Quatro réus são condenados pela Chacina da Ilha em Vitória

Famílias das vítimas receberão indenização após tragédia no Espírito Santo

Crédito: Divulgação/MPES

Na madrugada desta quarta-feira (16), após um extenso julgamento que durou mais de 27 horas, a Justiça condenou quatro homens por sua participação na Chacina da Ilha, que resultou na morte de quatro jovens em Vitória, no Espírito Santo, em setembro de 2020. A sentença ainda está sujeita a recurso.

Os condenados são Felipe Domingos Lopes, conhecido como “Cara de Boi”; Victor Bertholini Fernandes, apelidado de “Vitinho”; Werick Sant’Ana dos Santos da Silva, chamado de “Mamão”; e Adriano Emanoel de Oliveira Tavares, ou “Balinha/Bamba”. Todos eles foram responsabilizados por homicídio qualificado, tentativa de homicídio, associação ao tráfico de drogas e corrupção de menores. As penas somadas ultrapassam 590 anos de prisão em regime fechado.

Além das penas privativas de liberdade, os réus foram condenados a pagar salários mínimos às famílias das vítimas. De acordo com o pedido do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) durante o júri, cada família receberá 100 salários mínimos para os homicídios consumados e 50 para os homicídios tentados.

Vítimas

A tragédia resultou na morte de seis jovens: Pablo Ricardo Lima Silva (21 anos), Wesley Rodrigues Souza (29), Yuri Carlos de Sousa Silva (23) e Vitor da Silva Alves (19). Outros dois jovens sobreviveram ao ataque devido a um erro nos disparos realizados pelos criminosos. O crime foi atribuído a membros de uma facção criminosa atuante na região do Morro do Quiabo, em Cariacica.

As defesas dos réus já apresentaram recursos contra a decisão judicial. O julgamento teve início na manhã de segunda-feira (14) e foi interrompido temporariamente por uma queda de energia no Fórum Criminal de Vitória. A condenação foi proferida à 1h da madrugada do dia seguinte.

O promotor Rodrigo Monteiro destacou a gravidade do caso e a importância da justiça para as famílias das vítimas: “O Ministério Público reitera o compromisso de lutar em favor da vida. Crimes dessa natureza jamais ficarão impunes”, afirmou após a leitura da sentença.

Condenações

As penas específicas atribuídas aos réus foram as seguintes: Felipe Domingos Lopes recebeu 178 anos; Victor Bertholini Fernandes foi condenado a 154 anos e 8 meses; Werick Sant’Ana dos Santos da Silva terá que cumprir 140 anos, 9 meses e 10 dias; enquanto Adriano Emanoel de Oliveira Tavares recebeu uma pena total de 119 anos, 4 meses e 6 dias.

A gravidade dos crimes foi considerada acentuada pelo MPES devido à motivação torpe ligada à guerra do tráfico de drogas e à forma cruel como os atos foram perpetrados.

Em relação à defesa dos réus, os advogados manifestaram a intenção de recorrer das decisões. Ailton Ribeiro, defensor de Adriano, argumentou que seu cliente tentou impedir os crimes ao contatar uma das vítimas antes do ataque. Já Paloma Gasiglia, representante legal de Victor, disse que ele foi absolvido apenas do crime de corrupção de menores.

A Chacina ocorreu na Ilha Doutor Américo Oliveira, também conhecida como Ilha da Pólvora. Durante o ataque no dia 28 de setembro de 2020, seis jovens foram confundidos com membros de uma facção rival. Um dos sobreviventes se fez passar por morto para escapar do ataque.

A condenação representa um passo importante na busca por justiça em um caso que impactou profundamente a comunidade local e levantou preocupações sobre a segurança pública no estado.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 16/04/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show