Sabesp poupa 151 bilhões de litros e blinda o ABC da seca

Companhia estadual encerra período de chuvas com manobras operacionais e obras milionárias para evitar o racionamento na Grande São Paulo.

Crédito: Arquivo

A Sabesp encerrou o período úmido de 2025/2026 com um respiro aliviante para a crise hídrica metropolitana. A companhia economizou 151 bilhões de litros de água desde agosto passado. O número impressiona. Ele resulta de uma operação cirúrgica que mescla controle de vazão, caça a vazamentos e a entrega de dezenas de obras estruturais.

Sabesp intensifica força-tarefa no ABC paulista

A topografia desafia a engenharia. Bairros altos de Santo André e Ribeirão Pires sofrem historicamente com torneiras secas. A estatal decidiu mudar essa dinâmica operando com inteligência de dados. Equipes técnicas executaram manobras de fluxo na rede subterrânea. A meta é acelerar a retomada do serviço nos horários de pico.

A tática regional incluiu contingências táticas nas ruas:

  • Uso de boosters móveis para bombear água em pontos críticos.
  • Redução milimétrica da pressão noturna nas tubulações principais.
  • Direcionamento forçado do fluxo para vencer a gravidade nas encostas.

Caçada implacável contra vazamentos

Tubos furados escoam dinheiro e recursos naturais. Os técnicos inspecionaram mais de 17 mil quilômetros de dutos. O saldo dessa varredura de manutenção recuperou 31 bilhões de litros em apenas seis meses. A economia nos canos equivale a injetar 1.000 litros por segundo a mais direto nas torneiras da população.

A Arsesp determinou regras rígidas de operação durante a madrugada. A gestão seguiu a cartilha e blindou outros 120 bilhões de litros no sistema. Esse volume gigantesco abasteceria metrópoles inteiras como São Paulo e Guarulhos por um mês consecutivo.

O impacto social do programa Reserva Certa

A falta de infraestrutura residencial agrava a escassez diária. O programa Reserva Certa da Sabesp ataca justamente esse ponto nos lares vulneráveis. Famílias de baixa renda recebem caixas-d’água gratuitas para suportar as variações da rede.

Esse reservatório domiciliar funciona como um pulmão hídrico. Ele sustenta a casa por até 24 horas quando a tubulação da rua perde força. Mais de mil famílias já contam com o equipamento instalado e protegido.

O clima cobra a conta e as tubulações precisam aguentar o tranco. Intervenções pesadas, a exemplo da transposição Billings-Taiaçupeba, formam um escudo contra o colapso iminente. O consumidor dita o sucesso prático de toda a operação. A Sabesp entra na estiagem com fôlego, mas o alerta de consumo consciente permanece vital para os 22 milhões de paulistas da região.

  • Publicado: 31/03/2026 10:39
  • Alterado: 31/03/2026 10:39
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Sabesp