Projeto restaura restinga nos Lençóis Maranhenses

Projeto de restauração ambiental protege a restinga, envolve comunidades locais e preserva o menor tamanduá do mundo no entorno dos Lençóis Maranhenses

Crédito: Fundação Grupo Boticário

Inspirada no mapa Guardiões do Futuro, lançado em 2025 no universo do Fortnite, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e o Instituto Tamanduá iniciaram uma ação inédita de restauração ambiental no entorno dos Lençóis Maranhenses. A iniciativa prevê a recuperação de 30 hectares de restinga — área equivalente a cerca de 40 campos de futebol — em uma região estratégica para a proteção costeira e da biodiversidade brasileira.

A proposta transporta para o mundo real a missão enfrentada pelos jogadores no ambiente virtual: restaurar ecossistemas, estruturar corredores ecológicos, proteger espécies sensíveis e engajar comunidades locais. Nesta primeira etapa, serão plantadas aproximadamente 600 mudas de vegetação nativa em áreas de amortecimento do parque nacional, no município de Barreirinhas (MA).

Restauração ambiental no entorno dos Lençóis Maranhenses

Lençóis Maranhenses - Tamanduaí
Tamanduaí habita manguezais e restingas do Nordeste brasileiro | Foto: Instituto Tamanduá

As áreas de amortecimento funcionam como uma espécie de escudo natural ao redor da unidade de conservação, reduzindo impactos externos sobre os ecossistemas protegidos. Segundo Omar Rodrigues, gerente sênior de comunicação, engajamento e relações institucionais da Fundação Grupo Boticário, a restinga é essencial para conter a erosão e preservar o litoral, além de servir de habitat para o tamanduaí (Cyclopes didactylus), símbolo da biodiversidade local presente na região dos Lençóis Maranhenses.

O plantio das mudas contará com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a participação das comunidades do entorno. Para garantir a continuidade da restauração, também está prevista a construção de um viveiro de mudas em Atins (MA), reduzindo a pressão sobre o ecossistema e fortalecendo sua recuperação a longo prazo.

Tamanduaí e a biodiversidade regional

Pouco conhecido pela ciência, o tamanduaí é um animal solitário, de hábitos noturnos, que vive majoritariamente no alto das árvores. Mede cerca de 30 centímetros e pesa, no máximo, 400 gramas. A espécie habita manguezais e restingas do Nordeste brasileiro, do Delta do Parnaíba até a região dos Lençóis Maranhenses, e é classificada pela International Union for Conservation of Nature (IUCN) como “dados deficientes”.

Estudos genéticos recentes indicam que os indivíduos dessa área estão isolados há cerca de 2 milhões de anos dos que vivem na Amazônia, tendo evoluído de forma independente após a formação do Delta do Parnaíba e da Caatinga, que separou a Mata Atlântica da Amazônia.

Restinga, engajamento jovem e novas missões

Apesar de muitas vezes ser confundida com simples vegetação rasteira, a restinga é um dos pilares da segurança costeira brasileira. Pesquisa da Fundação Grupo Boticário aponta que 60% dos brasileiros desconhecem esse ecossistema, embora ele esteja presente em 79% da costa do país, protegendo lençóis freáticos e atuando como barreira natural contra o avanço do mar — inclusive em áreas sensíveis próximas aos Lençóis Maranhenses.

A ação integra o calendário comemorativo dos 35 anos da Fundação Grupo Boticário, que inclui campanhas de engajamento como a “Natureza On”, intervenções em mídia, o lançamento do mapa Guardiões do Futuro no Fortnite e a criação da Plataforma Natureza ON, apresentada na COP30. O objetivo é conectar as novas gerações à conservação ambiental, transformando conscientização em ações práticas e efetivas em territórios estratégicos como os Lençóis Maranhenses.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 28/01/2026
  • Fonte: Fever