PSDB acusa líder de Tarcísio de violência política na Alesp
PSDB acusa líder do governo Tarcísio de violência política de gênero contra deputada Ana Carolina Serra durante sessão na Alesp
- Publicado: 06/06/2026 16:37
- Alterado: 06/06/2026 16:37
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: ABC do ABC
Uma discussão na Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ocorrida na última quarta-feira, (3), gerou uma crise política entre partidos da base de apoio do governador Tarcísio de Freitas. O PSDB acusa formalmente o líder do governo na Casa, deputado Gilmaci Santos (Republicanos), de praticar violência política de gênero contra a deputada estadual Ana Carolina Serra (PSDB).
O desentendimento ocorreu durante a convocação do presidente da Sabesp, Carlos Piani, que compareceu ao Parlamento para prestar esclarecimentos sobre falhas e reclamações nos serviços de saneamento e abastecimento no Estado.
Divergência sobre Quórum e Retirada de Convocado

A deputada Ana Carolina Serra presidia a sessão quando foi constatada a ausência do número mínimo de parlamentares (quórum) exigido pelo regulamento para a abertura oficial dos trabalhos. Diante do impasse, parlamentares da oposição e a própria presidente sugeriram a realização de uma reunião informal para ouvir o dirigente da companhia.
O líder do governo, no entanto, interveio de forma contundente e retirou o presidente da Sabesp do recinto, impedindo a continuidade do diálogo e irritando os membros do colegiado.
“Senti-me desrespeitada não apenas na condição de deputada e presidente de uma comissão desta Casa, mas sobretudo como mulher. Pressionado pelos argumentos, o deputado apelou para a gritaria e para a falta de respeito, o que considero inadmissível no ambiente democrático”, declarou Ana Carolina Serra.
Em apoio à parlamentar, o diretório estadual do PSDB-SP, presidido pelo prefeito de Santo André, Paulo Serra, marido da deputada emitiu uma nota de repúdio. O partido argumentou que a violência política de gênero se configura exatamente no constrangimento, desqualificação ou intimidação de mulheres no pleno exercício de suas funções públicas.
Republicanos Defende Rito Técnico

Por meio de nota oficial, o gabinete da Liderança do Republicanos na Alesp rechaçou categoricamente as acusações de machismo ou perseguição política. O partido alegou que a conduta de Gilmaci Santos foi estritamente institucional e pautada no cumprimento do regimento interno do Palácio 9 de Julho.
Segundo a legenda, a retirada do presidente da Sabesp buscou preservar a legalidade do processo fiscalizatório:
- Procedimento: Sem quórum legal, audiências oficiais não podem ser abertas ou validadas.
- Transparência: O partido defende que as explicações da Sabesp devem ocorrer em sessão formal, com a presença dos deputados e transmissão ao vivo pela TV Alesp.
- Justificativa: O Republicanos sustentou que reuniões informais sem registro em ata fragilizam a transparência e a eficiência da fiscalização cobrada pela população paulista.
Pano de Fundo Eleitoral
O embate expõe as sensibilidades políticas que cercam a Sabesp. A desestatização da companhia, aprovada pelo Legislativo em 2023 e concluída pelo Executivo em 2024, consolidou-se como uma das principais vitrines da gestão Tarcísio, mas permanece sob forte monitoramento.
Nos bastidores da Alesp, avalia-se que a qualidade dos serviços da empresa e os desdobramentos de sua concessão privada continuarão sendo amplamente explorados pela oposição, liderada por nomes como o ministro Fernando Haddad (PT), como combustível para os debates das próximas disputas eleitorais no estado.