Maternidade real x redes sociais: o perigo da romantização e da comparação
Como a exposição idealizada da gravidez nas redes afeta expectativas, autoestima e a forma de viver a maternidade
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 25/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Liberdade
A maternidade nas redes sociais é frequentemente apresentada sob uma luz idealizada. O dia a dia de influenciadoras gestantes, como Virginia Fonseca, alcança milhões e molda expectativas. Acompanhamos em detalhes as três gestações da Virgínia, desde a descoberta até os primeiros passos das crianças, tudo documentado no Instagram e YouTube.
Quando o teste de gravidez dá positivo, é natural buscar referências no feed. Muitas futuras mães recorrem a essas influenciadoras para comparar sintomas e vivências. É nesse momento que se percebe a grande diferença: o quanto elas romantizam ou, de fato, deixam de mostrar a totalidade da experiência.
O que as redes costumam mostrar
O que predomina nas redes é a perfeição: ensaios fotográficos impecáveis, vídeos emocionantes de revelação da gravidez, quartos luxuosamente decorados e mães trabalhando ou em repouso sem demonstrar qualquer preocupação com as tarefas cotidianas. É aqui que reside o perigo: a comparação.

Embora seja um fato que cada gravidez é única e cada corpo reage de uma forma, o impacto de se deixar levar por essa romantização digital é profundo. Vemos mães usando suas experiências, como conseguir amamentar sem fórmula ou ter um determinado tipo de parto, para diminuir ou julgar outras que trilham caminhos diferentes.
A lição fundamental é clara: se você busca um espelho, procure alguém que viva uma realidade parecida com a sua, que mostre a maternidade em seus dois lados, o bom e o que pode ser difícil.
O peso da aparência
Juliana de Souza, 38 anos, mãe de duas meninas, compartilhou sua experiência sobre essa pressão:
“Na minha primeira gestação não tinha tanto essa coisa de Instagram, mas na segunda eu já estava mais por dentro, o que foi um pouco ruim. Eu olhava algumas mães, inclusive colegas minhas, super bem depois do parto, durante a gravidez, e eu me olhava e começava a achar que eu era fraca, acredita? Ficava pensando por que não postava fotos também e quando me perguntavam se eu estava bem eu até mentia. Eu tinha algumas coisas para desabafar, reclamar, mas tinha medo”, revelou.
É importante lembrar que muitas mulheres realmente vivem uma fase tranquila e não estão necessariamente romantizando a maternidade de forma intencional. No entanto, não podemos ignorar a regra não dita das redes sociais: ninguém costuma postar fotos feias, chorando, ou fazendo contas apertadas para comprar o enxoval. Geralmente, postamos apenas o lado bom e editado da vida.
O desafio é, portanto, consumir conteúdo com consciência, lembrando que o que acontece fora da tela é a maternidade real e que ela é válida em todas as suas formas e dificuldades.