ProWine São Paulo coloca Brasil na rota mundial do vinho

O ProWine São Paulo reúne profissionais, compradores e mais de 2 mil produtores de 43 países em uma edição marcada pela expansão dos negócios no Brasil

ProWine São Paulo coloca Brasil na rota mundial do vinho

Crédito: (Divulgação)

Durante três dias, São Paulo se transforma em ponto de encontro de uma indústria que atravessa fronteiras antes mesmo de uma garrafa chegar à mesa do consumidor. Mais de 2 mil produtores de 43 países participam da ProWine São Paulo 2026, aberta nesta terça-feira (6) no Expo Center Norte. Entre os corredores estão vinícolas brasileiras e estrangeiras, importadores, distribuidores, sommeliers, compradores do varejo, representantes de hotéis, bares e restaurantes e outros profissionais responsáveis por decidir quais rótulos encontram espaço no mercado brasileiro.

A dimensão internacional é a face mais visível de uma edição que também ajuda a medir as transformações do setor. Pela primeira vez, a ProWine São Paulo ocupa simultaneamente os pavilhões Branco e Azul do complexo e chega à sétima edição em meio ao interesse crescente de produtores estrangeiros pelo Brasil. O número de produtores internacionais aumentou 40% em relação ao ano passado, de acordo com a direção da feira, enquanto o evento passou dos cerca de 1,5 mil produtores de 36 países registrados em 2025 para mais de 2 mil de 43 nacionalidades neste ano.

Por trás dos estandes, aliás, existe uma disputa comercial por um consumidor que mudou hábitos, ampliou repertório e passou a conviver com uma oferta maior de origens, estilos e faixas de preço. Há produtores estrangeiros procurando representação no país, regiões tradicionais tentando ampliar participação, novas áreas vitivinícolas brasileiras buscando reconhecimento e compradores selecionando o que poderá chegar às prateleiras, cartas de restaurantes e adegas nos próximos meses.

ProWine São Paulo cresce junto com o mercado

ProWine São Paulo 2026
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O crescimento da ProWine São Paulo ocorre em um momento relevante para o mercado brasileiro de vinhos e destilados. Dados divulgados pela organização apontam que o setor movimentou aproximadamente R$ 21,1 bilhões em 2025, enquanto o segmento super premium registrou alta próxima de 15% em faturamento. Os espumantes também alcançaram recorde de 4,5 milhões de caixas de nove litros comercializadas no país, volume 8% superior ao do ano anterior.

A diretora da ProWine, Malu Sevieri afirmou que a feira registrou crescimento de 9% entre 2025 e 2026 considerando os expositores, mas o salto chegou a 40% quando observado especificamente o número de produtores internacionais. A executiva relaciona o movimento à continuidade do crescimento do consumo brasileiro e às perspectivas comerciais do país.

A participação estrangeira também aumentou entre mercados que já mantinham presença consolidada. Portugal, Espanha, Itália, França, Chile e Argentina ampliaram suas representações, enquanto outras delegações passaram a disputar espaço no evento. Um dos movimentos destacados pela organização é a chegada de produtores de Champagne que ainda não possuem representação comercial no Brasil e participam da feira justamente em busca de oportunidades de entrada no mercado nacional.

A presença de produtores ainda sem representação comercial no Brasil evidencia o papel da ProWine São Paulo na abertura de novos mercados. Durante a feira, essas empresas mantêm contato direto com importadores, distribuidores, redes varejistas, restaurantes e hotéis interessados em incorporar novos rótulos aos seus portfólios. Para os compradores brasileiros, a concentração de produtores de diferentes países facilita a comparação de preços, condições comerciais, regiões produtoras e características dos vinhos antes da definição de novos negócios.

Feira é exclusiva para profissionais do setor

Apesar da presença de milhares de rótulos e degustações, a ProWine São Paulo não é um festival de vinhos aberto ao público geral. A entrada é destinada exclusivamente a profissionais ligados ao mercado, mediante credenciamento.

Importadores podem encontrar novas vinícolas, distribuidores procuram produtos para seus portfólios, sommeliers conhecem safras e regiões, representantes de restaurantes avaliam possibilidades para suas cartas e compradores do varejo negociam diretamente com empresas nacionais e estrangeiras. A edição anterior recebeu mais de 20 mil visitantes profissionais, e 87% deles eram classificados como tomadores de decisão, segundo dados da organização.

A própria expansão para dois pavilhões está ligada à procura por espaço. Até 2025, a feira ocupava apenas um deles. Em 2026, a necessidade de acomodar novas empresas e delegações internacionais levou à utilização dos pavilhões Branco e Azul do Expo Center Norte. A organização aponta crescimento total de 20% nesta edição.

Brasil deixa de ser representado apenas por regiões tradicionais

ProWine São Paulo 2026
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O aumento da participação estrangeira acontece ao mesmo tempo em que a produção nacional apresenta uma geografia mais diversa. A presença brasileira na ProWine São Paulo 2026 permite observar uma vitivinicultura que não se limita às áreas historicamente associadas ao vinho no Rio Grande do Sul.

Entre os territórios apresentados nesta edição aparecem regiões como Garanhuns, em Pernambuco, cuja produção integra o debate sobre novas fronteiras do vinho brasileiro. A programação profissional também aborda novas cultivares e experiências conduzidas na Serra Gaúcha, ampliando a discussão sobre adaptação das uvas, características de terroir e caminhos possíveis para a produção nacional.

A presença dessas experiências modifica gradualmente a imagem do vinho brasileiro. Altitude, regimes diferentes de chuva, características específicas de solo e novas técnicas de manejo permitem que produtores experimentem cultivos fora das zonas mais conhecidas. A discussão interessa diretamente aos profissionais porque uma nova região produtora precisa construir identidade, estabelecer qualidade, formar canais comerciais e conquistar reconhecimento antes de transformar sua origem em atributo valorizado pelo consumidor.

Ao mesmo tempo, regiões consolidadas continuam procurando inovação. Uma das atividades do ProWine Forum apresenta vinhos comerciais e microvinificações produzidos a partir de uvas cultivadas em um vinhedo experimental da Cooperativa Vinícola Garibaldi. A proposta inclui a apresentação de dados sobre adaptação dessas variedades às condições da Serra Gaúcha.

Vinho branco ganha espaço entre novos hábitos

O que está sendo apresentado na feira também oferece pistas sobre mudanças no consumo. Um dos movimentos acompanhados pela edição de 2026 é o crescimento dos vinhos brancos, categoria que ganhou espaço no mercado brasileiro e aparece entre as tendências destacadas pela organização. Espumantes também mantêm trajetória relevante, depois do recorde comercial registrado em 2025.

Essas mudanças importam para toda a cadeia. Quando o consumidor passa a experimentar estilos diferentes, restaurantes reorganizam cartas, varejistas ajustam prateleiras, distribuidores modificam portfólios e importadores procuram novas vinícolas. O comportamento observado no ponto de venda acaba retornando até o produtor, influenciando decisões comerciais e, em alguns casos, produtivas.

A chamada premiumização aparece nesse processo. Segundo a direção da ProWine, o crescimento dos segmentos de maior valor agregado já se reflete na presença de produtores internacionais interessados no Brasil. A própria participação inédita de determinadas casas de Champagne ainda sem representação nacional é apresentada pela organização como consequência dessa transformação.

Isso não significa que o mercado brasileiro tenha se tornado exclusivamente voltado aos rótulos caros. O movimento indica que existe espaço comercial para diferentes categorias e que uma parcela do consumidor passou a procurar procedência, denominação, método de produção, safra e experiências específicas, elementos que ampliam a necessidade de qualificação dos profissionais do vinho responsáveis por apresentar esses produtos.

Destilados ampliam presença na ProWine São Paulo

A transformação do mercado também fez a feira ultrapassar as fronteiras do vinho. A ProSpirits, área dedicada aos destilados e inspirada em iniciativa semelhante da ProWein de Düsseldorf, ganhou importância dentro da operação brasileira. Whisky, gin, licores e cachaça aparecem entre as categorias que ampliam o alcance comercial do evento.

O crescimento dos destilados aproxima públicos profissionais que anteriormente poderiam circular por mercados diferentes. Bares especializados, restaurantes, hotéis, distribuidores e varejistas trabalham frequentemente com várias categorias de bebidas, o que transforma uma feira originalmente identificada com vinho em um ambiente mais amplo de negociação.

A edição de 2026 da ProWine também registra expansão da presença de azeites, segundo a direção do evento. O movimento acompanha a construção de uma feira na qual produtos de maior valor agregado compartilham compradores e canais de comercialização.

Profissionalização passa também pelo conhecimento

ProWine São Paulo 2026
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A quantidade de garrafas expostas é apenas uma parte da ProWine São Paulo. Paralelamente aos negócios, o ProWine Forum mantém uma programação de formação destinada aos profissionais, com masterclasses e discussões sobre regiões produtoras, variedades, terroir, comercialização e transformações do mercado.

A programação inclui atividades sobre Vinhos de Lisboa, Tejo, novas cultivares para a vitivinicultura brasileira, gestão de estoques de alto valor, influência humana sobre o terroir e perspectivas para o mercado nacional. Uma das palestras do último dia se propõe justamente a analisar as mudanças ocorridas no setor brasileiro durante a última década e projetar tendências para os próximos dez anos.

A formação assume importância particular diante da ampliação da oferta. Quanto maior a quantidade de regiões, produtores, uvas e estilos disponíveis, maior é a necessidade de profissionais capazes de compreender as diferenças e traduzi-las para compradores e consumidores. Para um sommelier, escolher um vinho exige conhecimento técnico. Para um importador ou varejista, essa decisão também precisa incorporar preço, logística, estoque, potencial de venda e adequação ao público.

A agenda profissional mostra ainda que a discussão do vinho deixou de permanecer restrita à degustação. Tecnologia, controle de estoque, gestão, comportamento do consumidor e estratégia comercial dividem espaço com assuntos tradicionalmente associados à viticultura. A profissionalização acompanha uma cadeia que movimenta bilhões de reais e conecta produção agrícola, indústria, importação, serviços, gastronomia e varejo.

ProWine São Paulo funciona como vitrine do que vem depois

O impacto de uma feira profissional não termina quando os pavilhões fecham. Muitas das conversas iniciadas durante a ProWine São Paulo podem levar meses para se transformar em contratos, importações e produtos disponíveis ao consumidor. É por isso que o evento funciona também como uma antecipação do que poderá aparecer no mercado brasileiro.

Produtores que procuram representação podem sair de São Paulo com negociações encaminhadas. Importadores podem decidir acrescentar novas origens aos portfólios. Restaurantes encontram referências para atualizar cartas e varejistas conseguem identificar categorias que começam a ganhar espaço. Em uma cadeia internacional, o caminho entre uma degustação profissional e a chegada de uma garrafa ao consumidor envolve decisões comerciais, documentação, transporte, tributação, distribuição e posicionamento.

É justamente essa engrenagem que torna a feira relevante para além dos apreciadores de vinho. A presença de mais de 2 mil produtores de 43 países em São Paulo sinaliza uma disputa por participação em um mercado que continua despertando interesse internacional. Ao mesmo tempo, a diversidade brasileira apresentada nos pavilhões mostra um país que também procura ampliar sua presença como produtor.

Entre uma garrafa aberta para avaliação e uma reunião entre empresas, a ProWine São Paulo 2026 expõe uma indústria em transformação. O crescimento dos vinhos brancos e espumantes, a procura por produtos premium, o surgimento de novos territórios produtores, a expansão dos destilados e a chegada de empresas estrangeiras ainda sem representação no Brasil ajudam a explicar por que a feira precisou de dois pavilhões neste ano.

A edição de 2026 da ProWine coloca frente a frente os profissionais que decidem os próximos movimentos do mercado brasileiro de vinhos e destilados. É nesse ambiente, distante da lógica de um evento aberto apenas à degustação, que produtores procuram espaço, compradores selecionam tendências e negócios iniciados em São Paulo podem determinar parte do que o brasileiro encontrará nas prateleiras e cartas de vinho nos próximos meses.

A ProWine São Paulo 2026 ocorre de 6 a 8 de outubro, das 12h às 19h, no Expo Center Norte, na Vila Guilherme, em São Paulo. O evento é exclusivo para profissionais do setor.

Serviço: ProWine São Paulo 2026

Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333, Vila Guilherme, São Paulo, SP, 02055-000
Local: Expo Center Norte, pavilhões Branco e Azul
Entrada: Gratuita, mediante credenciamento

Edvaldo Barone

  • Publicado: 06/10/2026 14:18
  • Alterado: 06/10/2026 14:20
  • Autor: Edvaldo Barone