Sabesp bate recorde histórico de retirada de água em SP
Volume de extração na Grande São Paulo é o maior já registrado, reacendendo alertas sobre a segurança hídrica; a retirada de água da Sabesp preocupa
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 27/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) estabeleceu um novo e preocupante marco: a retirada de água de seu Sistema Integrado Metropolitano (SIM) alcançou em 2025 (até o mês de agosto) o volume médio de 72 metros cúbicos por segundo (m3/s). Este número não apenas supera a média dos últimos oito anos, mas também ultrapassa os níveis registrados em 2013 (68,5 m3/s), antes da grave crise hídrica que assolou o estado entre 2014 e 2015.
Enquanto os reservatórios atuais mantêm volumes comparáveis aos de 2013 – mesmo após investimentos em novas interligações – o aumento exponencial na retirada de água da Sabesp sugere uma combinação perigosa de fatores. A metrópole, que já enfrentou a dramática utilização do “volume morto” e racionamento, vê este novo recorde gerar um sinal de alerta entre especialistas e órgãos reguladores.
A discrepância dos dados: Por Que a Retirada de Água Disparou?
Os dados fornecidos pela própria Sabesp à época indicam um crescimento notável na captação ao longo dos últimos anos. A média que era de 62,3 m3/s entre 2017 e 2022, saltou para 65,6 mm3/s em 2023 e 68,5 m3/s em 2024, culminando no patamar atual de 72 m3/s.
O Instituto Água e Saneamento (IAS), uma ONG que monitora os mananciais, já manifestou grande preocupação. A diretora-executiva da instituição, Marussia Whately, alertou que a companhia “não está conseguindo cumprir a outorga do sistema Cantareira“, destacando que o incremento das retiradas tem se intensificado desde 2023.
A empresa se defende, argumentando que a variação está alinhada com o crescimento populacional atendido na Grande São Paulo e com ajustes de rotina na sua operação. As ações no SIM, segundo a companhia, seguem rigorosamente as diretrizes da Arsesp, SP Águas e da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). É fundamental que a Sabesp mantenha a transparência sobre como lida com o aumento na retirada de água.
Fato Crucial: A Resolução conjunta da ANA e do antigo DAEE estabelece limites para o Cantareira. Quando o volume está acima de 60%, o limite é de 33 m3/s. Se o nível cai abaixo de 20%, a extração deve ser drasticamente reduzida para apenas 15,5 m3/s. A interligação com o Rio Paraíba do Sul (reservatório Jaguari) é o que permite à Sabesp operar dentro de faixas menos restritivas.
As duas faces do desperdício: Perdas Físicas e Não Físicas

Um dos pontos mais críticos que pressiona a necessidade de maior retirada de água da Sabesp são as perdas na distribuição. O texto original revela que o total de desperdício é alarmante:
- Perdas Físicas (Reais): Relacionadas a vazamentos na rede, representam 19,4% da água.
- Perdas Não Físicas (Aparentes): Incluem problemas como ligações clandestinas e leituras incorretas, atingindo 29,4% do volume.
A soma dessas perdas mostra que uma parcela substancial da água captada não chega aos consumidores de forma legal ou eficiente. A empresa, por sua vez, tem investido na expansão da rede, conectando mais de 87 mil domicílios em áreas informais entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, o que naturalmente contribui para a demanda total.
Vulnerabilidade estrutural e as soluções para o futuro
A dependência de uma única fonte – represas superficiais – torna a região metropolitana de São Paulo inerentemente vulnerável a períodos de estiagem, uma fragilidade já apontada por Benedito Braga, conselheiro da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental). O especialista critica a falta de diversificação nas fontes desde a crise de 2014-2015, um fator que exige atenção imediata.
A alta retirada de água da Sabesp torna urgente a implementação de medidas sustentáveis. Braga enfatiza a necessidade de:
- Uma forte campanha educativa para promover a economia no consumo hídrico.
- Revisitar práticas tarifárias que incentivaram a redução de consumo na crise anterior.
Olhando para o futuro, a Sabesp tem projetos cruciais em andamento para diminuir a dependência de mananciais:
- Reúso de Água: Previsto para 2027, um projeto visa reutilizar água tratada de estações de esgoto (Suzano e Barueri) para recarregar rios locais, prometendo adicionar até 2.800 litros por segundo aos mananciais.
- Reversão do Tietê: Com o controle da Emae, retoma-se a discussão sobre a possibilidade de reverter águas do Tietê (pelo Pinheiros) para aumentar o volume na represa Billings, um plano que depende da melhoria da qualidade da água dos rios até 2029.
O novo recorde de retirada de água da Sabesp reforça que, apesar das obras de resiliência, o combate ao desperdício e a conscientização da população continuam sendo as ferramentas mais eficazes para garantir a segurança hídrica da maior metrópole do país.