Riscos climáticos ameaçam 84% das favelas em São Paulo
Levantamento da TETO Brasil aponta que comunidades da região metropolitana não têm recursos de emergência.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 25/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Um levantamento recente expôs a fragilidade da infraestrutura urbana na maior metrópole do país. De acordo com o estudo Panorama Climático das Favelas e Comunidades, conduzido pela organização TETO Brasil, 84% das favelas precárias na Grande São Paulo não possuem obras ou infraestrutura básica para mitigar riscos climáticos extremos.
A pesquisa revela que a carência de saneamento, drenagem e moradias adequadas atua como um multiplicador de danos, agravando severamente os impactos de chuvas fortes, alagamentos e deslizamentos. A gestão ineficiente dos riscos climáticos coloca milhares de vidas em perigo constante nessas localidades.
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Cenário crítico na Grande São Paulo
O estudo baseou-se em entrevistas com moradores de 25 favelas situadas em cidades estratégicas da região metropolitana, como São Paulo, Guarulhos, Osasco, Diadema, Carapicuíba, Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba. Além da falha estrutural, o Panorama destaca uma ausência total de preparo para crises imediatas: nenhuma das comunidades possui recursos de emergência, como água, medicamentos ou insumos de primeiros socorros para enfrentar os riscos climáticos.
Ygor Santos Melo, ex-gerente social da TETO e pesquisador líder do estudo, analisa a situação através do conceito de “sobrecarga territorial”.
“A sobrecarga territorial, que é a soma de múltiplas vulnerabilidades destas localidades, impacta diretamente nos níveis de exposição e na capacidade de resposta frente a estes eventos climáticos, assim como na mitigação dos danos”, explica Melo.

Demandas urgentes e soluções propostas
Os dados levantados confirmam que a exposição a catástrofes e riscos climáticos nas favelas é generalizada. Para o pesquisador, a intervenção pública não pode esperar.
“É urgente inserir essas populações e proporcionar condições urbanas e sociais vitais para que os efeitos de eventos extremos sejam minimizados”, enfatiza o especialista.
O estudo também mapeou as principais reivindicações da população para combater os riscos climáticos e sociais. As prioridades foram categorizadas em três frentes:
- Infraestrutura e Riscos: Saneamento básico, drenagem, controle de enchentes, canalização de córregos e construção de muros de contenção.
- Habitação e Equipamentos: Construção de moradias dignas, escolas, postos de saúde e criação de espaços comunitários.
- Gestão e Meio Ambiente: Limpeza urbana, manejo ambiental e capacitação comunitária para lidar com os riscos climáticos.