Mais de 1.000 garrafas vazias de vodka é apreendida em SBC

Nova lei municipal proíbe a venda de garrafas vazias de vodka e outros destilados na cidade

Crédito: Igor Cotrim/PMSBC

Ações coordenadas do poder público de São Bernardo do Campo resultaram na apreensão de mais de 1.000 garrafas vazias de vodka em um ferro-velho situado na região do Riacho Grande. A operação é um passo decisivo no esforço municipal para desmantelar a complexa e perigosa cadeia de falsificação e adulteração de bebidas destiladas com metanol, um problema que colocou a cidade no epicentro das preocupações sanitárias.

A investida contra o crime de adulteração envolveu uma força-tarefa multidisciplinar, contando com a participação da GCM (Guarda Civil Municipal), do Departamento de Vigilância Ambiental e do Cerest (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) da Secretaria de Saúde, da Secretaria de Serviços Urbanos e, crucialmente, da Comissão Especial de Fiscalização sobre Adulteração de Bebidas com Metanol da Câmara Municipal.

O rastreamento e a apreensão das garrafas vazias de Vodka

A apreensão ocorreu em um estabelecimento na Rua Jaciporã, após denúncias indicarem que o local abrigava uma grande quantidade de engradados. Embora os agentes tenham encontrado inicialmente apenas alguns casos de garrafas vazias de vodka no local da denúncia, a pressão da Vigilância Ambiental, do Cerest e dos vereadores levou os proprietários a confessarem que o grosso do material havia sido armazenado na residência do casal.

O esforço resultou na apreensão de mais de mil garrafas, que foram recolhidas por um caminhão da Secretaria de Serviços Urbanos. O material não será devolvido à cadeia de reciclagem informal que alimenta o crime: as garrafas serão destinadas às duas cooperativas de reciclagem de resíduos da cidade, a Cooperluz e a Reluz, garantindo o desvio e o controle sanitário do material.

O secretário adjunto de Segurança de São Bernardo, Michael Rúbio, ressaltou a importância da abordagem integrada. “Esse trabalho em conjunto é o que garante o sucesso da nossa ação de enfrentamento”, afirmou, sublinhando que o esforço tem como objetivo principal evitar que as garrafas vazias de vodka e de outros destilados sejam reintroduzidas no mercado clandestino para envasar bebidas adulteradas. “São Bernardo está no epicentro da série de contaminações e o poder público está empenhado em encontrar os responsáveis”, pontuou Rúbio.

Lei Municipal e o foco nos compradores de Material Reciclável

A nova legislação municipal confere força legal à fiscalização. O coordenador da Vigilância em Saúde do Trabalhador, Osvaldo Camargo, informou que os proprietários do ferro-velho foram orientados sobre a Lei Municipal 7.487/2024, em vigor desde outubro. Eles assinaram um termo de compromisso, ficando sujeitos a multas e até mesmo ao fechamento do estabelecimento em caso de reincidência.

A Lei n° 7.487/2024 proíbe a comercialização de garrafas vazias de destilados em todo o município. Esta proibição é considerada pelos agentes como uma ferramenta fundamental para “estrangular” o fornecimento de insumos ao mercado ilegal.

ALERTA DE FISCALIZAÇÃO: “Nós já vistoriamos mais de 20 locais como esse e apenas aqui os proprietários se negaram a apresentar documentos que comprovem quem são os compradores dessas garrafas”, relatou Camargo.

O coordenador da Vigilância em Saúde do Trabalhador trouxe ainda mais detalhes sobre a investigação. “Já sabemos que, na maioria dos estabelecimentos, as vendas são para dois grandes compradores de São Paulo e essa informação já foi passada para a Polícia Civil”, completou, indicando que o próximo passo da investigação é atuar sobre os elos superiores da rede criminosa.

O vereador Julinho Fuzari (Cidadania), presidente da Comissão Especial, destacou que a proibição de venda de garrafas vazias de vodka e similares no município é um divisor de águas. “A venda de garrafas vazias é um dos principais elementos da cadeia de falsificação e é esse ciclo que nós estamos desmontando”, concluiu Fuzari, reforçando que os estabelecimentos que infringirem a nova lei poderão perder seu alvará de funcionamento.

Apoio do Setor de Reciclagem

O apoio à nova legislação não vem apenas do poder público. Em uma empresa de reciclagem de papéis e aparas no bairro Alvarenga, o proprietário Diogo Pereira Lopes endossou a ação da prefeitura.

“Se não estrangular no reciclador, que recebe essas garrafas, isso não termina. Aqui a gente não comercializa vidro, mas quando alguém entregava, a gente destinava para as cooperativas. Agora, a gente nem aceita mais, afirmou Lopes, mostrando que a conscientização e a colaboração do setor são essenciais para isolar e desmantelar o esquema que usa garrafas vazias de vodka para a adulteração de bebidas.

A fiscalização, que passou por outros dois estabelecimentos onde não foram encontradas garrafas, sinaliza um comprometimento firme de São Bernardo do Campo em eliminar o risco sanitário e criminal associado à contaminação por metanol.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 07/11/2025
  • Fonte: Fever