Rússia 2018: do sonho em casa ao isolamento no futebol
A campanha histórica dos anfitriões contrasta com a realidade vivida pela seleção após a suspensão das competições internacionais
- Publicado: 02/07/2026 11:56
- Alterado: 02/07/2026 11:56
- Autor: Vitor Bianco
- Fonte: ABCdoABC
Quando o México entrou em campo na Copa do Mundo de 2026, poucos imaginavam que a seleção anfitriã seria capaz de mobilizar o país da forma que vem fazendo. Impulsionados pelo apoio das arquibancadas e pelo ambiente criado em casa, os mexicanos transformaram o torneio em uma grande celebração nacional e passaram a sonhar com uma campanha histórica.
A cena não é inédita. O futebol já viu diversas seleções crescerem diante de sua torcida, mas poucas histórias recentes se comparam à da Rússia em 2018.
A Fase de Grupos

Naquele verão, os russos chegaram à Copa do Mundo cercados por desconfiança. Os donos da casa ocupavam uma das piores posições do ranking da FIFA entre os participantes (70°) e conquistaram resultados preocupantes nos amistosos que antecederam o torneio. Para muitos, a Rússia era uma das candidatas mais prováveis a cair ainda na fase de grupos e a se tornar, até então, o primeiro país-sede a ser eliminado na primeira fase.
No entanto, a estreia trouxe uma goleada por 5 a 0 sobre a Arábia Saudita e incendiou o país, mudando completamente o clima ao redor da seleção. Poucos dias depois, uma vitória convincente sobre o Egito garantiu a classificação antecipada para as oitavas de final. Pela primeira vez desde o fim da União Soviética, a Rússia avançava para o mata-mata de uma Copa do Mundo. Mas o melhor ainda estava por vir.
O mata-mata
Nas oitavas, os russos encontraram a poderosa Espanha, campeã mundial oito anos antes e amplamente favorita ao confronto. Durante quase todo o jogo, a equipe espanhola controlou as ações, enquanto os anfitriões resistiam como podiam. Após 120 minutos, a decisão foi para os pênaltis.
Foi então que Igor Akinfeev protagonizou uma das imagens mais marcantes daquela Copa, defendendo a cobrança decisiva de Iago Aspas e colocando a Rússia nas quartas de final.
A aventura russa continuou contra a Croácia. Novamente, a equipe mostrou uma capacidade de superação que poucos imaginavam existir antes do torneio. Em um duelo equilibrado, os anfitriões lutaram até o fim e arrancaram um empate por 2 a 2 após a prorrogação. Mais uma vez, os pênaltis decidiram o destino da seleção.
Dessa vez, porém, o sonho terminou. A eliminação foi dolorosa, mas não apagou a sensação de que a Rússia havia realizado algo extraordinário. O país que entrou no torneio sob desconfiança terminou a Copa sendo aplaudido de pé por sua própria torcida.
O Pós-Copa e a Guerra
O problema é que ninguém imaginava que aquele capítulo também seria o último grande momento da seleção por muito tempo. Nos anos seguintes, a Rússia não conseguiu repetir o mesmo nível de desempenho. A geração liderada por Akinfeev, Ignashevich, Mário Fernandes e Cheryshev foi chegando ao fim, enquanto os resultados deixavam de empolgar. Então, em 2022, o cenário mudou completamente.
Em 24 de fevereiro daquele ano, a Rússia lançou uma grande invasão da Ucrânia, e, com isso, a FIFA e a UEFA suspenderam as equipes russas de suas competições. A seleção ficou fora das Eliminatórias para a Copa do Mundo, não disputou a EURO 2024 e passou a viver uma realidade inédita de isolamento no cenário mundial.
De repente, a campanha de 2018 deixou de parecer o início de uma nova era e passou a ser vista como uma despedida involuntária. O último momento em que a Rússia esteve plenamente integrada ao futebol internacional.
Hoje, ao observar a empolgação que acompanha a campanha do México como país-sede, é impossível não lembrar da Rússia de oito anos atrás. Assim como os mexicanos agora, os russos também viveram semanas em que o futebol parecia capaz de unir uma nação inteira em torno de um mesmo sonho.
A diferença é que o México ainda está escrevendo sua história, enquanto a Rússia permanece ligada à lembrança de um verão inesquecível, quando uma seleção desacreditada surpreendeu o mundo.