Quem é diretor da Fast Shop preso junto a Sidney Oliveira

Mario Otávio Gomes foi preso pelo esquema de fraude fiscal investigado pelo Ministério Público de São Paulo na "Operação Ícaro"

Crédito: Reprodução/ LinkedIn

Mario Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop há mais de uma década, foi detido em operação que desarticulou esquema de propina de R$ 1 bilhão envolvendo créditos de ICMS irregulares.

Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) nesta terça-feira (12 de agosto de 2025), resultou na prisão de três pessoas em um dos maiores escândalos de corrupção fiscal do país. Entre os detidos está Mario Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop, Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, e Artur Gomes da Silva Neto, auditor fiscal da Secretaria da Fazenda de São Paulo

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Conheça Mario Otávio Gomes

Mario Otávio Gomes construiu uma carreira sólida de mais de 30 anos na Fast Shop, iniciando em 1994 como diretor de tecnologia, cargo que ocupou por duas décadas. Em 2014, foi promovido a diretor estatutário da companhia, posição que mantinha até o momento de sua prisão. Formado em administração de empresas, o executivo se tornou uma figura central nas operações da varejista de eletrodomésticos e eletrônicos.

Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (GEDEC), Gomes desempenhou papel crucial na contratação da Smart Tecs, empresa supostamente destinada à prestação de serviços tributários. As apurações revelam que ele era o principal negociador do contrato dentro da Fast Shop, por meio do qual as propinas eram repassadas ao auditor da Receita Estadual.

O esquema de fraudes

A investigação descobriu um sofisticado esquema de corrupção que movimentou mais de R$ 1 bilhão em propinas desde maio de 2021. O mecanismo funcionava através da manipulação de processos administrativos para acelerar irregularmente a liberação de créditos de ICMS para empresas do setor varejista.

Artur Gomes da Silva Neto, auditor fiscal identificado como o “cérebro” da operação, oferecia uma “verdadeira assessoria tributária criminosa”. Ele orientava empresas sobre documentos necessários, compilava requerimentos e chegava a autorizar internamente os pedidos de ressarcimento, garantindo que as companhias “furassem a fila” de processos normalmente demorados.

A Empresa de fachada Smart Tecs

O esquema utilizava a Smart Tecs (também referenciada como Smart Tax) como empresa de fachada para operacionalizar os pagamentos ilícitos. A companhia estava registrada em nome de Kimio Mizukami da Silva, mãe do auditor fiscal e professora aposentada de 73 anos.

A evolução patrimonial da empresa chamou atenção das autoridades: em 2021, o patrimônio declarado era de R$ 411 mil, saltando para R$ 46 milhões em 2022 e atingindo impressionantes R$ 2 bilhões em 2024. A Smart Tecs não possuía funcionários cadastrados, operava no endereço residencial do auditor em Ribeirão Pires e tinha apenas uma cliente desde sua criação em 2021: a Fast Shop.

Crimes e penalidades

Mario Otávio Gomes é apontado como um dos líderes do esquema fraudulento e poderá enfrentar acusações por corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As prisões temporárias têm prazo inicial de cinco dias, podendo ser prorrogadas.

A Secretaria da Fazenda e Planejamento informou que instaurou processo administrativo para investigar a conduta dos servidores e solicitou ao MP-SP o compartilhamento de informações sobre o caso. A pasta afirmou repudiar qualquer ato ilícito e reforçou seu compromisso com a “justiça fiscal“.

A assessoria da Fast Shop informou em nota oficial que ainda não teve acesso aos detalhes da investigação e reafirmou sua disposição em colaborar com as autoridades competentes fornecendo as informações necessárias. A empresa mantém postura de cooperação com as investigações em curso.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 12/08/2025
  • Fonte: Sorria!,