Reitoria da USP é desocupada pela PM em ação durante a madrugada
Ação policial na reitoria universitária ocorreu na madrugada de domingo e gerou denúncias de truculência por parte do diretório acadêmico.
- Publicado: 10/05/2026 08:48
- Alterado: 10/05/2026 08:49
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: USP
A Polícia Militar realizou uma operação na madrugada deste domingo (10) para retirar estudantes que ocupavam o prédio da reitoria da USP, localizado no campus do Butantã, Zona Oeste de São Paulo. O grupo estava no local desde quinta-feira (7) e acabou surpreendido pelos agentes de segurança por volta das 4h15.
Os relatos dos presentes apontam o uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, escudos e cassetetes contra os manifestantes. Representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) confirmaram que diversos universitários sofreram ferimentos. A operação resultou no encaminhamento de quatro alunos para o 7º Distrito Policial, na região da Lapa.
Tensão no campus da USP e denúncias de ilegalidade
O movimento estudantil classificou a abordagem como abusiva e sem respaldo judicial. A assessoria do DCE da USP argumenta que os agentes formaram um corredor polonês com o objetivo de agredir o grupo. A entidade questiona a falta de transparência sobre os motivos reais das detenções registradas na delegacia paulistana.
“Essa ação ocorre de forma abusiva eivada de ilegalidade, vez que ocorre sem qualquer determinação judicial que pudesse embasar a ação policial”, afirmou o DCE em comunicado publicado nas redes sociais. O grupo destacou a inexistência de uma ordem de reintegração de posse para a liberação do prédio.
A desocupação feriu o conjunto de regras pacificado nos tribunais para esse tipo de procedimento, segundo a representação acadêmica da USP. A legislação orienta que operações de reintegração não devem ocorrer entre 21h e 5h. Os estudantes reforçaram que o protesto já durava mais de 60 horas de forma totalmente pacífica.
“A operação ocorreu fora do horário de funcionamento administrativo, e a todo momento houve acompanhamento policial”, declarou o órgão representativo no mesmo documento. A direção geral da USP ainda não emitiu um posicionamento oficial sobre as agressões relatadas e as prisões efetuadas durante a intervenção policial.