Sobrevivência corporativa no livro "Governança TrendsInnovation"

ABCdoABC faz um review de Governança TrendsInnovation, de Leandro Herculano. O livro foi lançado em 2026 pelo Ecossistema Inova

Crédito: Os 22 autores de Governança TrendsInnovation (foto: Divulgação)

Se o clássico ensaio de Kyle Chayka nos alertou para a homogeneização estética do mundo mediado por telas, a obra coletiva Governança TrendsInnovation: 22 visões sobre práticas que levam ao crescimento e à longevidade das empresas, organizada por Leandro Herculano com prefácio de Marcelo Veras, oferece o antídoto estrutural para o ambiente corporativo. O livro funciona como uma autópsia pragmática dos modelos de gestão tradicionais e um manifesto em prol de conselhos de administração mais flexíveis, éticos e adaptáveis.

O universo corporativo contemporâneo costuma ser inundado por receitas prontas de gestão que envelhecem na mesma velocidade com que são impressas. Publicada pela Inova Publishing, a obra funciona como uma bússola de alta fidelidade para líderes e conselheiros que tentam mapear as correntes mutáveis do chamado Mundo 5.0.

A espinha dorsal da publicação assenta-se sobre uma provocação clara do relatório What’s Next – Direção 2035, desenvolvido pelo Ecossistema Inova. O livro não se propõe a adivinhar o amanhã de forma mística, mas sim a decodificar macrotendências tecnológicas, climáticas e comportamentais em planos de ação imediatos. Como bem resume Gillian Borges, presidente da Associação TrendsInnovation, a intenção é “estender a lente estratégica das tendências para romper com estruturas corporativas obsoletas”.

Posicionamento Profissional - Empresas - Comunicação corporativa - Empresários | Governança TrendsInnovation
(Imagem/Magnific)

Os 4 eixos da longevidade marcam a radiografia da obra

A riqueza de Governança TrendsInnovation está em sua recusa ao pensamento homogêneo. Dividido em quatro eixos temáticos claros, o livro constrói um mosaico interdisciplinar sustentado pela bagagem de conselheiros, executivos e advisors de renome.

1. O capital humano no choque de gerações

O primeiro bloco enfrenta as dores do capital humano sob a perspectiva da diversidade de gênero, da longevidade ativa e da intergeracionalidade. Afinal, com pirâmides demográficas se alongando e profissionais trabalhando por mais décadas, gerenciar a convivência de até cinco gerações em uma mesma mesa de conselho torna-se uma arte complexa. O livro afasta o idealismo ingênuo ao lembrar a centralidade das pessoas na sobrevivência das organizações.

Como destacou André Veloso, autor do Capítulo 2 “É Possível Ter Negócios Saudáveis Sem Pessoas Saudáveis?”:

(…) independentemente da mudança que acontece nas empresas e nos meios produtivos a cada ciclo, há um fator que é pouco considerado, mas que está sempre presente e é fundamental por trás de todas as organizações que sobreviveram a essas eras de mudança: as pessoas.

2. A tecnologia como a “quinta voz” nos Conselhos

No segundo eixo de Governança TrendsInnovation, a Inteligência Artificial deixa de ser um mero recurso operacional do departamento de TI para assumir o status de entidade consultiva analítica. Batizada por alguns autores de “a quinta voz” , a IA é dissecada sob o prisma ético e regulatório, atuando na detecção de vieses inconscientes e no fornecimento de dados preditivos em tempo real para mitigar os pontos cegos dos tomadores de decisão.

3. Sustentabilidade com retorno econômico (EESG)

Ao reposicionar o “E” de Economics na tradicional agenda socioambiental, o terceiro eixo da obra equilibra o debate ecológico com a geração de valor tangível para os acionistas. Finanças sustentáveis, rastreabilidade na cadeia produtiva e créditos de carbono são tratados não como custos reputacionais, mas como motores de eficiência e atratividade para fundos de investimento.

4. Liderança horizontal diante de um espelho convexo

O último bloco propõe uma demolição controlada das velhas estruturas piramidais tayloristas de Comando e Controle, incentivando a criação de ecossistemas colaborativos e redes de orquestração de valor compartilhado. Para empresas familiares, a transição exige abandonar o enclausuramento histórico em prol de uma consciência voltada ao exterior. 

O livro Governança TrendsInnovation utiliza uma metáfora cirúrgica para ilustrar essa transformação de mentalidade: “Como um espelho convexo colocado na saída de um estacionamento, essa lente permite ver o que ainda não chegou, o que está ao redor, o que se aproxima silenciosamente”, destacado por César Andrade, no Capítulo 4.

Uma análise crítica e equilibrada dos pontos fortes de Governança TrendsInnovation

Responsabilidade Social - Empresas - Governança Coletiva
(Imagem: Freepik)

Como jornalista literário, cabe pontuar que o maior trunfo de Governança TrendsInnovation é também a origem de suas maiores complexidades práticas. A obra blinda-se de ser um manifesto puramente utópico ao ancorar suas teses em métricas confiáveis e frameworks acionáveis, como o ROL (Return of Learning) e os dados do relatório Humanizadas 2025, que demonstram que empresas orientadas aos stakeholders geram retornos financeiros significativamente superiores ao mercado. 

A mensagem central é de um realismo incômodo, porém vital: “Já não basta fazer mais ou melhor do mesmo, é necessário fazer diferente!

O principal trunfo do livro Governança TrendsInnovation reside na diversidade cognitiva e na bagagem prática de seus coautores. Não estamos diante de um compêndio de teorias acadêmicas abstratas, mas de relatos de profissionais que lideram startups, multinacionais e governanças complexas.

Uma crítica aponta para o desafio prático do poder

Uma análise jornalística isenta de Governança TrendsInnovation precisa apontar que, embora a proposta de horizontalização e autogestão seja fascinante no papel, sua implementação esbarra em barreiras culturais hercúleas. Como a mentalidade de controle corporativo é culturalmente enraizada, abdicar dela exige um desaprendizado doloroso que muitos boards tradicionais não estão dispostos a enfrentar.

Conectar investimentos sustentáveis ao EBITDA de curto prazo continua sendo um cabo de guerra complexo nos boards corporativos.

Veredito do ABCdoABC

Governança TrendsInnovation
Os 22 autores de Governança TrendsInnovation (foto: Divulgação)

Governança TrendsInnovation é um mapa indispensável para quem deseja liderar em meio ao caos estratégico. Ao fundir a frieza analítica dos dados de mercado com a sensibilidade humana voltada à longevidade e à diversidade, o livro cumpre o papel de chacoalhar o marasmo das lideranças decanas. É um convite urgente para que as organizações abandonem velhos mapas antes de tentarem descobrir novos mundos.

Se o leitor busca apenas confirmações para manter o status quo de sua gestão, este livro causará desconforto. Para os líderes que entendem que o futuro dos negócios exige uma simbiose entre dados, tecnologia e sensibilidade humana, Governança TrendsInnovation consolida-se como o roteiro estratégico a ser testado nos próximos dez anos.

FICHA TÉCNICA

Título: Governança TrendsInnovation: 22 visões sobre práticas que levam ao crescimento e à longevidade das empresas

Organizador: Leandro Herculano

Editora: Inova Consultoria e Inovação (Inova Publishing)

Ano: 2026

ISBN: 978-65-980326-5-4

Capa, diagramação e projeto gráfico: Mirella Armentano

Revisão: Max Franco

Catalogação na publicação: Eliane de Freitas Leite — Bibliotecária CRB 8/8415 (Câmara Brasileira do Livro, SP)

Autores: Amanda Andreone, André Veloso, Andrea Huggard-Caine Reti, César Andrade, Cristina Baumgart, Edilson Viola, Fábio Ban, Gennaro Oddone, Juarez Pereira de Araújo, Leandro Herculano, Marcio Motter, Márcio Roldão de Almeida Costa, Marcio Teschima, Marco Aurélio Ferrari, Marco Oliveira, Renata Campedelli, Renata Vilenky, Rodrigo de Castro Cavalcante, Rodrigo Silva, Sheila Cristian Blanco, Thiago Mascarenhas e Waldemar Roberti.

  • Publicado: 26/06/2026 09:30
  • Alterado: 26/06/2026 09:30
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