Resident Evil: Requiem — Tenta reescrever o medo

Um novo capítulo do clássico terror promete fazer veteranos e novatos suarem a mão no controle

Crédito: Créditos: Divulgação Capcom

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Chegou finalmente nesta sexta-feira (27), o dia do lançamento de um dos jogos mais aguardados do ano: Resident Evil: Requiem, agora oficialmente disponível em todas as lojas e plataformas do mundo. Aquela que é por muitos considerada uma das maiores franquias da história dos games, finalmente deu a luz ao seu novo rebento — ou, no caso, emergiu das sombras — como o nono capítulo numerado da saga que moldou o gênero survival horror desde seus primórdios, em 1996. E, ao que tudo indica, a expectativa não se resume a promessas vazias de nostalgia.

A dona da franquia, Capcom deliberadamente coloca o título como um retorno às raízes do horror que consome suas entranhas e memória — uma experiência projetada para sacudir tanto a velha guarda quanto quem encara jogos de horror pela primeira vez o que, para qualquer crítico que respira e vomita videogames, representa muito mais do que mais uma sequência numérica sem alma.  

Além disso, o contexto do lançamento é particularmente tenso: cópias prévias já vazaram na internet enquanto a Capcom fez apelos públicos para que os spoilers não sejam compartilhados entre a comunidade, algo quase inédito em uma era de vazamentos constantes que corroem a experiência narrativa de jogadores entusiasmados. 

Grace de Resident Evil Requiem em cenário urbano frio e nebuloso.
Créditos: Divulgação Capcom

Este movimento de proteção férrea ao enredo sinaliza que Requiem é, assim como Resident Evil 7 e Village, muito além de uma sequência de zumbis e corredores escuros, mas uma tentativa deliberada de reconectar o núcleo emocional do medo à forma que apenas a série original sabia fazer tão bem.  

Somado a isso está o fato de que o nono título é lançado justamente quando a franquia completa três décadas de existência, uma marca que a Capcom não trata como um mero número, mas um momento para reflexão e potencial redefinição do gênero que ela ajudou a criar.

Portanto, antes mesmo de inserir o disco ou apertar o botão de iniciar, Requiem já estabeleceu seu lugar no panteão cultural dos games como uma obra que demanda atenção — e talvez até respeito — de qualquer jogador disposto a descer de cabeça no abismo que ele promete expor.

Sinopse: O Retorno ao Inferno de Raccoon City

A trama de Resident Evil 9: Requiem conduz o jogador a um novo capítulo ambientado no mesmo universo devastado por armas biológicas que marcou a franquia desde 1996, mas agora sob uma perspectiva que mistura passado e presente. A narrativa parte de um evento investigativo que rapidamente se transforma em algo maior, conectando memórias de Raccoon City, 30 anos após os incidentes, porém, desta vez, uma nova ameaça parece emergir das sombras deixadas pela Umbrella e seus experimentos.

No centro dessa história está Leon S. Kennedy, agora um agente experiente da DSO (Division of Security Operations), convocado para investigar indícios de um surto que carrega ecos de antigas tragédias. Paralelamente, surge uma nova personagem Grace Ashcroft, que adiciona vulnerabilidade e tensão ao jogo, criando um contraste entre a frieza de quem já enfrentou o horror inúmeras vezes e o desespero de quem está entrando nesse pesadelo pela primeira vez.

Personagem caminha sob chuva segurando machado em Resident Evil Requiem.
Créditos: Divulgação Capcom

O enredo se desenvolve a partir de um ambiente isolado, marcado por ruínas, corredores claustrofóbicos e espaços que evocam a atmosfera dos primeiros jogos da franquia. O que começa como missão de resgate rapidamente revela camadas mais profundas de conspiração, sugerindo que o terror não é apenas resultado de mutações biológicas, mas também de decisões humanas que insistem em repetir os mesmos erros.

Há indícios de que uma nova organização esteja por trás dos acontecimentos, articulando experimentos que ampliam o conceito de infecção e reconfiguram a ameaça clássica dos zumbis. Isso sugere que o surto não é um acidente isolado, mas parte de um plano maior em curso. A ameaça deixa de ser apenas biológica e passa a carregar intenção estratégica.

A presença de elementos misteriosos e de um antagonista ainda pouco detalhado indica que Requiem pretende expandir o universo da série sem abandonar suas raízes, mantendo a tensão constante entre ação e sobrevivência.

No fundo, a sinopse aponta para algo maior do que um simples retorno nostálgico: trata-se de revisitar os fantasmas da franquia sob uma nova luz, confrontando tanto personagens quanto jogadores com as consequências acumuladas em três décadas de horror biológico. E assumindo que o passado cobra seu preço.

História e Personagens que importam

O que diferencia Resident Evil 9: Requiem de seus antecessores é a abordagem narrativa que mescla personagens clássicos com sangue novo, criando uma tapeçaria de tensão e legado dentro da mitologia de Raccoon City e além, um gesto ousado que a Capcom abraça com firmeza editorial.

Grace Ashcroft, analista do FBI e filha de Alyssa Ashcroft (personagem originado no spinoff da franquia, no jogo Resident Evil: Outbreak), apresentada como protagonista inicial, em uma figura vulnerável que parece projetada para recalibrar a relação do jogador com o medo e a impotência. E esta justamente aí “pulo do gato”, onde o game chega a lembrar os primeiros dias da franquia.

Vale lembrar que a saga já foi adaptada para o cinema em inúmeras ocasiões, com filmes amplamente criticados pela comunidade de fãs de Resident Evil. Ainda assim, ao final deste ano, um novo longa promete chegar às telonas com a ambição de finalmente estar à altura do game — aquele que, no clássico do console, transformava cada esquina em prenúncio de uma surpresa macabra.

Grace de Resident Evil Requiem em cenário urbano frio e nebuloso.
Créditos: Divulgação Capcom

Contrastando com essa perspectiva está Leon S. Kennedy, veterano de inúmeros confrontos apocalípticos, cuja presença não é mero fan service, mas uma âncora para o jogador veterano, uma figura que incorpora o lado mais cinemático e combativo da série, oferecendo uma dualidade de tom narrativo e mecânico.  

A inclusão do personagem Victor Gideon como antagonista — um ex-pesquisador da Umbrella com motivações envoltas em mistério e que, de acordo com fontes extraoficiais, está possivelmente ligado a uma nova ameaça viral chamada “Elpis” — adiciona um ingrediente clássico de conspiração que remete ao terror biotecnológico que sempre definiu a série.

Essa estrutura tríplice de protagonistas, antagonista e legado coloca Requiem em uma encruzilhada onde passado, presente e futuro da franquia colidem, criando um tecido narrativo que desafia o jogador a equilibrar conhecimento prévio com descobertas orgânicas, algo raro em jogos dessa estatura.

Gameplay: Duas faces do medo

Ao longo das últimas demonstrações públicas e materiais de divulgação, ficou claro que a equipe pretende dialogar tanto com o passado quanto com o presente da franquia. Um dos aspectos mais comentados durante as previews e entrevistas com a equipe de desenvolvimento, foi a escolha de manter dois estilos de gameplay distintos dentro da mesma obra, algo que espelha o próprio arco da série ao longo de 30 anos de evolução.

A campanha da Grace é deliberadamente projetadas para evocar aquela insegurança visceral que definiu os primeiros Resident Evil, priorizando recursos limitados, exploração tensa e inimigos que não podem ser simplesmente enfrentados de frente, exigindo furtividade e paciência do jogador.

Por outro lado, na campanha com Leon, é tratado com um ritmo mais acelerado, focado em combate, utilização de armas e confrontos diretos, uma reminiscência dos títulos que trouxeram ação mais cinematográfica à série, mas ainda assim temperados por aquele senso de ameaça constante que apenas Resident Evil sabe cultivar.

Close em Leon S. Kennedy em Resident Evil Requiem com expressão tensa e iluminação dramática.
Créditos: Divulgação Capcom

E como um bônus aos muitos pedidos dos fãs, o jogo ainda permite alternar a perspectiva entre primeira e terceira pessoa, dando ao jogador mais controle sobre como experienciar tanto o horror quanto o combate, evidenciando uma ambição técnica que respira inovação sem abandonar suas raízes.

Essa dualidade de abordagem confere a Requiem um ritmo narrativo e mecânico inédito, onde cada segmento exige uma mentalidade distinta, quase como se cada personagem fosse um espelho invertido de como o medo se manifesta em gameplay. No equilíbrio entre vulnerabilidade e poder, o jogo transforma o medo não apenas em atmosfera, mas em estrutura.

Essa alternância constante entre fragilidade e domínio mantém o jogador em estado de permanente alerta, sem permitir uma zona de conforto. É nesse contraste que o jogo encontra sua força, transformando tensão e ação em duas faces da mesma experiência. No fim, o terror não está apenas no que aparece na tela, mas na forma como você é obrigado a enfrentá-lo.

O legado de 30 anos em jogo

Chegar a um nono título num universo narrativo com mais de três décadas de história é tão fascinante quanto perigoso para qualquer franquia, e Resident Evil 9: Requiem abraça essa complexidade com a intenção de homenagear seus próprios mitos e, ao mesmo tempo, traz evolução e frescor a franquia.  

Capcom deliberadamente recua às mecânicas clássicas — de exploração tensa, gerenciamento de recursos, narrativa fragmentada — enquanto entrelaça elementos modernos de ação e perspectiva, resgatando o espírito do horror sem sucumbir à armadilha da nostalgia vazia.  

E embora o enredo completo ainda esteja sendo guardado a sete chaves pelas equipes de marketing e desenvolvimento — a ponto de a própria Capcom suplicar para que spoilers não se espalhem —, evidência um cuidado quase obsessivo em preservar a experiência narrativa, e que sugere que a trama de Requiem é algo que a empresa considera digno de ser descoberto sem antecipações indesejadas. 

Criatura monstruosa surge em ambiente escuro em Resident Evil Requiem.
Créditos: Divulgação Capcom

A promessa é de que este jogo não se trata apenas de mais um capítulo, mas sim um ponto de inflexão, um convite para que veteranos revejam seus medos e novatos se perguntem se estão preparados para um tipo de horror que transcende o habitual démodé com simples zumbis pixelados.

É uma reconfiguração de expectativas, onde o passado da franquia não serve como muleta, mas como alicerce para algo mais ambicioso e desconfortável. Não há complacência com a própria história, apenas a consciência de que legado também impõe risco. Ao invés de reciclar fórmulas, o jogo parece disposto a tensionar aquilo que o consagrou. E nesse movimento, transforma memória em terreno instável, não em zona de conforto.

O passado não está ali para consolar um fã antigo, mas para lembrar que o medo nunca envelheceu, só ficou mais sofisticado.

Em um momento em que muitas franquias buscam reinventar-se a cada lançamento, Requiem parece olhar para dentro de si mesmo, lembrando que o terror mais eficaz é aquele que nos força a encarar nossos próprios limites. Em vez de romper com suas raízes, o jogo parece disposto a confrontá-las, transformando memória em tensão e legado em experiência palpável.

Por que jogar?

Com o lançamento oficial de Resident Evil 9: Requiem marcado para esta sexta-feira, 27 de fevereiro, a data promete movimentar o calendário dos games. E mesmo, sendo ou não uma revolução, certamente vai gerar comparações, é esse peso que carrega o tamanho de RE, além sempre reacender o debate sobre os rumos do survival horror dos próximos anos. Ao julgar pelos índices preliminares e altas notas da crítica especializada, o game já começa a consolidar um discurso de relevância antes mesmo de mal chegar às mãos do público geral.

Se nos próximos dias, esse cenário se confirmar pós lançamento, não estaremos apenas diante de mais um capítulo numerado, mas de um título com ambição suficiente para redefinir expectativas dentro da própria franquia. E quando uma série do calibre de Resident Evil movimenta essa engrenagem, a indústria inteira observa.

Com versões confirmadas para PlayStation 5Xbox Series X/S, Nintendo Switch 2 e PC, o jogo foi projetado para explorar ao máximo as capacidades da geração atual de hardware, incluindo gráficos de última geração e iluminação que busca tornar cada corredor escuro e cada sombra ainda mais ameaçadora.  

Corredor escuro iluminado por isqueiro em Resident Evil Requiem.
Créditos: Divulgação Capcom

A combinação de mecânicas clássicas com modos modernos de jogo significa que Requiem é acessível para novatos sem experiência prévia com a série, ao mesmo tempo que oferece camadas de profundidade que apenas veteranos apreciarão em toda sua extensão.  

O fato de a obra ter gerado um elevado número de wishlists e sido adicionada a milhões de bibliotecas antes mesmo de seu lançamento demonstra o tamanho da confiança que a comunidade deposita no projeto. Esse tipo de movimento é incomum em um cenário marcado por franquias saturadas e reinvenções cautelosas. Aqui, Requiem promete uma busca por frescor dentro da própria nostalgia, mas assume o risco de mexer em estruturas consolidadas — algo que só é possível quando há crédito acumulado junto aos jogadores ao longo de décadas. Em um mercado cada vez mais desconfiado, esse tipo de antecipação voluntária não acontece por acaso.

Por fim, atravessar Requiem agora, sem grandes revelações prévias e com a ambientação emocional intacta, é uma oportunidade que pode não se repetir: jogos como este não aparecem todos os dias, e ignorar a chance de vivê-lo em seu frescor, seria perder um capítulo importante da história dos videogames.

Fechamento

Depois de trinta anos acumulando mutações narrativas, experimentações mecânicas e reinvenções estéticas, a série chega a este ponto com algo raro na indústria: consciência de si mesma. Não há aqui apenas o peso de um nome consagrado, mas a responsabilidade de sustentar um legado que ajudou a definir o que entendemos por medo interativo. E é justamente essa autoconsciência que transforma este lançamento em algo maior do que rotina de calendário.

Mais do que um simples entretenimento, Resident Evil 9: Requiem segue (re)surgindo como a prova de que a franquia pode atravessar três décadas mantendo relevância, preservando tanto o terror envolvente quanto o fascínio constante do público. Do equilíbrio narrativo entre Grace e Leon, até as escolhas mecânicas que alternam entre claustrofobia e ação feroz – assim, este novo capítulo promete redefinir o que significa enfrentar o desconhecido através de uma nova lente.

Salão monumental do RPD destruído em cenário sombrio de Resident Evil Requiem.
Créditos: Divulgação Capcom

Há algo de simbólico em vivenciar este capítulo no exato momento de sua estreia. Não é apenas jogar antes dos spoilers, mas experimentar o medo ainda cru, sem filtros ou análises prontas. E talvez também paira no ar a sensação de que certas jornadas podem estar chegando a um ponto decisivo — não declarado, mas perceptível para quem acompanha a saga há décadas.

Seja você um fã de longa data ou alguém intrigado pela promessa de terrores inéditos, jogar Requiem neste momento é entrar na linha de frente de uma experiência que provavelmente será discutida e analisada por anos. Em uma era marcada por vazamentos constantes e consumo acelerado de informação, a construção de expectativa tornou-se parte essencial do impacto de um lançamento desse porte. Quanto menos sabemos sobre seus desdobramentos mais decisivos e maior tende a ser o peso da descoberta orgânica.

E se, depois de tudo isso, você ainda sentir que precisa revisitar o passado da saga antes de encarar o que vem pela frente, faça — talvez essa inquietação seja apenas mais um fantasma em decomposição, convocado pelo próprio Requiem para caminhar ao seu lado no escuro de um corredor completamente vazio. A diferença é que, desta vez, o convite do medo já tinha hora marcada e, como a meia-noite já passou, tanto o mal, quanto o game já foram liberados — e “melhor”: antes mesmo das 3h33.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 27/02/2026
  • Fonte: Farol Santander São Paulo