Robôs humanoides exibem poder e artes marciais no Ano Novo Chinês
Show na TV estatal chinesa revela avanço tecnológico em evento similar ao Super Bowl e expõe ambições globais de Pequim no setor.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 18/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Robôs humanoides assumiram o protagonismo no espetáculo do Ano Novo Lunar chinês, executando sequências complexas de artes marciais para uma audiência massiva. A apresentação, realizada nesta terça-feira (17), integrou a gala do Festival da Primavera da emissora estatal CCTV, consolidando-se como uma demonstração de força da política industrial de Pequim.
O programa é comparado ao Super Bowl norte-americano em termos de relevância cultural e alcance. Em 2025, o evento registrou uma audiência impressionante, com 79% dos televisores do país sintonizados na transmissão. O foco deste ano foi claro: evidenciar a liderança chinesa no futuro da manufatura e da robótica.
Robôs humanoides e a complexidade dos movimentos
As apresentações destacaram a agilidade mecânica das máquinas em coreografias sofisticadas. Os equipamentos realizaram saltos, manobras de costas e empunharam espadas e bastões, atuando lado a lado com crianças em um cenário futurista.
Diversas empresas nacionais utilizaram o palco para exibir suas inovações:
- Unitree: Seus modelos executaram uma longa demonstração de artes marciais, imitando o estilo “boxe bêbado”. A performance provou a capacidade dos robôs humanoides de recuperar o equilíbrio e se levantar sozinhos após quedas intencionais.
- Noetix: Participou de quadros de comédia interagindo diretamente com atores humanos.
- MagicLab: Apresentou danças sincronizadas ao som da música “We Are Made in China”.
- ByteDance: A dona do TikTok inseriu o chatbot de inteligência artificial Doubao na programação.
A estratégia industrial por trás do espetáculo
O uso do horário nobre para promover tecnologia não é acidental. O governo chinês utiliza historicamente esse espaço para destacar ambições nacionais, como o programa espacial e o desenvolvimento de drones.
Georg Stieler, diretor da consultoria de tecnologia Stieler, analisa o fenômeno:
“O que distingue a gala de eventos comparáveis em outros lugares é a conexão direta entre a política industrial e o espetáculo no horário nobre.”
Empresas que ganham destaque nessa vitrine geralmente recebem recompensas tangíveis, como contratos governamentais e atenção redobrada de investidores. A narrativa construída reforça a cadeia de suprimentos de hardware e a capacidade de IA do país, utilizando os robôs humanoides como símbolo desse progresso.
Dominância chinesa no mercado global
Os números confirmam a aposta agressiva da China no setor. Segundo a consultoria Omdia, o país foi responsável por 90% das cerca de 13 mil unidades vendidas globalmente no ano passado.
A projeção do Morgan Stanley aponta para um crescimento exponencial. A estimativa é que as vendas de robôs humanoides no mercado chinês mais que dobrem, atingindo a marca de 28 mil unidades ainda este ano.
Essa rápida evolução preocupa concorrentes ocidentais. Elon Musk, CEO da Tesla e criador do robô Optimus, já admitiu que sua maior competição virá da Ásia. “As pessoas fora da China subestimam a China, mas a China é de outro nível”, afirmou o bilionário, reconhecendo a velocidade com que o país desenvolve seus robôs humanoides.