PT nega acordo com Paulo Serra, mas exalta peso do tucano
Em Santo André, Kiko Celeguim rechaça jantar secreto com Paulo Serra, mas admite que tucano tem força para fraturar a base de Tarcísio
- Publicado: 10/06/2026 22:11
- Alterado: 10/06/2026 22:11
- Autor: Thiago Quirino
- Fonte: ABCdoABC
Em passagem por Santo André (SP), o deputado federal e presidente estadual do PT, Kiko Celeguim, negou que tenha se encontrado com o ex-prefeito Paulo Serra (PSDB) durante um suposto jantar secreto. A tese ventilada desenhava uma espécie de complô tático, onde a esquerda tentaria inflar os tucanos para fraturar os votos da direita, desidratar Tarcísio de Freitas e abrir caminho para Fernando Haddad.
O cenário ganhou ainda mais eletricidade porque, recentemente, o próprio Paulo Serra veio a público desmentir qualquer recuo, reafirmando que segue firme na intenção de disputar o Palácio dos Bandeirantes para reconstruir o PSDB no estado.
Nesse clima de negações cruzadas, Celeguim desembarcou em Santo André para uma sessão solene na Câmara Municipal. O deputado federal aproveitou a oportunidade para movimentar as peças de um xadrez político muito mais amplo e incisivo ao reforçar o discurso de colar o selo “Vorcaro” em personagens da direita.
Celeguim reconhece peso político de Paulo Serra

Mesmo negando um recente jantar com Paulo Serra, Kiko Celeguim não escondeu que cruza com o ex-prefeito andreense em agendas institucionais na Câmara dos Deputados. Paulo Serra comanda a federação PSDB-Cidadania em solo paulista e tem circulado no Congresso com mais assiduidade. “Falar em acordo tático é boato“, cravou o líder petista, pontuando que “contratualmente e historicamente, nós somos adversários políticos em São Paulo“.
No entanto, o desmentido protocolar abriu espaço para um reconhecimento que ecoou forte no reduto tucano: a esquerda sabe exatamente o tamanho do espólio político que o ex-prefeito Paulo Serra carrega.
Celeguim ponderou que “ninguém pode ignorar o peso político que o Paulo Serra tem hoje“, lembrando que ele governou a sexta maior cidade do estado e encerrou seu ciclo com aprovação altíssima. Para a presidência do PT, a movimentação do tucano para reorganizar sua legenda e capturar o eleitor de centro-direita que rejeita os extremos é uma “cruzada legítima e um fato político relevante que não pode ser desprezado”.
A estratégia de colar Vorcaro nos nomes da direita
Em coletiva de imprensa, Celeguim deixou claro como funcionará a estratégia do PT para minar a popularidade do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos): ligar os escândalos financeiros do Banco Master e Daniel Vorcaro às privatizações promovidas pelo Palácio dos Bandeirantes.

“O que a população vai começar a cobrar de verdade são os interesses nebulosos por trás das grandes concessões“, disparou o líder petista, prevendo que a conta da venda da Sabesp e da EMAE chegará rápido ao bolso do cidadão na forma de tarifas mais altas.
A ligação foi direta. Segundo o petista, o empresário Nelson Tanure, cuja ligação com Daniel Vorcaro foi revelada pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero (que investiga suspeitas de fraudes e desvios financeiros), comprou a EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A.) para depois revender à Sabesp, privatizada por Tarcísio.
“Nós vamos discutir o patrimônio público. A privatização da Sabesp, a privatização da EMAE, o papel do Tanure, o Banco Master. Tudo isso vai estar no centro do debate porque a população vai perceber o impacto disso no dia a dia, nas tarifas, na qualidade do serviço. E o PT está preparado para fazer essa disputa exaustivamente.“
Nelson Tanure é o acionista majoritário do Fundo Phoenix, que fez a melhor proposta e venceu o leilão de privatização da Emae.
E o Kassab?

Explorando essas sombras administrativas, o PT enxerga as maiores fissuras na base de Tarcísio, especialmente no visível descontentamento de Gilberto Kassab.
Ao analisar o tabuleiro, Celeguim apontou que o PSD ficou mal acomodado no arranjo governista atual, perdendo o cargo de vice-governador para o MDB e as vagas ao Senado para o PL. “O Kassab pode se cansar desse escanteio político“, provocou o deputado, amarrando um raciocínio astuto: essa insatisfação crônica do PSD pode acabar alimentando justamente a alternativa de centro-direita que Paulo Serra tenta consolidar.
Apesar disso, Celeguim não acredita que o PSD possa ser opção de sustentação da campanha petista.
O horizonte de Haddad
Enquanto a direita lida com os desajustes de seus aliados e o avanço da terceira via tucana ameaça desidratar o eleitorado governista, o PT pavimenta o caminho para Fernando Haddad com indisfarçável otimismo.
Longe de demonstrar preocupação com a pulverização de candidaturas, Kiko Celeguim encerrou sua passagem pelo ABC garantindo que o partido entra na disputa na melhor condição histórica de sua trajetória em São Paulo.
Amparado por dados internos, o presidente estadual da legenda destacou que Haddad inicia a corrida mantendo o patamar consolidado de votos do segundo turno de 2022. “Nós vamos ter um palanque forte, com grandes lideranças e ministros do governo Lula, e o PT está pronto para disputar o governo de São Paulo”, destaca Kiko Celeguim.
A grande aposta da esquerda para o Bandeirantes agora se sustenta em uma federação de sete partidos unida e em um palanque que reúne a força de quatro ex-ministros do governo federal. Para o PT, enquanto os adversários batem cabeça entre escândalos bancários e aliados preteridos, a rota para o governo estadual parece mais nítida do que nunca, mesmo que as pesquisas digam o contrário.