Radar da Inclusão mapeia desafios das Pessoas com Deficiência no trabalho

Pesquisa do Pacto Global da ONU busca compreender barreiras e impulsionar a inclusão de Pessoas com Deficiência no mercado

Crédito: Reprodução/ALESP

O cenário da empregabilidade para Pessoas com Deficiência (PcDs) no Brasil ainda é marcado por barreiras estruturais significativas, com o capacitismo surgindo como o obstáculo mais alarmante. É com base nessa realidade que o Pacto Global da ONU – Rede Brasil, em parceria com a Talento Incluir e o Instituto Locomotiva, lança a 2ª edição da pesquisa “Radar da Inclusão: mapeando a empregabilidade de Pessoas com Deficiência”.

Esta iniciativa essencial tem o objetivo de aprofundar o diagnóstico das necessidades e dos desafios enfrentados pelos profissionais com deficiência e neurodivergentes no cotidiano corporativo. O questionário, totalmente sigiloso e aberto ao público maior de 18 anos, é um convite direto à participação para que a experiência individual se torne um dado coletivo, capaz de promover mudanças. Os interessados têm um prazo curto, apenas até o dia 18 de outubro, para contribuir com o levantamento.

A coleta de dados visa reunir informações concretas que servirão de subsídio para a elaboração de políticas públicas, para a criação de práticas corporativas mais inclusivas e para o impulsionamento de ações afirmativas em todo o território nacional.

O alarme da primeira pesquisa radar da inclusão

Pessoa com deficiência
Divulgação/Freepik

A importância desta nova rodada de coleta de dados é inegável, especialmente ao considerar as constatações preocupantes da primeira edição do estudo. Os resultados anteriores revelaram a dimensão do tratamento desigual e do preconceito no ambiente de trabalho:

  • Aproximadamente 9 em cada 10 pessoas com deficiência ou neurodivergentes que estavam empregadas ativamente relataram ter enfrentado situações explícitas de capacitismo no ambiente profissional.
  • O impacto emocional e psicológico é profundo: 84% dos entrevistados tiveram sua saúde mental ou emocional afetada negativamente por experiências de capacitismo no trabalho.
  • A falta de estrutura física é majoritária: 82% dos trabalhadores com deficiência afirmaram que a minoria das empresas no Brasil está, de fato, adaptada para recebê-los.

Esses números reforçam que, apesar dos avanços legais, a inclusão de Pessoas com Deficiência (PcDs) no Brasil está estagnada em um nível de cumprimento parcial e, muitas vezes, superficial.

O desafio da Lei de Cotas: 634,6 mil profissionais contratados

Pessoas com Deficiência
Divulgação/Freepik

A necessidade de um diagnóstico mais preciso, como o que será gerado pelo Radar da Inclusão, é urgente diante do panorama da Lei de Cotas (Lei nº 8.213/91). Esta legislação determina que companhias com 100 ou mais empregados devem reservar uma parcela de 2% a 5% de suas vagas para Pessoas com Deficiência (PcDs) ou reabilitados do INSS.

Apesar da obrigatoriedade, as estatísticas do Ministério do Trabalho indicam que pouco mais da metade das vagas reservadas por força da Lei de Cotas está preenchida. Atualmente, o mercado formal brasileiro contabiliza 634,6 mil profissionais com deficiência ou reabilitados em seu quadro de funcionários.

No entanto, o cenário aponta para um esforço de contratação. De acordo com o eSocial, 63,3 mil PcDs ou pessoas reabilitadas pela Previdência Social foram contratadas no primeiro semestre deste ano. Para garantir que esses novos vínculos sejam mantidos e que o ambiente seja, de fato, acolhedor, é vital que as empresas e o governo compreendam as barreiras identificadas pela pesquisa. A inclusão plena e a retenção de talentos de Pessoas com Deficiência (PcDs) exigem mais do que o mero cumprimento da cota.

O poder transformador de um diagnóstico robusto

A participação no questionário é crucial para criar uma base de dados que vai além dos registros formais de contratação. O processo é simples, com duração de aproximadamente 15 minutos, e garante o anonimato de todos os participantes.

Verônica Vassalo, gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão da área de Direitos Humanos do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, sublinha o impacto da participação: “Acreditamos que a informação é um instrumento poderoso de transformação. Ao participarem, profissionais com deficiência contribuem para a construção de um diagnóstico robusto, capaz de orientar empresas e governos na promoção de ambientes de trabalho mais acessíveis, seguros e equitativos”, afirma. Os resultados do Radar da Inclusão permitirão uma análise técnica aprofundada para identificar demandas específicas e gerar recomendações práticas.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 15/10/2025
  • Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA