Julgamento de Bolsonaro pode aumentar tensão entre STF e EUA
Possibilidade de novas sanções por parte de Donald Trump preocupa autoridades brasileiras, que temem impactos econômicos e diplomáticos
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 24/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Sérgio Cardoso
Integrantes do governo Lula e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, previsto para setembro, pode resultar em novas sanções dos Estados Unidos contra o Brasil.
A gestão de Donald Trump tem usado o argumento de perseguição política a Bolsonaro para justificar medidas como sobretaxas comerciais e punições a magistrados da corte.
Apesar das pressões, ministros afirmam que o STF não cederá a intimidações externas. Contudo, reconhecem que a condenação de Bolsonaro tende a elevar a tensão política e diplomática.
Decisão de Flávio Dino gera reação no mercado
Outro fator de instabilidade foi a decisão do ministro Flávio Dino, que determinou que ordens judiciais ou executivas de governos estrangeiros só terão validade no Brasil se forem confirmadas pelo STF.
A manifestação, relacionada ao caso da barragem de Mariana, foi interpretada como uma forma de proteger ministros alvo de sanções americanas, como Alexandre de Moraes.
A medida, porém, gerou apreensão no mercado financeiro: o dólar disparou e ações do setor bancário registraram queda após a decisão. Assessores de Lula acompanham com cautela os possíveis desdobramentos econômicos.
Governo dividido sobre resposta às sanções
Enquanto alguns membros do governo buscam contatos com banqueiros e políticos para avaliar os impactos da Lei Magnitsky e tentar reduzir os efeitos das punições, outros defendem o discurso de defesa da soberania nacional.
A ministra Gleisi Hoffmann, por exemplo, atribuiu a Trump e à família Bolsonaro a responsabilidade pelas retaliações e classificou a postura americana como agressão ao sistema financeiro brasileiro.
A aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes, em julho, congelou possíveis ativos do ministro nos EUA e restringiu operações em dólar.
A possibilidade de que novas sanções atinjam outros ministros ou até familiares preocupa autoridades brasileiras, que tentam se preparar para um cenário de maior isolamento econômico e diplomático.