Produtora pressiona Kanye West a se desculpar com judeus

Empresa avalia alternativas para realizar o show do rapper no Brasil após veto da Prefeitura de São Paulo e crise contratual

Crédito: Reprodução/Redes Sociais

A produtora Holding Entretenimento & Networking enfrenta um intrincado e custoso desafio após o cancelamento repentino do show do rapper Kanye West (agora conhecido como Ye) em São Paulo. O evento, que estava programado para ocorrer no Autódromo de Interlagos, teve sua autorização revogada pela prefeitura. O motivo do veto é uma reação direta ao histórico de declarações antissemitas proferidas pelo artista nos últimos dois anos, incluindo comparações polêmicas e amplamente condenadas com Adolf Hitler.

O impasse se torna ainda mais crítico devido ao alto investimento já realizado. O cachê do rapper, que é estimado em US$ 5 milhões (aproximadamente R$ 27 milhões), foi pago integralmente à equipe do artista. Diante do risco de prejuízo financeiro e da frustração dos fãs, a produtora iniciou uma corrida contra o tempo para reverter a situação.

Retratação pública é a principal cartada para liberar o show de Kanye West

Kanye West
Divulgação

Na tentativa de anular a decisão municipal e permitir que o evento ocorra, a Holding Entretenimento & Networking lançou sua principal estratégia: exigir que Kanye West grave um pedido de desculpas formal e público à comunidade judaica.

A produtora demonstrou forte preferência por que essa retratação ocorra em um programa de grande alcance da televisão brasileira. Os principais alvos para essa manifestação seriam o “Fantástico” ou o “Domingão com Luciano Huck”. A escolha do programa apresentado por Huck é estratégica; o apresentador é um membro conhecido da comunidade judaica, o que daria maior impacto e credibilidade ao gesto de desculpas de West. A expectativa é que essa ação política e social possa desatar o nó burocrático e reverter o veto.

A busca por alternativas não se limita à esfera política e mediática. Em um esforço contínuo para realizar o show de Kanye West, a produtora avalia outros locais em São Paulo que possam sediar a apresentação, fora do Autódromo de Interlagos. Caso não haja sucesso na capital paulista, a Holding considera levar o evento para outras cidades de grande porte no país, como Rio de Janeiro ou Florianópolis.

Produtora critica veto e promete instruções de reembolso até sexta-feira

Em uma nota oficial divulgada em suas redes sociais, a Holding Entretenimento criticou abertamente a decisão da prefeitura. A produtora defendeu que um evento de tamanha magnitude transcende o entretenimento, pois proporciona acesso à cultura e, crucialmente, impulsiona a economia local”, gerando empregos e renda para a cidade.

Apesar dos esforços de negociação e busca por novos locais, o processo de comunicação com o público já está em andamento. Os compradores de ingressos têm garantida a opção de solicitar o reembolso do valor pago ou, alternativamente, optar por aguardar uma possível nova data e local para o show de Kanye West. A produtora garantiu que as instruções detalhadas para o cancelamento da compra serão enviadas a todos os clientes via e-mail até a próxima sexta-feira (21).

Declarações de bipolaridade e o histórico de desculpas

O pedido de desculpas proposto pela produtora brasileira não seria o primeiro do rapper após o turbilhão de polêmicas. Recentemente, Kanye West adiou o lançamento de seu próximo álbum, intitulado Bully, e divulgou um vídeo que documenta um encontro com o rabino Yoshiyahu Yosef Pinto em Nova York. No vídeo, o rapper fez um pedido público de desculpas por seus comentários, afirmando sentir-se abençoado por poder reconhecer seus erros e explicando que suas declarações extremas estavam ligadas ao seu transtorno bipolar.

Antes disso, o artista já havia se retratado em suas próprias redes sociais, publicando um pedido de desculpas em hebraico. Na ocasião, ele enfatizou que não tinha a intenção de ofender a comunidade judaica e expressou profundo lamento pela dor que suas palavras haviam causado.

Produtor defende Kanye West e fala em polêmica estratégica

Ainda no contexto da produção nacional, Jean Fabrício Ramos, também conhecido como Fabulouz Fabz, que está envolvido na realização do show no Brasil, defendeu a conduta do rapper. Ramos afirmou categoricamente que Kanye West “não é nazista” e que o músico tem demonstrado um desejo genuíno de se retratar, estando plenamente ciente das controvérsias geradas por suas ações e falas.

O produtor acrescentou um ponto de vista estratégico sobre as polêmicas: Ramos acredita que Kanye West utiliza essas controvérsias de forma calculada em relação aos contratos que possui. Isso sugere que, por trás das manchetes, pode haver uma complexa estratégia de negócios e imagem que a Holding Entretenimento & Networking agora precisa gerenciar para que o aguardado show de Kanye West finalmente aconteça no país.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 20/11/2025
  • Fonte: Sorria!,