Puerpério e visitas de Carnaval exigem novos limites
Especialista alerta que excesso de estímulos e visitas sem aviso elevam a ansiedade materna e desregulam o sono do recém-nascido
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 18/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Enquanto muita gente aproveita o Carnaval para cair na folia, muitas famílias usam o feriado como uma oportunidade para visitar aquele bebê que acabou de chegar. O problema é que, para quem está vivendo o puerpério, o que deveria ser um momento de carinho pode acabar virando uma grande sobrecarga. Visitas sem aviso ou combinados claros costumam bagunçar o sono do recém-nascido, aumentar a ansiedade da mulher e criar aquela pressão invisível de que a mãe precisa dar conta de tudo e ainda ser uma boa anfitriã.

A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, que fundou o Instituto MaterOnline, explica que o nó da questão quase nunca é a visita em si no período do puerpério, mas a falta de limites. O cansaço bate forte quando o bebê passa de colo em colo sem parar e ninguém respeita os sinais de que ele — e a mãe — precisam de descanso. No pós-parto, estabelecer alguns combinados simples é a melhor forma de evitar brigas e proteger o bem-estar da nova rotina.
“Para um bebê pequeno, especialmente recém-nascido, uma casa cheia pode se tornar um excesso de estímulos difícil de equilibrar”, diz a psicóloga perinatal.
É importante notar que um recém-nascido tem um limite para aguentar barulho, luzes e conversas altas. Quando a casa fica cheia demais, o bebê recebe um excesso de estímulos que ele ainda não consegue processar. Isso reflete diretamente na mãe, que passa a ficar mais tensa e em estado de alerta. O bebê costuma avisar que passou do ponto através de um choro mais difícil de consolar, irritação com movimentos bruscos, sono agitado e até reações físicas, como uma febre baixa ou diarreia, que nem sempre indicam doença, mas sim puro estresse ambiental. Do lado da mãe, os sinais são a irritabilidade, o choro frequente e aquela dificuldade enorme de relaxar, mesmo quando o filho finalmente dorme.
Puerpério e casa cheia:

Para que o puerpério não vire uma prova de resistência, a ideia não é trancar a porta para o mundo, mas sim organizar a casa. Muitos de nós temos dificuldade em pedir para alguém lavar as mãos ou dizer que não é um bom momento para visitas, mas esses acordos são fundamentais. Vale combinar horários fixos e visitas curtas, reforçar a higiene de quem chega e, principalmente, não aceitar visitas de surpresa. Outra dica valiosa é deixar o parceiro ou parceira como o filtro da situação, para que a mãe não precise carregar sozinha a responsabilidade de estabelecer esses limites.
“Muitas mulheres não têm facilidade para dizer ‘prefiro que você higienize as mãos antes’ ou ‘não quero visitas agora’”, explica a Rafa.

O mais importante é entender que o seu bem-estar e o do seu bebê são as prioridades agora. Ter um quarto silencioso para momentos de pausa pode salvar o dia. No entanto, se você perceber que o cansaço virou exaustão profunda ou que a ansiedade está dominando sua rotina por semanas, vale a pena buscar a ajuda de um profissional especializado em saúde perinatal. Cuidar de si mesma e colocar limites não é falta de educação, é um ato de proteção que ajuda a reduzir a culpa e evita que a situação se agrave.