Propriedade Intelectual e Sustentabilidade: O papel da inovação verde

Empresas que integram inovação sustentável à estratégia de negócios fortalecem competitividade, reputação e valor de mercado

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A pauta da sustentabilidade deixou de ser opcional e passou a ser estratégica para empresas em todo o mundo. Questões climáticas, pressão regulatória e demandas do consumidor estão impulsionando o desenvolvimento de tecnologias verdes. Nesse contexto, a propriedade intelectual tem papel central, seja para proteger invenções sustentáveis, seja para evitar abusos relacionados ao uso de recursos naturais.

Green tech e o poder das patentes

Tecnologia e Sustentabilidade
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Nos últimos anos, surgiram diversas soluções inovadoras: bioplásticos, agricultura de precisão, bioenergia, tecnologias de captura de carbono, entre outras. Todas essas inovações podem ser protegidas por patentes, garantindo retorno financeiro aos inventores e estimulando novos investimentos.

No Brasil, o INPI chegou a adotar um programa de exame prioritário para “patentes verdes”, incentivando pedidos relacionados à preservação ambiental. Essa iniciativa é fundamental para acelerar a chegada de soluções sustentáveis ao mercado.

Conhecimentos tradicionais e biodiversidade

O Brasil possui uma das maiores biodiversidades do planeta. Isso abre espaço para descobertas biotecnológicas, mas também gera riscos de biopirataria. Muitas vezes, empresas estrangeiras tentam registrar patentes sobre recursos naturais ou conhecimentos tradicionais sem reconhecimento das comunidades locais.

O novo tratado da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO) sobre recursos genéticos e conhecimentos tradicionais representa um avanço, pois cria mecanismos de proteção e compartilhamento justo de benefícios.

Oportunidade para empresas brasileiras

Sustentabilidade - ESG - Economia Verde
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Para o setor privado, a sustentabilidade não é apenas responsabilidade socioambiental, mas também oportunidade de negócio. Consumidores valorizam marcas que investem em inovação verde, e investidores estão cada vez mais atentos a critérios ESG (ambientais, sociais e de governança).

Empresas que protegem suas tecnologias sustentáveis têm mais chances de licenciar soluções, atrair parceiros internacionais e se posicionar como líderes de mercado.

Desafios a superar

Apesar do potencial, ainda existem obstáculos:

  • Custos de P&D elevados em tecnologias verdes.
  • Pouca cultura de proteção por parte de startups ambientais.
  • Falta de políticas públicas mais robustas para incentivar a inovação sustentável.

A combinação entre sustentabilidade e propriedade intelectual representa o futuro da inovação. O Brasil, com sua biodiversidade única e seu potencial científico, pode ser protagonista global nesse movimento. Para isso, será preciso investir em políticas consistentes, proteger conhecimentos tradicionais e incentivar empresas a registrar suas inovações verdes.

A mensagem é clara: cuidar do planeta também é inovar e proteger essa inovação é garantir que ela se torne realidade.

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Luisa Caldas

Luisa Caldas
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Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.

  • Publicado: 01/01/2026
  • Alterado: 01/01/2026
  • Autor: 08/10/2025
  • Fonte: Motisuki PR