Saberes indígenas fortalecem debate climático no Grande ABC

Seminário regional reúne lideranças indígenas e gestores públicos no Consórcio ABC para discutir impactos climáticos e soluções sustentáveis

Crédito: Divulgação/Consórcio ABC

A união entre o conhecimento ancestral e a gestão pública marcou o Seminário Regional “Os impactos das mudanças climáticas no bem viver dos povos indígenas aldeados e urbanos do Grande ABC”, realizado nesta segunda-feira, 3 de novembro, no Consórcio Intermunicipal Grande ABC. O evento reuniu líderes indígenas, pesquisadores, organizações da sociedade civil e gestores públicos para discutir os efeitos da emergência climática e propor soluções coletivas de enfrentamento.

A iniciativa se insere no ciclo de ações regionais voltadas à Pré-COP 30, reforçando o papel essencial dos saberes dos Povos Indígenas e Mudanças Climáticas no debate global. O propósito central do encontro foi partilhar essa sabedoria como contribuição vital para a mitigação da crise e para a preparação do Brasil, que sediará a conferência em Belém (PA), em 2025.

O secretário-executivo do Consórcio ABC, Aroaldo Silva, destacou a honra e a urgência do debate. “É uma honra para o Consórcio ABC sediar um encontro que reafirma a importância dos saberes tradicionais dos povos indígenas na construção de soluções concretas para enfrentar a crise climática. Este seminário simboliza o compromisso regional com um futuro sustentável e justo, em que o bem viver e o respeito à natureza caminhem lado a lado com as políticas públicas”, afirmou Silva.

Saberes indígenas
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5 Temas Centrais da Mesa Técnica

O encontro, que começou com a mesa de acolhimento liderada por Aroaldo Silva e representantes do Grupo Técnico Povos Indígenas, avançou para uma profunda mesa técnica que destacou a interseção entre cultura, território e mudanças climáticas.

A mesa técnica de líderes indígenas e pesquisadores abordou cinco reflexões cruciais:

  1. Natureza como Patrimônio: Sílvia Muiramomi tratou da Natureza como patrimônio imaterial dos povos indígenas.
  2. Infraestrutura vs. Aldeias: Renato Werá Poty debateu o avanço das estruturas rodoviárias e seus impactos nas aldeias indígenas da região.
  3. Renaturalização: Maura Akã Mbareté focou na urgência da Renaturalização dos rios.
  4. Agroecologia: Īgihóbóku Ingorar Pataxó Hãhãhãe Pataxó explorou o potencial da Agroecologia como modelo sustentável de produção.
  5. Moeda Verde: Tânia Ãgohó Ãkiré Pataxó apresentou o conceito e o potencial da Moeda Verde como ferramenta de desenvolvimento.

O debate reforçou a importância de interromper o extermínio da natureza e dos povos originários, condição indispensável para a construção de um “futuro ancestral”. Foram discutidas ações locais alinhadas às metas globais de sustentabilidade, como os projetos Moeda Verde e Quintal Verde.

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Encerramento com o Ritual Toré

O seminário, que integra um ciclo de ações regionais em preparação para a COP 30, concluiu-se com uma poderosa manifestação cultural. Foi realizado o ritual Toré, característico de diversos povos indígenas do Nordeste brasileiro. A manifestação cultural e religiosa, marcada por uma dança em círculo acompanhada de cantos e instrumentos, simbolizou a união e a força dos povos originários na luta pela sustentabilidade e pela vida digna.

Saberes indígenas
Divulgação/Consórcio ABC
  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 03/11/2025
  • Fonte: Fever