Ocupação da reitoria da USP é mantida por estudantes em greve
Após assembleia geral, universitários decidem continuar no prédio principal e cobram retomada do diálogo com a direção da instituição.
- Publicado: 09/05/2026 14:49
- Alterado: 09/05/2026 14:49
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: USP
Os estudantes da Universidade de São Paulo (USP) decidiram manter a greve e a ocupação da reitoria da USP na tarde deste sábado (9). O prédio localizado na Cidade Universitária, no bairro do Butantã, segue sob controle do movimento estudantil após deliberação em assembleia na noite de sexta-feira (8).
Alunos de 130 cursos diferentes aderiram à paralisação, segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE Livre). O grupo elabora agora a pauta de ações para os próximos dias de mobilização no campus.
Entenda os motivos da ocupação da reitoria da USP

Manifestantes invadiram o edifício na quinta-feira (7), quando derrubaram um portão de metal e portas de vidro. A Polícia Militar acompanha a situação no local. O contingente policial sofreu redução nas últimas horas e a corporação não registra novos confrontos.
O impasse financeiro domina a pauta de reivindicações. Os universitários exigem o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que atualmente paga R$ 885 para auxílio integral. O objetivo do grupo é equiparar a bolsa ao salário mínimo paulista, fixado em R$ 1.804.
A direção da universidade propôs um acréscimo de R$ 27, cobrindo apenas a inflação do período. Os manifestantes rejeitaram a oferta imediatamente. Durante a ocupação da reitoria da USP, os líderes do movimento argumentam que existe margem orçamentária para um aumento real.
“A universidade afirma que não tem orçamento, mas nós temos uma opinião mais profunda sobre isso. Alegam falta de recursos, mas a universidade mudou uma cláusula de sustentabilidade para poder injetar dinheiro e pagar bonificação para os professores”, criticou Danielly Oliveira, diretora do DCE.
Precarização da infraestrutura e hospitais

As demandas estudantis ultrapassam a questão do auxílio financeiro. Os universitários cobram melhorias urgentes nos restaurantes acadêmicos, os tradicionais bandejões. A contratação de mais funcionários e a garantia da qualidade dos alimentos figuram entre as prioridades do movimento grevista.
O restaurante do Instituto de Química apresenta a situação mais crítica no campus. Falhas no sistema de refrigeração da cozinha comprometem o armazenamento adequado dos insumos nos dias quentes, prejudicando o ambiente de trabalho e a alimentação servida à comunidade.
O desmonte estrutural dos hospitais universitários engrossa a lista de reclamações que sustentam a atual ocupação da reitoria da USP. O movimento denuncia a falta crônica de funcionários e a sobrecarga diária que atinge desde os profissionais de saúde contratados até os estagiários de medicina.
Resposta oficial da direção acadêmica
O reitor Aluisio Augusto Cotrim Segurado manifestou-se sobre o cenário de greve em entrevista ao Jornal da USP. O dirigente afirmou que a instituição mantém diálogo com os alunos desde 14 de abril, acumulando mais de 20 horas de reuniões para avaliar as pautas apresentadas.
“Atendemos à reivindicação apresentada inicialmente pelos estudantes. Mas, imediatamente, eles passaram a reivindicar que o auxílio fosse elevado ao valor de um salário mínimo paulista, o que implicaria praticamente dobrar o valor atualmente ofertado, o que é absolutamente incompatível com o orçamento”, declarou o reitor.
A administração central da universidade analisa parte das demandas operacionais através de grupos de trabalho específicos. A diretoria não estabeleceu uma previsão para a desocupação do prédio ou para uma nova rodada formal de negociações que resolva o impasse e encerre a ocupação da reitoria da USP.