PSDB perde espaço e vive crise de identidade após décadas de protagonismo
Partido que já governou o país com Fernando Henrique Cardoso enfrenta esvaziamento político, perda de lideranças e disputas internas
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 24/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, anunciou nesta semana sua saída do PSDB, encerrando uma trajetória de mais de 20 anos no partido para se filiar ao PP, em federação com o União Brasil.
A decisão simboliza o esvaziamento da legenda, que já havia perdido outros nomes de destaque, como Eduardo Leite (RS) e Raquel Lyra (PE), ambos hoje no PSD. Com a mudança, o PSDB não possui mais nenhum governador de estado, algo impensável em décadas anteriores.
Da ascensão à queda
Fundado em 1988, o partido nasceu como dissidência do PMDB e ganhou projeção nacional com a eleição de Fernando Henrique Cardoso em 1994, responsável pelo Plano Real e por reformas estruturais.
Durante anos, consolidou-se como principal força de oposição ao PT, sobretudo em São Paulo e Minas Gerais. O desgaste, no entanto, veio com escândalos, disputas internas e a ascensão do bolsonarismo, que atraiu parte expressiva de seu eleitorado.
A derrota de Aécio Neves para Dilma Rousseff em 2014 é vista como marco do início da decadência tucana.
Crises e fragmentação
Especialistas apontam que o PSDB perdeu identidade ao adotar pautas próximas à antipolítica, especialmente após contestar o resultado eleitoral de 2014. Além disso, episódios como a Operação Lava Jato, o racha causado pelo “BolsoDoria” em 2018 e o enfraquecimento de lideranças históricas contribuíram para a perda de credibilidade.
Nas eleições de 2022, o partido elegeu apenas 13 deputados federais, muito distante dos 99 conquistados em 1998. Mais recentemente, a tentativa frustrada de fusão com o Podemos e o constrangimento causado pelo episódio da “cadeirada” em debate municipal expuseram a fragilidade de uma sigla que já comandou o Planalto.