Sabesp anuncia metas de descarbonização antes da COP30
A Sabesp anuncia plano para reduzir em 41% a intensidade das emissões de CO₂e até 2035
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 03/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A Sabesp vai reduzir em 41% a intensidade de suas emissões de carbono, um compromisso ousado que busca conciliar a expansão massiva do saneamento com a mitigação dos impactos climáticos. O anúncio ocorre em um momento estratégico, às vésperas da COP30, a Conferência do Clima da ONU, marcada para novembro de 2025 em Belém, onde a Companhia pretende se posicionar como um case global de sustentabilidade no setor.
A meta de descarbonização até 2035 é sustentada por dados reais extraídos do inventário de emissões de 2024 da própria Companhia. O plano da Sabesp se apoia em uma tríade de ações: a adoção de novas tecnologias no tratamento de esgoto, o aumento da autoprodução e o uso de energia limpa em suas operações.
Reduzir emissões enquanto o serviço cresce: o desafio da Sabesp
O principal desafio técnico reside na necessidade de reduzir as emissões ao mesmo tempo em que a Companhia acelera o processo de universalização do saneamento, previsto para ser concluído em 2029 — um cronograma que naturalmente implica um volume expressivo de esgoto tratado. Tratar um volume maior de esgoto, via de regra, tende a elevar as emissões de processo, sobretudo de metano.
O plano da Sabesp responde a essa tensão com um compromisso claro e auditável:
- Queda na Intensidade: A intensidade das emissões – a quantidade de CO₂ equivalente emitida para cada mil metros cúbicos de esgoto tratado – deve cair de 1,61 tCO₂e/1.000 m³ para 0,94 tCO₂e/1.000 m³ até 2035. Esta redução de 41% é a espinha dorsal do projeto de sustentabilidade da empresa.
- Redução Absoluta: No total, a meta estabelece uma redução de 15% nas emissões dos Escopos 1, 2 e parte do 3, tendo o inventário de 2024 como linha de base.
- Foco em Energia: No Escopo 2, que engloba as emissões associadas à eletricidade comprada, a redução projetada é ainda maior: 43%. Esse resultado será alcançado através da autogeração de energia, do uso ampliado de fontes limpas e do ganho de eficiência operacional.
Para alcançar o objetivo, a Companhia focará na modernização das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), no aprimoramento do controle de emissões fugitivas (metano), na digitalização e na gestão ativa de consumo de energia, combinando autogeração e contratos de longo prazo com fontes renováveis.
O compromisso de R$ 70 Bilhões da Sabesp
Os investimentos no clima não são um anexo, mas sim uma parte integrada do plano maior de expansão da Sabesp. O contrato de universalização, que antecipa o prazo nacional para 2029, prevê cerca de R$ 70 bilhões em obras e modernização. Segundo Daniel Szlak, diretor-executivo de Finanças e de Relações com Investidores, a redução de 43% no Escopo 2 vem da autogeração e da eficiência, enquanto as melhorias de processo sustentam a queda de 41% na intensidade.
“São metas auditáveis e acompanhadas publicamente, alinhadas ao ciclo de obras da universalização”, afirma o executivo, reforçando a atratividade econômica e a transparência do plano.
Além das melhorias operacionais, a Sabesp também investirá em reflorestamento em áreas estratégicas, com prioridade para mananciais e territórios vulneráveis, o que reforça a qualidade da água, os serviços ecossistêmicos e a adaptação climática. A diretora-executiva de Relações Institucionais e Sustentabilidade, Samanta Souza, resume a filosofia por trás da iniciativa: “É um compromisso de entrega, com linha de base, horizonte, orçamento e governança. É clima, água e pessoas no mesmo plano.”
Transparência e posicionamento setorial antes da COP30
Um ponto de destaque do plano da Sabesp é o reconhecimento, no inventário, do componente de emissões ligado ao esgoto que ainda não é coletado e tratado. Segundo Rachel Sampaio, diretora de Sustentabilidade, “Reduzir 41% a intensidade de emissões enquanto ampliamos o volume de esgoto tratado exige ETEs mais eficientes, melhor controle do metano e uma matriz elétrica mais limpa.”
Ao vincular a redução dessas emissões não tratadas diretamente ao cronograma de obras de universalização, a Sabesp oferece um roteiro de transição para grandes centros urbanos e torna mais transparente o impacto climático do saneamento. Essa combinação de universalização, justiça climática e finanças sustentáveis define o posicionamento da Companhia para engajar parceiros públicos e privados na COP30, com o compromisso de dar visibilidade anual ao cumprimento da meta em seus relatórios de sustentabilidade.
A Sabesp reitera, assim, seu papel de liderança, mostrando que é possível ter um crescimento robusto na prestação de serviços essenciais, como água e esgoto, com uma pegada de carbono significativamente menor.