Segundo Rafael Bitante Fernandes, gerente de Restauração Florestal da SOS Mata Atlântica, Aparecida tem somente 4,12% de mata nativa original preservada, o que é muito pouco. “A ciência indica que são necessários pelo menos 30% de vegetação nativa para que as florestas sejam viáveis”, explica. “Para manter e dar continuidade ao projeto, precisamos que os cidadãos de Aparecida e região, além dos romeiros e visitantes da cidade, ajudem a cuidar desse patrimônio ambiental. Essas áreas estão muito próximas à Rodovia Presidente Dutra, da área urbana, de estabelecimentos comerciais e de escolas, promovendo um impacto positivo e melhorando a qualidade de vida das pessoas, mas também ficam mais suscetíveis a incêndios”, ressalta Rafael.

Washington Agueda, responsável pela manutenção das áreas de conservação do Santuário, reforça o alerta. “Pedimos especialmente aos moradores dos bairros Forros, São Francisco, São Roque, Tigrão e Mottas que sejam guardiões da Mata Atlântica em nosso município e façam parte dessa construção”, diz. “É importante compreender que combater um incêndio florestal não é tarefa fácil. Exige treinamento e equipamentos de segurança. Por isso, a orientação no caso de incêndios florestais é sempre acionar o Corpo de Bombeiros pelo número 193 ou a Defesa Civil  pelo número 199 do seu município”, completa.

É considerado incêndio florestal todo fogo fora de controle em qualquer tipo de vegetação, seja em plantações, pastos ou áreas de mata nativa. Além de provocar grandes danos à biodiversidade e aos ciclos hidrológico e do carbono na atmosfera, a fumaça e a fuligem também causam ou agravam doenças respiratórias, como bronquite e asma, além de dores de cabeça, náuseas e tonturas, irritação na garganta, tosse e conjuntivite, podendo ainda provocar alergias na pele e problemas gastrointestinais. Em casos extremos, intoxicam e podem levar à morte.

No Brasil, 95% dos incêndios florestais são causados pela ação humana, seja de forma intencional ou acidental – que podem ter causas diversas, como queimadas para plantio ou para rebrota de pastagem, queima de lixo, vandalismo e uso de velas, fogueiras e balões, entre outros. De acordo com o Ibama, provocar incêndios sem autorização é crime ambiental e a pena prevista é de reclusão, de dois a quatro anos, e multa (Lei nº 9.605/98 e Decreto nº 6.514/08).

  • Publicado: 21/07/2021 16:14
  • Alterado: 21/07/2021 16:14
  • Autor: Redação
  • Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica