Remando com Mulheres realiza atividades terapêuticas em São Bernardo

Projeto integra caiaque, natureza e atendimento psiquiátrico na represa do Estoril para dezenas de pacientes de CAPS e UBSs.

Crédito: Divulgação

O projeto Remando com Mulheres levou dezenas de pacientes para o Centro de Esportes Aquáticos do Estoril em uma imersão terapêutica inédita em São Bernardo. A represa virou consultório. O evento celebrou o Mês da Mulher e provou que o contato direto com a natureza acelera processos de estabilização psiquiátrica.

Remando com Mulheres quebra a rotina dos tratamentos

Profissionais da saúde repensam o cuidado. Cerca de 80 pessoas trocaram as paredes clínicas pelo ar livre da região do Riacho Grande. As intervenções do Remando com Mulheres mesclaram exigência física e acolhimento emocional imediato.

A programação estruturada para o dia incluiu:

  • Vivências terapêuticas guiadas com caiaque na represa.
  • Aulas práticas focadas em ioga e dança (zumba).
  • Sessões de massagem e relaxamento na piscina.
  • Partidas integrativas de vôlei de areia.

Depoimentos atestam o poder da integração clínica

As vozes locais confirmam o sucesso da abordagem. Fabiana Ramos, coordenadora de saúde mental do programa primário, atende diretamente a demanda das unidades e lidera o movimento nas águas. A especialista pontua uma mudança de paradigma. A ação visa corrigir uma distorção histórica e aumentar a presença feminina nas terapias externas, até então dominadas por pacientes homens.

“Também queremos incentivar a participação das mulheres que fazem acompanhamento de saúde mental nos CAPS e UBS no Remando para a Vida, que, atualmente, conta com maior presença masculina” disse Fabiana.

O medo inicial rapidamente cede espaço para a autonomia individual no Remando com Mulheres. Larissa Moreira e Silva, paciente do CAPS Selecta de apenas 23 anos, testou seus limites físicos e mentais na água.

“Foi muito boa. Os instrutores explicaram direitinho o que eu precisava fazer e fui sem medo.” contou Larissa.

Esporte como ferramenta de equidade nas UBSs

O ambiente sem restrições descontrai pacientes e equipe médica. A residente de odontologia da UBS Orquídeas, Gabriela Bacelar, reforça a tese clínica de que o esporte iguala os indivíduos. O espaço fechado do consultório frequentemente intimida o paciente em sofrimento. A natureza acolhe e liberta.

“As pessoas se conhecem, se integram, nesse ambiente mais leve, mais gostoso do que só nos consultórios.”

A retomada estratégica do programa base

A ação não ocorreu por acaso. A rede de apoio abriga moradores diagnosticados com transtornos mentais complexos. A atual gestão do prefeito Marcelo Lima retomou as atividades náuticas em 2025, revigorando um programa histórico que já acumula mais de dez anos de impacto contínuo no município.

A navegação exige concentração absoluta do cérebro. O esforço braçal contínuo no caiaque induz um estado de relaxamento muscular profundo nas horas seguintes à prática.

Resultados práticos exigem atitudes consistentes dos gestores públicos. A inclusão de esportes náuticos no Sistema Único de Saúde cria um modelo de atenção psicossocial inovador e exportável. O resgate da autoconfiança dita o ritmo da recuperação psiquiátrica moderna. A expansão de ações como o Remando com Mulheres aponta a direção definitiva para tratamentos muito mais humanizados e eficientes.

  • Publicado: 31/03/2026 18:21
  • Alterado: 31/03/2026 18:21
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: PMSBC