Rejeição às bets cresce e chega a 78%, diz Datafolha

Apoio ao fim das apostas online aumentou 13 pontos desde 2024; levantamento ouviu 2.506 pessoas e mostra maioria favorável em diferentes grupos sociais

Rejeição às bets cresce e chega a 78%, diz Datafolha

Crédito: (Joédson Alves/Agência Brasil)

A parcela dos brasileiros que defende a proibição das bets aumentou nos últimos dois anos e chegou a 78%, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (1º). Em novembro de 2024, 65% se posicionavam dessa maneira, uma diferença de 13 pontos percentuais. No levantamento mais recente, 18% são contrários ao fim das apostas esportivas e dos cassinos online, enquanto 4% não opinaram.

O movimento também aparece no sentido contrário. Há dois anos, 27% dos entrevistados rejeitavam a proibição e 8% não manifestavam opinião. Agora, a oposição às restrições representa menos de um quinto dos entrevistados. A comparação indica uma ampliação do apoio à retirada dessas plataformas do mercado brasileiro.

A pesquisa ouviu 2.506 pessoas em 152 municípios entre 28 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro da amostra total é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08039/2026.

Proibição das bets tem maioria entre diferentes grupos

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(Foto: Imagem/Freepik)

O apoio à proibição das bets aparece como majoritário nos diferentes segmentos sociodemográficos analisados pelo Datafolha. Entre as mulheres, 82% defendem o fim das plataformas, percentual superior aos 74% registrados entre os homens.

A diferença é menor quando o recorte considera a religião dos entrevistados. Entre os evangélicos, 81% são favoráveis à proibição, enquanto entre os católicos o percentual chega a 76%.

O Datafolha também cruzou as respostas com a intenção de voto na eleição presidencial. Entre os eleitores que declaram voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 85% apoiam a proibição. Entre aqueles que indicam voto em Flávio Bolsonaro (PL), são 70%. Como os recortes representam parcelas menores da amostra, suas margens de erro são superiores à margem de dois pontos atribuída ao conjunto dos entrevistados.

Percepção sobre apostas mudou desde 2024

A comparação com a pesquisa realizada em novembro de 2024 ajuda a dimensionar a mudança. Naquela ocasião, embora a proibição das bets já tivesse apoio majoritário, o índice era de 65%. As mulheres também apresentavam maior adesão à medida, com 68%, diante de 61% entre os homens.

Na pesquisa de 2024, os homens apareciam com uma proporção maior de oposição à proibição, de 34%, contra 20% entre as mulheres. Entre os entrevistados de 18 a 24 anos, 37% eram contrários ao fim das plataformas.

Outro levantamento do Datafolha, realizado em julho deste ano, havia mostrado que 7% dos eleitores com 18 anos ou mais declaravam apostar em bets ou cassinos online. Naquele momento, 93% afirmavam não utilizar essas plataformas. Entre as pessoas que se consideravam endividadas, 6% disseram fazer apostas.

Pesquisa ocorre após medida provisória do governo

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(Ricardo Stuckert/PR)

A nova rodada foi realizada poucos dias depois de o presidente Lula editar, em 25 de setembro, uma medida provisória que proíbe a exploração e a oferta de apostas de quota fixa no país. A decisão também estabelece procedimentos para a retirada das plataformas do ar e para a fiscalização de operações que continuarem funcionando de maneira irregular.

Segundo o governo federal, os sites e aplicativos autorizados devem deixar de operar a partir de 6 de outubro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as plataformas que permanecerem ativas após o prazo serão consideradas ilegais e poderão ser bloqueadas.

A decisão do governo ocorre em plena reta final da eleição presidencial e passou a integrar o debate político da campanha. Lula afirmou nesta quinta-feira (1º) que decidiu agir após compreender o que classificou como gravidade dos impactos provocados pelas apostas. A medida também enfrenta críticas de representantes dos setores atingidos e questionamentos sobre seus efeitos jurídicos e econômicos.

A pesquisa Datafolha não mede as razões individuais que levaram cada entrevistado a apoiar ou rejeitar a medida. O levantamento mostra, no entanto, que a proibição das bets encontra atualmente apoio de quase oito em cada dez entrevistados e que esse percentual aumentou em relação à consulta realizada em 2024.

Edvaldo Barone

  • Publicado: 02/10/2026 09:50
  • Alterado: 02/10/2026 09:50
  • Autor: Edvaldo Barone