Santo André oferta mais de mil exames de espirometria
Projeto Abraçar oferece espirometria gratuita e capacita 160 médicos da rede municipal para identificar precocemente a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 07/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Em uma ação estratégica para combater a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), a Prefeitura de Santo André, através da Secretaria de Saúde, em parceria com a farmacêutica Boehringer Ingelheim do Brasil, implementou o Projeto Abraçar, focado na oferta e qualificação do diagnóstico por meio da espirometria, um exame essencial para a detecção de doenças pulmonares crônicas.
Desde agosto, a iniciativa já proporcionou a realização de 1.099 exames de espirometria na rede municipal. A oferta dos testes de função pulmonar se concentra em pontos-chave, como a Policlínica Centro e o caminhão do programa Saúde em Movimento, garantindo que o rastreio alcance diversas regiões da cidade.
A Estratégia dos 600 Gramas de Fôlego: Treinamento e Matriciamento

O pilar dessa estratégia não se limita apenas à oferta do exame. Recentemente, nos dias 6 e 7 de novembro, 160 profissionais de saúde – incluindo médicos da Atenção Primária, das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e da Regulação Municipal – participaram de uma capacitação intensiva sobre doenças pulmonares no auditório do Hospital da Mulher. O foco principal é aumentar a capacidade do sistema em diagnosticar e, principalmente, tratar a DPOC.
O comprometimento com a qualificação é o que permite um atendimento mais eficaz e humanizado. “Com o treinamento, Santo André reforça o compromisso de qualificar continuamente as equipes médicas, garantindo um atendimento mais resolutivo, humanizado e baseado em evidências científicas,” afirma a médica Danyela Casadei Donatelli, coordenadora da Saúde do Adulto e do Idoso do município. A medida visa um impacto direto, contribuindo para reduzir internações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com condições respiratórias crônicas.

DPOC no Brasil: O Drama da Subdiagnose
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, que engloba condições como o enfisema e a bronquite crônica, caracteriza-se pelo bloqueio progressivo e persistente do fluxo de ar nos pulmões. O quadro epidemiológico brasileiro é alarmante: a DPOC afeta cerca de 13 milhões de pessoas, mas lamentavelmente, apenas 12% desses indivíduos recebem um diagnóstico adequado.
É por isso que a espirometria, popularmente conhecida como o “teste do sopro”, é classificada como o exame essencial para o diagnóstico precoce, sobretudo em pacientes com mais de 40 anos de idade. A exposição ao tabaco e à poluição ao longo da vida, além de fatores genéticos, agravam os casos, mas a vacinação contra síndromes respiratórias como a Covid-19 e a influenza pode reduzir em até 50% a ocorrência de doença grave e óbitos.
“O paciente vai se adaptando à dispneia. Ele percebe que sente falta de ar ao subir uma escada ou lavar uma louça, mas usa o pretexto de que está envelhecendo. Não é bem assim”, alerta o pneumologista Marcelo Gervilla Gregório, responsável pelo treinamento.
O especialista ressalta a natureza da doença: ao contrário da asma, que pode ser intermitente, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica é constante, persistente e progressiva, causando sofrimento a cada respiração. Sinais como tosse episódica, dificuldade de respirar logo ao acordar e falta de ar ao caminhar são característicos.
Matriciamento e o Caminho do Tratamento Adequado
Dos mais de mil exames de espirometria realizados, 60 pacientes foram classificados com risco grave e imediatamente convocados para um atendimento compartilhado: o matriciamento. Essa abordagem conjunta, que reúne o médico generalista e o pneumologista, garante um foco centrado no paciente e na integralidade do cuidado.
O tratamento para a DPOC, embora não ofereça cura, é altamente eficaz em gerenciar os sintomas e desacelerar a progressão da doença. Ele abrange reabilitação pulmonar, oxigenoterapia, controle de peso e o uso de medicamentos inalatórios (broncodilatadores). O objetivo é claro: aliviar os sintomas, diminuir o risco de eventos cardiovasculares causados pelas exacerbações e aumentar a tolerância às atividades físicas do dia a dia.
“O projeto vem fortalecendo e qualificando o cuidado às pessoas com DPOC em Santo André, promovendo a troca de saberes entre os profissionais envolvidos, oferecendo apoio técnico e científico, garantindo diagnóstico preciso e acesso ao especialista, quando necessário,” detalha Edson Salvo Melo, Secretário de Saúde de Santo André. Ele enfatiza que não basta ter o exame em mãos; é crucial planejar o seguimento clínico na Atenção Primária, a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS).
O acesso ao exame de espirometria na Policlínica Centro (Rua Xavier de Toledo, 517) exige agendamento, com vagas gerenciadas pela Regulação Municipal. Contudo, o programa Saúde em Movimento leva o caminhão de exames e serviços de saúde para diferentes bairros e parques da cidade, oferecendo a espirometria sob livre demanda. A agenda itinerante, com passagem por 10 bairros apenas neste mês, democratiza o acesso ao diagnóstico e tratamento de uma doença que exige atenção imediata.