Após sanções, Jorge Messias diz ser alvo de ‘agressão injusta’ de Trump

Ministro Jorge Messias reage à revogação do visto e reafirma compromisso com Justiça independente

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Jorge Messias, que ocupa o cargo na Advocacia-Geral da União (AGU), denunciou o que considera uma “agressão injusta” em resposta à revogação de seu visto pelos Estados Unidos, uma medida implementada durante a administração de Donald Trump. Messias afirmou que encara essa decisão “sem receios“.

O assessor do presidente Lula (PT) está entre as autoridades brasileiras que enfrentam restrições de entrada nos EUA, com sua situação já confirmada por um membro sênior do governo Trump à agência Reuters.

A intensificação das sanções de visto por parte do governo americano é interpretada como uma retaliação ao recente julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em uma nota oficial, Messias expressou: “Diante desta agressão injusta, reafirmo meu integral compromisso com a independência constitucional do nosso sistema de Justiça e recebo sem receios a medida especificamente contra mim dirigida. Continuarei a desempenhar com vigor e consciência as minhas funções em nome e em favor do povo brasileiro”.

Nesta segunda-feira (22), as autoridades americanas também anunciaram a inclusão de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, na lista de sanções sob a Lei Magnitsky, que estabelece penalidades financeiras para indivíduos acusados de violar direitos humanos.

Messias criticou as ações dos Estados Unidos, descrevendo-as como “um desarrazoado conjunto de ações unilaterais”, afirmando que são incompatíveis com as normas diplomáticas que regem as relações entre Brasil e Estados Unidos.

De acordo com informações, outras personalidades afetadas pela revogação do visto incluem o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o delegado Fabio Schor e os juízes Airton Vieira e Marco Antônio Vargas, todos envolvidos em casos relacionados ao ex-presidente Bolsonaro.

A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) também se manifestou sobre as sanções, classificando a penalidade imposta à esposa de Moraes como “retaliação ao julgamento que condenou os golpistas“. Em suas redes sociais, ela ressaltou: “É impressionante: atacam o Judiciário e ainda querem discutir anistia e redução de pena para golpista”.

O ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) demonstrou solidariedade aos sancionados, argumentando que tais medidas carecem de “qualquer fundamento além de objetivos políticos coloniais no Judiciário de outro país”.

A lista das sanções impostas pelo governo Trump inclui nomes associados às investigações que culminaram na condenação e inelegibilidade de Bolsonaro. Fabio Schor lidera inquéritos ligados à família Bolsonaro, enquanto Airton Vieira e Marco Antônio Vargas prestaram assessoria ao ministro Moraes em processos envolvendo o ex-presidente.

A divulgação dessas sanções ocorre em meio à visita do presidente Lula a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, criando um cenário embaraçoso para a delegação brasileira.

Espera-se que Lula responda às ações de Trump durante seu discurso na assembleia nesta terça-feira (23), onde o Brasil será o primeiro a se pronunciar antes dos EUA.

Um Contexto de Sanções

No mês passado, em julho, o governo americano havia anunciado a proibição de entrada nos EUA para Moraes e seus aliados na corte. Em agosto, foi a vez do ministro Alexandre Padilha (Saúde) ter seu visto revogado, afetando também os documentos de viagem de sua esposa e filha.

Embora Padilha não tenha sido impactado diretamente naquele momento devido ao vencimento do seu visto apenas em 2024, ele ficou impedido de solicitar uma nova permissão. Na terça-feira (16), Padilha comentou que não se importava com a resposta dos EUA sobre seu visto. Recentemente, os EUA concederam um visto ao ministro para participar da reunião da ONU; no entanto, restringiram sua circulação a apenas cinco quarteirões em Nova York, levando-o a cancelar sua viagem.

Essas medidas fazem parte da decisão do Departamento de Estado dos EUA de revogar vistos para autoridades brasileiras e ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) envolvidos na contratação de médicos cubanos no programa Mais Médicos.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 22/09/2025
  • Fonte: MIS Experience