Renovação política: o futuro após Lula e Bolsonaro
Tanto no caso da esquerda quanto da direita, surge a necessidade urgente de formar novas opções competitivas
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 25/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: MIS Experience
No cenário político brasileiro, as incertezas que cercam as figuras de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) tornam-se cada vez mais evidentes, especialmente à medida que os debates sobre as eleições presidenciais de 2026 ganham força. Essa situação destaca um preocupante vazio na renovação das lideranças nacionais, um desafio que se impõe a todos os segmentos do espectro político.
Com o crescimento das especulações sobre alternativas aos dois líderes que dominaram as últimas eleições, tanto no caso de Lula optar por não buscar a reeleição quanto na hipótese de Bolsonaro continuar inelegível, surge a necessidade urgente de formar novas opções competitivas. No entanto, analistas e políticos concordam que essa construção exigirá um esforço significativo.
A dependência do Partido dos Trabalhadores em relação à figura de Lula foi reavivada após recentes problemas de saúde do presidente, levantando questões sobre sua presença nas próximas urnas. Nomes como Fernando Haddad e Rui Costa são frequentemente mencionados como potenciais sucessores, embora enfrente obstáculos consideráveis.
No campo da direita, diversos governadores surgem como possíveis herdeiros do legado bolsonarista. Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Jr. (PSD-PR) estão entre os cotados, além de membros da família Bolsonaro e outsiders como Pablo Marçal (PRTB).
Líderes emergentes como João Campos (PSB-PE) e Nikolas Ferreira (PL-MG) também são considerados promissores para ambos os lados, mas enfrentam limitações relacionadas à idade, experiência e ao contexto territorial.
Um exemplo recente na tentativa de criar uma nova liderança nacional é a ex-senadora Simone Tebet (MDB), que teve um desempenho modesto nas eleições de 2022, recebendo apenas 4% dos votos. Sua trajetória é vista como dificultada pela crescente polarização política que marginaliza candidatos moderados.
Felipe Soutello, marqueteiro da campanha de Tebet, enfatiza que a construção de uma liderança requer tempo e depende de uma combinação única de fatores. Para ele, o desempenho da ministra em sua primeira corrida nacional foi, sob certas perspectivas, encorajador.
“Não existe vácuo na política. As forças sempre se reorganizam para preencher espaços deixados“, afirma Soutello. Ele ressalta que a construção de uma liderança em um país tão extenso e com tantas disparidades regionais demanda tempo e dedicação.
A ex-senadora Ana Amélia Lemos (PSD-RS), que atuou como vice na chapa de Geraldo Alckmin em 2018, argumenta que o ambiente digital se tornou uma ferramenta crucial para novos líderes. Ela observa que a direita tem se destacado nesse aspecto ao lançar figuras antes desconhecidas no cenário político.
Os desafios enfrentados por novos líderes são complexos e não existe uma fórmula mágica para o sucesso. O ex-presidente Fernando Collor de Mello é frequentemente citado como um exemplo contracorrente à ideia de que a origem em estados menos proeminentes limita a ascensão política.
Tarcísio de Freitas é visto como um potencial candidato presidencial devido à sua posição como governador de São Paulo, além de ser considerado próximo a Bolsonaro. Apesar disso, ele já declarou sua intenção de concorrer à reeleição.
A resolução dos impasses dentro da direita pode depender da situação futura envolvendo Bolsonaro. O ex-presidente parece hesitar em fazer uma escolha clara sobre seu sucessor e indica planos para registrar sua candidatura em 2026, apesar da inelegibilidade até 2030.
Características como carisma, capacidade de conectar-se com o público e habilidades para identificar o sentimento popular são vistos como essenciais para qualquer candidato que almeje conquistar relevância nacional. A nova direita se fortaleceu ao explorar temas ligados aos costumes e questões sociais mais amplas.