PSD e União Brasil articulam candidaturas ao TCU

Partidos buscam indicar próprios nomes à vaga de ministro, enquanto PT defende manutenção do pacto firmado por Hugo Motta em 2024

Crédito: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Deputados dos partidos PSD e União Brasil estão se organizando para lançar candidaturas próprias ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Essa movimentação visa desafiar um acordo previamente estabelecido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o Partido dos Trabalhadores (PT).

O entendimento firmado em 2024 entre Motta e o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), previa que ambos apoiariam a indicação de um representante do PT para o TCU. Em contrapartida, o partido se comprometeria a apoiar a candidatura de Motta na sucessão de Lira. A vaga será disponibilizada em fevereiro de 2026, quando o ministro Aroldo Cedraz se aposentará.

Durante uma entrevista, Lira confirmou a existência do acordo com a legenda liderada por Lula. Ele mencionou que o PT havia solicitado uma indicação devido à sua falta de representação no TCU ao longo dos anos. “Há um compromisso com o PT, sim, de eles indicarem a vaga”, declarou.

Políticos envolvidos nas tratativas relataram que o pacto foi feito entre os partidos que inicialmente apoiaram Motta: PP, Republicanos, MDB, PL, Podemos, PSDB-Cidadania, PDT e PSB. No entanto, União Brasil e PSD não estavam incluídos no acordo, pois ambos possuíam suas próprias candidaturas à presidência da Câmara na época: Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e Antonio Brito (PSD-BA).

A possibilidade de desmantelar este entendimento é considerada por alguns deputados, especialmente com a proximidade das eleições presidenciais de 2026 e as tensões atuais entre o governo e o Congresso. Há uma resistência significativa à ideia de permitir que o PT indique um nome para o TCU enquanto já detém vários postos no governo federal.

Um líder partidário comentou que é improvável que todos os deputados aprovem um candidato do PT devido ao voto secreto em turno único, dificultando qualquer controle sobre os resultados.

Após a escolha do novo ministro pela Câmara, a indicação precisa ser aprovada pelo Senado. O cargo é vitalício, com aposentadoria compulsória aos 75 anos e remuneração mensal de R$ 41,8 mil. O novo ministro terá a responsabilidade de supervisionar contratos e licitações governamentais.

Nos últimos dias, membros do União Brasil e do PSD intensificaram seus esforços para formalizar suas candidaturas. Um exemplo é Danilo Forte (União Brasil-CE), que organizou uma festa de aniversário em Brasília com foco em sua potencial candidatura ao TCU. O evento contou com a presença de parlamentares influentes do centrão e do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

Além dele, Elmar Nascimento também expressou interesse em participar da disputa. Contudo, ambos os deputados não comentaram publicamente sobre suas intenções.

Esta semana está programado um encontro nacional do PSD em Florianópolis, onde será discutida a possibilidade de apresentar uma candidatura para a vaga no TCU. O nome cogitado é Hugo Leal (PSD-RJ), que destacou: “Nunca serei candidato de mim mesmo. O primeiro passo é o reconhecimento do partido. Com esse respaldo, vamos ao plenário conversar”.

Ainda entre os possíveis candidatos está Hélio Lopes (PL-RJ), conhecido por sua aliança inicial com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), conforme mencionado por alguns deputados da oposição.

Esses candidatos confiam na corrente antipetista dentro do Congresso para enfraquecer o acordo pré-estabelecido. Eles também argumentam em defesa das prerrogativas parlamentares e da autonomia legislativa. Aliados de Danilo Forte ressaltam sua iniciativa ao tentar estabelecer um calendário para pagamento das emendas parlamentares na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024 — uma demanda relevante para muitos deputados.

No lado petista, há um consenso em torno da candidatura de Odair Cunha (MG), ex-líder do partido e figura chave na construção do apoio ao presidente Hugo Motta durante sua gestão na Câmara. Cunha é visto como um candidato moderado e apto ao diálogo entre diferentes legendas.

Desde a formalização da candidatura de Motta, Odair tem sido uma presença constante nos eventos promovidos pelo parlamentar. Recentemente, participou junto a Motta no 13º Fórum de Lisboa e esteve presente em jantares com lideranças da Câmara.

Odair informou que a discussão sobre sua candidatura será feita no momento apropriado após consulta ao presidente Hugo Motta.

Apoia-se entre aliados do petista que o acordo deve ser mantido por estar atrelado à eleição de Motta e não às condições políticas vigentes atualmente. Além disso, há sugestões sobre como persuadir o ministro Augusto Nardes a antecipar sua aposentadoria prevista para 2027; isso facilitaria uma nova indicação pelo PT caso duas vagas estejam disponíveis.

Danilo Forte e Hugo Leal têm utilizado como argumento em suas campanhas o fato de serem mais velhos que Odair — 67 e 63 anos respectivamente — enquanto ele possui apenas 49 anos. Esse raciocínio sugere que ocupando uma vaga por menos tempo permitirá maior rotatividade nas indicações futuras pela Câmara. Por outro lado, defensores da candidatura petista argumentam que Odair tem potencial para ser um aliado duradouro no TCU devido à sua juventude.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 11/09/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo