Ana Carolina Serra relata desrespeito em comissão da Alesp
Ana Carolina Serra repudiou episódio envolvendo o líder do governo na Alesp, Gilmaci Santos após sessão sobre a Sabesp ser esvaziada
- Publicado: 04/06/2026 16:06
- Alterado: 04/06/2026 16:06
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: ABCdoABC
A deputada estadual Ana Carolina Serra (PSDB), presidente da Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), repudiou um episódio de desrespeito institucional ocorrido durante reunião do colegiado, na última quarta-feira (3), após a retirada de parlamentares da base governista impedir o depoimento do presidente da Sabesp, Carlos Augusto Leone Piani.
A sessão tinha como objetivo colher esclarecimentos do dirigente da companhia sobre os sucessivos problemas operacionais registrados após a privatização da empresa, além do reajuste tarifário aplicado recentemente. Contudo, segundo parlamentares presentes, uma articulação liderada pelo deputado estadual Gilmaci Santos (Republicanos), líder do governo Tarcísio de Freitas na Casa, inviabilizou a abertura formal dos trabalhos.
Com a retirada de deputados governistas do plenário, a comissão não atingiu o quórum mínimo necessário — de seis parlamentares — para a realização da audiência. Na ocasião, apenas cinco deputados permaneceram presentes. Sem a instalação oficial da sessão, Piani deixou o local sem responder aos questionamentos previstos.
Ana Carolina Serra relata desrespeito durante sessão
Após o esvaziamento da comissão, houve um bate-boca entre parlamentares. Segundo relato da deputada tucana, a tentativa de manter uma oitiva informal acabou sendo interrompida em meio a discussões.
Em nota, Ana Carolina Serra afirmou ter sido alvo de uma postura desrespeitosa durante o exercício de sua função parlamentar.
“O que eu vivenciei é, no mínimo, lamentável. Ainda mais no exercício de meu trabalho na Assembleia Legislativa de São Paulo. O que aconteceu é algo que está acima da política. Quando uma mulher é desrespeitada, não é apenas uma pessoa que é atingida, é uma agressão aos valores que a sociedade humana, mundial, vem construindo ao longo de décadas”, declarou.
A parlamentar também classificou o episódio como incompatível com o ambiente legislativo.
“Não existe mais espaço para comportamentos que tentem constranger, intimidar ou desrespeitar uma mulher em qualquer ambiente que ela se encontre. Mas é ainda mais grave quando isso acontece dentro de uma Casa de Leis”, acrescentou.
PSDB-SP fala em violência política de gênero
Em nota oficial assinada pelo presidente da Executiva Estadual do PSDB de São Paulo, Paulo Serra, o partido repudiou a conduta de Gilmaci Santos durante a reunião da comissão e classificou o episódio como um caso de violência política de gênero.
Segundo o texto, o líder do governo teria interrompido reiteradamente a condução dos trabalhos da comissão, presidida por Ana Carolina Serra, adotando uma postura considerada incompatível com a liturgia do cargo parlamentar.
“A violência política de gênero se manifesta justamente quando mulheres são constrangidas, desqualificadas ou desrespeitadas no exercício de suas funções públicas. Não é aceitável que, em pleno século 21, parlamentares mulheres ainda sejam submetidas a comportamentos intimidatórios, misóginos e que buscam enfraquecer a autoridade e a legitimidade na condução dos trabalhos legislativos”, afirmou a Executiva estadual da legenda.
Ainda conforme a manifestação assinada por Paulo Serra, a deputada exerceu suas prerrogativas regimentais “com serenidade e compromisso com o bom andamento das atividades parlamentares”.
“O comportamento adotado por Gilmaci Santos afronta não apenas a deputada, mas também a própria Alesp e os princípios de respeito e de civilidade que devem prevalecer no ambiente democrático”, diz outro trecho da nota.
Oposição avalia medidas na Alesp
Após o episódio envolvendo Ana Carolina Serra, parlamentares da oposição e blocos independentes passaram a discutir possíveis medidas institucionais para apurar a conduta do líder do governo durante a reunião da comissão.
O caso ocorre em meio ao aumento da tensão política na Assembleia envolvendo a atuação da Sabesp privatizada, especialmente diante das cobranças relacionadas ao abastecimento hídrico e aos reajustes tarifários implementados nos últimos meses.
Até o momento, não houve manifestação pública do deputado Gilmaci Santos sobre as críticas apresentadas pela deputada e pelo PSDB paulista.